08 de julho de 2026
Geral

Reeleição

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Nilson está de olho no PPS e reeleição

Nilson está de olho no PPS e reeleição

Texto: Nélson Gonçalves

Prefeito tenta despistar, mas já trabalha por fortalecimento de seu grupo político. Reeleição para o Executivo também esta na agenda

Todo candidato em potencial, que não quer ser chamado como tal, usa alguns chavões do vocabulário político para dizer que "não é". Entretanto, as articulações e indicações de bastidores acabam demonstrando, no mínimo, que "age como se fosse". Assim não poderia ser diferente com o atual prefeito de Bauru, Nilson Ferreira Costa (PL). Aspirante ao cargo de vice e vencedor na última eleição municipal junto com Izzo Filho, o jornalista Nilson Costa já ouvia, com frequência, que acabaria se tornando o prefeito de Bauru. Entretanto, a catastrófica passagem de seu ex-aliado político pelo Palácio das Cerejeiras mudou o rumo da história. Com a previsão de continuar sentado na principal cadeira do comando municipal, o agora prefeito já vislumbra seu próprio futuro. E, para justificar o jargão do meio, Nilson diz que "ainda é cedo", "prematuro". Mas os bastidores contam que o chefe do Executivo já está empenhado em fortalecer seu grupo para o próximo ano e o projeto político inclui a possibilidade de lançamento da candidatura para a reeleição.

Na prática, as articulações políticas visando o fortalecimento de um grupo político com afinidade junto ao prefeito municipal já está em curso. E

é compreensível que Nilson Costa tenha ambições políticas. Se por um lado o prefeito despista que "discutir candidatura é prematuro porque a cidade tem muitos problemas" por outro também não seria prudente dizer que é

"cedo" para articulações. Ninguém participa de uma eleição na véspera e, aos poucos, Nilson vai sondando as possibilidades para formar um grupo em condição de participar do pleito.

Ontem, Nilson Costa confirmou que esteve com o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. O prefeito garantiu que não discutiu política partidária "imediata". O imediatismo da confirmação da conversa com o ex-candidato a presidente da República deu a principal pista do partido sondado para o fortalecimento de um grupo político, o PPS. Tanto é verdade que integrantes da administração já estão dialogando com possíveis adeptos. O PPS, que já foi comandado pelo ex-secretário de Administração Isaias Daiben, junto com Bordini, passou pelas mãos do izzista Pedro Valentim e agora está com Dilmar Pandolfi. A legenda, agora, se coloca como uma opção para abrigar um grupo menos eclético, com tendências somente de centro-esquerda.

Nilson Costa ainda comenta que está incipiente o fortalecimento do PL, assim como sua própria permanência. Na verdade, a declaração também abriga uma circunstância palpável, a possível fusão do próprio PL com o PPS, caso o Congresso Nacional execute a reformulação no sistema político-partidário. Se a expressão correta não for fusão, seria, pelo menos, a "soma de forças", outro termo do jargão político. O resultado, em síntese, seria a conhecida coligação para as eleições.

Mas Nilson Costa não gosta de falar nesse assunto, no momento, e nem deve. Ele mesmo reconhece que "permitir que esse assunto entre em debate violento agora é fazer com que a cidade fique ingovernável. Nossa preocupação hoje

é administrar a cidade". O prefeito vê no assunto a inevitável repercussão na Câmara, local onde estão 21 candidatos potenciais à reeleição.

E por falar em reeleição, o prefeito também não tem outra alternativa a não ser admitir que a inclui em seu projeto político. Seguindo a cartilha política, Nilson Costa reafirma que "a cidade precisa ser recuperada, neste momento de transição complicado, com muitos problemas graves e, ao mesmo tempo, perda de receita. Discutir reeleição é inclusive inoportuno". Ainda assim, Nilson Costa não esconde que, uma vez bem realizado o papel que lhe cabe nessa transição política-administrativa, não está descartado a participação na eleição. O prefeito coloca que uma vez consolidado seu nome como alguém "com espírito público, preocupado em colocar Bauru na rota do desenvolvimento, com trabalho e pacificação, num período de turbulência política e uma enorme dívida herdada, o nome do prefeito é automaticamente colocado à disposição. Ser candidato ou não é uma questão de conjuntura e oportunidade e este não é o momento de se preocupar com projetos pessoais".

Nilson Costa também acha "pura especulação" as informações de que entre os membros do primeiro escalão já desponta vários "prefeitáveis". Sobre o assunto, o chefe do Executivo diz que "é pura especulação da imprensa. Já falaram das candidaturas do Joaquim Madureira, do Leandro Joaquim, do Flávio Uchoa, mas isso não passa de boato. Eu torço para que tenhamos não dois ou três mas 13, 14, 15 pessoas do primeiro escalão cotadas como prefeitáveis. Isso significaria a realização de um bom trabalho por parte deles".