08 de julho de 2026
Geral

Ufologia

Ana Maria Ferreira
| Tempo de leitura: 6 min

Vida fora da Terra: ciência ou ficção

Vida fora da Terra: ciência ou ficcção ?

Texto: Ana Maria Ferreira

"Na vasta imensidão do espaço, devem existir outras civilizações mais antigas e avançadas que a nossa" O Informe n.º 5 do Instituto Brasileiro de Cultura, Ciência e Tecnologia - IBCCT - assinado pelo astrÃnomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão fala sobre a descoberta de um sistema planetário extra-solar. "A questão de uma vida inteligente, ou mesmo de uma civilização extraterrestre em quaisquer pontos do universo está intimamente associada ao problema da existência de planetas extra-solares. Não existindo outros sistemas planetários, é pouco provável que a vida tenha se desenvolvido. Aliás, a probabilidade de que o nosso sistema solar fosse um caso único no universo limitou, durante muito tempo, a discussão sobre as civilizações extraterrestres. As descobertas de sistemas planetários em formação, pela sonda IRAS, a partir dos anos 70, e a recente descoberta de planetas extra-solares ao redor da estrela Upsilon de AndrÃmeda, situada 44 anos-luz (400 trilhões de quilÃmetros) da Terra, deixaram os defensores da idéia da pluralidade dos mundos muito ansiosos. Será que os extraterrestres existem realmente?" A pergunta histórica "estamos sós?" ainda continua sem resposta, mas talvez por pouco tempo. A ciência não para de descobrir sistemas planetários, até então inimagináveis, que se assemelham ao nosso sistema solar. O número de galáxias no universo é de aproximadamente 100 bilhões e só as estrelas da nossa galáxia - a Via Láctea - somam 400 bilhões. A Ciência e pesquisadores independentes debruçam-se mais e mais sobre o tema da ufologia, a possibilidade de contatos e troca de informações entre os seres alienígenas e os humanos. Sondas foram lançadas ao espaço para mapear a superfície de Marte, e trazer novas informações a respeito do planeta vermelho. Sabe-se que os "marcianos" não moram mais lá, mas podem Ter tido uma vida muito agradável no planeta, pois há indícios científicos de que Marte teria sido morno e cortado por oceanos e rios caudalosos e a probalidade de que tenha abrigado algum tipo de vida é enorme. Carl Sagan, astrÃnomo, autor de Cosmos o livro científico mais vendido de todos os tempos, e de Contato, que teve sua versão cinematográfica, foi o primeiro a realizar estudos sobre as conseqÃências devastadoras do "efeito estufa", observando o planeta Vênus que atinge temperatura de 470 graus Celsius. Perguntado, numa entrevista a revista Veja, se existe vida inteligente na Terra, Sagan diz que o visitante descobriria que existe uma civilização tecnológica aqui, mas se aprofundasse sua análise descobriria que existe algo errado com esse planeta. "A camada de ozÃnio, as florestas tropicais e o solo fértil estão sob constante ataque. Provavelmente, a essa altura, o visitante espacial faria uma revisão da sua análise e concluiria que não há vida inteligente na Terra." E o astrÃnomo completa sua análise dizendo que "não é a Terra que está ameaçada. A Terra está segura. Nós, humanos, é que estamos numa situação cada vez mais frágil. É provável que a esta altura do nosso desenvolvimento tecnológico estejamos criando uma civilização incompatível com a vida no resto do planeta." Sagan diz ainda que a colonização de outros planetas, de forma a garantir a sobrevivência da raça humana, é "uma hipótese racional e uma meta atingível". Os investimentos em sondas espaciais demonstram a preocupação com o futuro da Terra, se ela continuará sendo nosso "lar, doce lar" ou se esta se tornará um "inferno" para os humanos.

"ET FM"

O Projeto SETI, comandado pelo astrÃnomo americano Frank Drake, que desde a década de 60 se dedica a encontrar sons vindos do universo, tem 4 radio telescópios espalhados pelo mundo ( dois nos Estados Unidos, um em La Plata, Argentina e o último em Porto Rico, no Caribe) que contam com a ajuda do computador Beta (Billion-channel Extraterrestrial Assay), que realiza 40 bilhões de cálculos matemáticos por segundo e possui 1 bilhão de canais para a recepção de sinais alienígenas. A freqÃência mágica é a que varia de 1400 Mhz a 1720 Mhz, por estarem numa faixa considerada silenciosa ( vai de 1000 até 10 000 Mhz) para os pesquisadores, eliminando assim interferências. Os dois números escolhidos representam o comprimento de onda das moléculas de hidrogênio (elemento mais comum no universo) e hidroxila, que juntas formam a água. E isso não foi ao acaso. Os pesquisadores acreditam que qualquer civilização desenvolvida considere a água como símbolo da evolução e da existência de vida, assim como esta faixa a melhor para transmitir os sinais de rádio. Já foram captados 134 sinais que podem ter sido enviados pelos extraterrestres, mas nenhum se repetiu e portanto não existe prova científica de que fomos contatados. Um dos sinais, decodificado, dizia "WOW", mas também não houve confirmação, deixando operadores desolados. Não foi desta vez, mas dizem que se um ET telefonar para a Terra, Frank Drake é quem vai atender ao telefone! Mesmo que a comunidade científica negue a existência de civilizações extraterrestres, existe a preocupação em se detectar essa "possível existência", e nesse assunto os americanos deram os primeiros passos enviando sondas com mensagens cifradas, ao espaço. A Pioneer 10 e 11, que estão no espaço desde 1972, carregam placas de ouro com a imagem de um homem e uma mulher, a indicação do hidrogênio e um diagrama do Sistema Solar mostrando a posição da Terra. Já a Voyager 1 e 2, levam cada uma, um disco de ouro com os sons da Terra: som de um beijo, baleias, Beethoven e os Roling Stones além de saudações em 60 idiomas. Nos últimos anos já foram descobertos 12 planetas, alguns com formação gasosa, outros tão grandes, como é o caso de "Peg-51" (Constelação de Pégaso), que é 280 vezes maior que a Terra e seis vezes mais próximo de sua estrela do que Mercúrio está do Sol, o que intriga demais os astrÃnomos, tanto que são chamados de "bichos raros" do sistema. A Nasa desenvolve o projeto Origins, considerado o mais importante projeto espacial, que lançará vários pequenos telescópios para esquadrinhar o céu em busca de mais planetas. O diretor da Nasa, cientista Daniel Goldin, reconhece que este é um projeto caro e diz que "nenhum esforço é grande demais para provar a existência de vida em outros planetas." O encontro do homem com outros seres com os quais pudesse se comunicar, trocar informações e tecnologia, de preferência muito mais desenvolvidos, talvez acabaria com a solidão cósmica da humanidade e com o instinto de destruição da vida e do planeta. Mesmo que isso não aconteça tão cedo, como é o desejo de muitos, o esforço já terá valido a pena e o dinheiro gasto com pesquisas espaciais ao menos tem por objetivo a preservação e o desenvolvimento tecnológico, podendo trazer resultados como a cura de doenças que hoje castigam a humanidade e não o desenvolvimento de uma nova arma nuclear ou o financiamento de guerras.

É um fim nobre. Fonte: Revista Superinteressante e Veja.