08 de julho de 2026
Geral

Artes plásticas

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Mauri Samp revela a arte do futuro

Mauri Samp revela a arte do futuro

Texto: Fabiano Alcantara

Artista plástico radicado em Bauru defende o uso de novas tecnologias e materiais para a produção de obras de arte com a cara do novo milênio

O artista plástico paulistano radicado em Bauru Mauri Samp prepara o lançamento de um CD-ROM com todas as suas obras. Dono de um dos trabalhos mais originais e particulares já surgidos na região, ele produz obras de arte com a cara do novo milênio.

Adepto do que chama de "Arj Arte", que remete a compactação de arquivos de computadores, Samp chama suas obras de "verticalizações", devido ao formato retangular.

"Meus trabalhos são comemorações visuais. São como fogos de artifício no Reveillon, são como aparições reveladoras de entidades espirituais materializadas. Minha obsessão pelo retangular é algo que ainda investigo em mim mesmo. Muito do que forma nosso vocabulário visual tem este formato, as árvores, os prédios, a cama e o túmulo", diz.

O CD-ROM, que deve ficar pronto até agosto, será enviado para galerias de arte e empresários. O artista busca apoio cultural para custear sua produção.

Samp, que além de artista é estudante de design da Unesp, também está buscando parcerias para realizar o CD. O artista pretende oferecer cotas para investidores locais.

"O CD-ROM é o meio mais adequado para apresentação de uma arte tão digital como a minha", diz.

Ex-adepto do duratex (madeira reconstituída), o artista passou a produzir suas verticalizações direto no computador. O próximo passo será a realização de objetos luminosos feitos de polistireno, aço, tinta automotiva, vinil recortado e imagens plotadas (impressas) em substrato transparente.

"Meu interesse é estar no diálogo entre o transparente e o metálico, criando objetos tridimensionais, a partir da sobreposição de vários planos, simulando uma imagem holográfica. Isto resulta em um objeto que casa arte e design", afirma.

Multimídia

Autor do livro "Chateações Filosóficas" e do roteiro para cinema "Internel", que ele planeja transformar em filme até 2001, Mauri Samp tem buscado incursões em outras áreas da arte.

De acordo com ele, o artista precisa romper "para não se transformar em escravo das regras que ele mesmo criou".

"A arte é a única coisa que torna a vida um pouco mais suportável. Meu trabalho é uma tentativa de equilibrar o desequilíbrio típico do ocidente, que já está tão entranhado nem nós que nem percebemos, é o mal estar da civilização, do homem civilizado".

Buscando a aerodinâmica típica de uma nave espacial e a automaticidade típica do folclore, o artista trafega entre o primitivo e o futurista sem parecer retalhos forçosamente costurados.

"Quando mais tecnológica a sociedade se torna, mais o homem vai buscar suas raízes", diz. "Com o fim dos paradigmas, das ideologias, o ser humano passa a ter um

único referencial confiável: ele mesmo ", completa.

Segundo Samp, os conceitos de arte e design se fundirão.

"Uma tendência que já está sendo observada

é que a arte não terá mais uma função meramente contemplativa e o design não terá uma visão com ênfase apenas na funcionalidade e no mercado", afirma.

Quem quiser entrar em contato com o artista, o telefone é

(014) 223-1777. Os interessados nas obras de arte digital podem adquirí-las impressas em glossy paper, em qualquer tamanho.