08 de julho de 2026
Geral

Praia do Forte

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 7 min

Praia do Forte, a Polinésia brasileira

Turismo

Praia do Forte, a Polinésia brasileira

Texto: Eliane Barbosa

O Projeto Tamar, de preservação às tartarugas marinhas, sem dúvida fez a fama do lugar. Sinal de partida para que milhares de turistas de todas as partes do mundo voltassem os olhos para esse canto quase intocável do litoral baiano, cercado por coqueirais, areia branca e muita tranqÃilidade.

Distante apenas 50 quilÃmetros de Salvador, a Praia do Forte tem piscinas de águas naturais que convidam ao banho de mar, praias limpas e praticamente virgens, rios, corredeiras, ruínas que remontam à era colonial, sediando um dos projetos mais sérios de respeito à natureza.

Conhecida como a Polinésia Brasileira, a Praia do Forte vem ganhando nos últimos anos boa estrutura hoteleira e já virou "point" de turistas estrangeiros, principalmente alemães que deixaram de lado o frio europeu e se entregaram de corpo e alma ao calor e ao ritmo baiano.

Ficar na Praia do Forte sem preocupação com outros roteiros turísticos pelas imediações, já

é suficiente para muita gente. Caso de executivos que se recompõem do estresse diário do sobe e desce das bolsas de valores e do dólar, passando temporada em resorts construídos à beira mar. "O simples fato de estar aqui sob esse céu azul maravilhoso, olhando o verde e a água cristalina do mar baiano, já é uma terapia", explicou ao JC Turismo um empresário bauruense do ramo automobilístico que passava férias na praia, no início de fevereiro.

São 12 quilÃmetros de praias ideais para a prática de esportes naúticos, contornadas por dunas e coqueirais, piscinas naturais de água corrente no meio do mar, e ainda: o Sítio Histórico do Castelo Garcia D'Ávila, a Reserva de Sapiranga, as corredeiras do Rio Pojuca e uma aldeia de pescadores onde o turista goza de toda a mordomia, incluindo peixinhos fritos, cerveja geladíssima e muito axé.

Características rústicas

Aliás, a vila da Praia do Forte nasceu de uma antiga aldeia de pescadores. Até hoje o lugar conserva características rústicas.

A vila tem apenas algumas ruas que seguem o traçado natural das clareiras entre o coqueiral. A Alameda do Sol é a principal, se encontrando com as ruas da Lua e da Aurora, onde ficam pousadas, bares, restaurantes, lojas de artesanato, casas de veraneio e o comércio em geral.

As casas ao longo da vila são rústicas, construídas em reboco. Exibem telhas coloniais e muita piaçava, elemento que faz o lugar se assemelhar ainda mais com a Polinésia Francesa.

O estilo também está presente no Praia do Forte Resort Hotel, projeto do arquiteto Wilson Reis Neto, professor catedrático da Universidade de Toulon, na França, que misturou nos chalés e na ala principal do hotel, a arquitetura do ciclo dos jesuítas no Brasil Colonial ao da Polinésia, utilizando material da região, como a piaçava e a madeira. Tudo rústico estilizado, garantindo conforto total aos hóspedes.

Assim como acontece com Búzios, no litoral carioca, a noite ferve na Praia do Forte. Lugar ideal para se andar a pé, colocar os pés na areia macia, namorar, paquerar e entre comes e bebes esperar o dia amanhecer.

Gastronomia baiana

Os restaurantes são simples só à primeira vista. Embora rústicos são especializados na boa comida baiana, sem ou com pimenta de cheiro e dendê.

Os frutos-do-mar, as moquecas, vatapá, caruru e os bobós-de-camarão figuram dos cardápios ao lado dos pratos incorporados pelos turistas estrangeiros às suas temporadas de descanso. Não faltam os grelhados, os crepes, pratos italianos e chineses e a culinária alemã, repleta de einsbein, chucrute e como sobremesa strudel de maçã.

Nos barzinhos mais populares ninguém fica com fome. Ao lado dos acarajés, há o imperdível caldinho de feijão, muita dobradinha, mocotó e feijoada para todo mundo ficar arretado.

Por R$ 5,00 come-se bem nesses pontos. Se a opção for por peixe ou frango paga-se em média R$ 15,00 (duas pessoas), metade do desembolsado quando a sugestão da casa for camarão ou lagosta.

Os peixes, lulas, polvos e outros frutos-do-mar são sempre frescos na praia. Diariamente pescadores nativos oferecem nos bares e restaurantes o resultado de seu dia de trabalho no mar.

Serviço:

A Praia do Forte fica a 50 quilÃmetros do Aeroporto Internacional Dois de Julho e a 75 quilÃmetros do Terminal Rodoviário de Salvador, logo depois da Estrada do Coco. Não é permitida a circulação de veículos de passeio e Ãnibus no centro da vila, principalmente nos fins de semana. Um estacionamento fechado, administrado pelo Projeto Tamar, funciona das 8 às 17 horas. Há linhas regulares de Ãnibus para a Praia do Forte, saindo diariamente do Terminal Rodoviário de Salvador.

