08 de julho de 2026
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Produtos alternativos

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Supermercados confirmam o crescimento de 2ª linha

Supermercados confirmam o crescimento de 2.ª linha

Texto: Luciano Augusto

A queda da renda do brasileiro e o desemprego estão fazendo com que marcas menos conhecidas, a chamada 2.ª linha, ganhe espaço nas prateleiras e no carrinho do consumidor. O preço e a crescente qualidade dos produtos menos conhecidos atraem os compradores e acirram a briga entre grandes e pequenos

Os supermercadistas apontam diferenças de preço que chegam a até 100% entre uma marca conhecida e outra menos famosa, como, por exemplo, acontece no segmento de extrato de tomate. Com o sabão em pó, a diferença

é menor, mais ainda assim chega a 10%. Com isso, o consumidor acaba optando pelo preço e leva para casa um produto desconhecido e que, se comprovada a sua qualidade, passa a fazer parte da sua lista de compras.

Com a forte industrialização observada atualmente, os produtos passaram a ter qualidades similares. Segundo o representante regional da Associação Paulista de Supermercados

(Apas), João Svízzero, e sócio-proprietário da rede de Supermercados Santo Antonio, "à medida que o consumidor experimenta um outro produto e vê que este tem a mesma qualidade do produto líder, ele passa a ser consumidor deste outro. E hoje a qualidade é praticamente a mesma".

O setor já vem verificando esta tendência há mais de um ano. A variedade de produtos já atinge praticamente todos os segmentos e o consumidor atento às novidades e, principalmente, aos preços atrativos, se adequam à nova linha de produtos e deixam de lado as marcas habituais.

De acordo com Svízzero, esta tendência é interessante porque dá mais poder de fogo para os supermercados brigarem por preços mais atrativos com os fornecedores. "Quando um produto vira líder de mercado, o fornecedor passa a fazer uma série de exigências e quer subir seus preços. Mas quando vê que a concorrência está vendendo, ele vem com outras propostas e fica mais maleável".

Quem também já observou o crescimento no consumo dos produtos de 2.ª linha, é o gerente de marketing da Rede de Supermercados Mercosuper, Edmilson Ronaldo Bellan, 32 anos. Bellan destacou que a pressão exercida pela 2.ª linha em cima das líderes mantêm os preços em patamares mais aceitáveis. Para ele, o preço

é, realmente, o atrativo inicial para o consumidor.

Além disso, segundo sua análise, o segmento cresce porque hoje, ninguém é mais fiel às marcas.

"Não existe mais aquela fidelidade do consumidor com uma marca só", completa.

Para Paulo Sanches, 43 anos, gerente de compras da Rede de Supermercados Confiança, o boom de consumo entre as marcas menos conhecidas, é uma situação quase que provocada pelo supermercadistas, porque a partir do momento que se enfrenta as marcas líderes e começa a fazer um trabalho de divulgação mais apurado em cima das marcas menos conhecidas, o consumidor sente-se mais propenso a consumir o novo produto. "Os folhetos, as ofertas especiais e os incentivos", acabam por gerar uma batalha mais nivelada entre as diversas marcas.

Na sua opinião, as marcas líderes são mais caras não só pelo fato de serem líderes, mas também, porque "elas têm um gasto muito grande com mídia" e isso reflete no preço e no resultado final do produto.

De acordo com Sanches, algumas marcas que dominavam o mercado já foram deixadas para trás. "É o caso da margarina. A marca líder, hoje, é outra (Deline, da Sadia) e detém 14% do mercado".

Com a globalização diz ele, as empresas tem que ser competitivas e para isso, precisam se modernizar. "Atualmente, praticamente todos os óleos de soja, são de excelente qualidade". E, como afirma o gerente, estas novas marcas que estão chegando possuem um maquinário bastante moderno.

Todos os supermercadistas foram unânimes em relação ao crescimento ainda maior da participação no mercado destas novas marcas que estão surgindo, mesmo porque é um bom negócio para todos: 2.ª linha, supermercados e consumidores.