Onde se hospedar:

Praia do Forte Resort Hotel (tel. 876-1111) - é o hotel mais requintado do local;

Pousada Praia do Forte (tel. 876-1116);

Pousada Sobrado da Vila (tel. 876-1088);

Pousada Ogum Marinho (tel. 876-1165);

Pousada Enseada da Lua (tel. 876-1029);

Pousada Tatuapara (tel. 876-1015).

Pousada Solar do Forte (tel. 876-1043);

Pousada PÃr-do-Sol (tel. 876-1008).

Pousada dos Artistas (tel. 876-1147);

Pousada João Sol (tel.876-1054);

Pousada Canto da Sereia (tel. 876-1032);

Pousada do Kleber (tel. 876-1024);

Pousada Oxumaré 9tel. 876-1071);

Pousada Sol nascente (tel. 876-1179); Pousada da Tia Helena

(tel. 876-1198)

A DESOVA DAS TARTARUGAS

Quatro espécies de tartarugas marinhas desovam na Praia do Forte: cabeçuda, de pente, tartaruga verde e comum.

E por causa desse fato raro a Praia do Forte foi escolhida para sediar o Projeto Tamar que visa a preservação das tartarugas marinhas.

O trabalho sério de profissionais ligados ao meio-ambiente

é apaixonante. O Museu da Tartaruga fica aberto à visitação de terça a domingo, das 15 às 19 horas. Pagando-se uma taxa irrisória em torno de R$ 2,00, o visitante assiste a vídeos sobre o Projeto Tamar e conhece um pouco sobre a vida destes animais, que vivem em média 400 anos e existem há mais de 150 milhões de anos, sobrevivendo a todas as mudanças ocorridas no planeta ao longo deste tempo.

Até março acontece a desova. Tendo sorte, você poderá presenciar o nascimento das tartaruguinhas que saem da areia correndo em direção ao mar. Em toda a extensão do litoral norte da Praia do Forte encontram-se ninhos de tartarugas demarcados pelo Tamar. Também existem ninhos dentro da

área do Projeto, feitos a partir dos ovos recolhidos na praia. As tartaruguinhas nascem ao entardecer e chegam ao mar atraídas pelo reflexo das luzes na água.

Encantando-se com elas, você terá a chance de "adotá-las". Passando a ajudar a mantê-las vivas o turista poderá participar do programa "Turtle by Night". "Consiste num passeio elaborado pelo Tamar em parceria com uma agência de turismo local. O tour começa às 21 horas, quando os turistas são apanhados nas pousadas e hotéis da Praia do Forte e levados até a sede do Tamar, onde assistem palestras e vídeos sobre os animais para em seguida fazerem uma caminhada de uma hora pela praia, acompanhados por técnicos e pesquisadores do Projeto", detalha Carlos Accioli Ramos, da Bahiatursa.

Os turistas conhecem os tanques de crescimento e o cercado de nascimento dos filhotes, caminham com os técnicos até a área de maior concentração de desova onde as tartaruguinhass recém-nascidas são soltas para o primeiro contato com o mar.

Josimar Campos garante ter presenciado o nascimento de tartarugas depois de adotar um filhote pagando a quantia simbólica de R$ 50,00 para ajudar a custear os gastos do Projeto Somar e passear com seus técnicos.

Aventura da vida

As tartarugas marinhas, segundo o site do Projeto Tamar, existem há mais de 150 milhões de anos e conseguiram sobreviver a todas as mudanças do planeta. Mas sua origem foi na terra e, na sua aventura para o mar, evoluíram, diferenciando-se de outros répteis.

Assim, o número de suas vértebras diminuiu e as que restaram se fundiram às costelas, formando uma carapaça resistente, embora leve. Perderam os dentes, ganharam uma espécie de bico e suas patas se transformaram em nadadeiras. Tudo para se adaptarem à vida no mar.

Podem atingir até 900 quilos e vivem todo o tempo no mar, com apenas as fêmeas saindo da água, por um curto período para a desova.

Embora tenham pulmão, podem permanecer algumas horas embaixo d'água, prendendo a respiração.

Ao desovar as fêmeas procuram praias desertas - no Brasil entre setembro e março - e esperam o anoitecer, porque o calor da areia, durante o dia, prejudica a postura e a escuridão as protege de vários obstáculos.

Em cada postura uma tartaruga coloca em média 130 ovos, mas os pesquisadores do Tamar já registraram ninhos com apenas 16 e até com 240 ovos. Depois da postura, entre 45 a 60 dias, ocorre o rompimento dos ovos e o nascimento das tartaruguinhas que correm para o mar.