08 de julho de 2026
Geral

Contaminação

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Estudo indica perigo em orelhões

Estudo indica perigo em orelhões

Pesquisa desenvolvida pela Famema analisaram telefones de Marília e concluíram que eles podem transmitir graves doenças

Marília - Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Marília (Famema) indica que falar em telefones públicos pode significar um risco para a saúde. Devido à falta da limpeza periódica dos aparelhos, eles se tornam focos de contaminação no cotidiano das grandes cidades.

Os pesquisadores identificaram, em 50 orelhões instalados em Marília, a presença de bactérias que podem causar infecções, especialmente no ouvido. Eles consideram que, nos grandes centros urbanos, onde há uma maior circulação de pessoas, os resultados devem ser até piores.

A pesquisa foi selecionada para ser apresentada na 14.ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Otorrinolaringologia, que começa na próxima quarta-feira, dia 26 de abril, na Califórnia (EUA).

Dos orelhões analisados em diversas regiões do município de Marília (cuja população estimada é de aproximadamente 200 mil habitantes), todos eles continham bactérias gram-positivas. Em 47% das amostras, foram detectadas a presença de Staphylococcus aureus, considerado um importante causador de infecções de vias áreas superiores e de otite externa. Algumas dessas doenças pode causar surdez ou até mesmo a morte. Nos telefones domiciliares analisados, a porcentagem de aparelhos contaminados por esta bactéria foi de 28,5%.

Os telefones públicos com maior risco de contaminação foram os localizados nos hospitais. Ali, os pesquisadores detectaram bactérias gram-negativas, como a pseudomonas e a serratias sp, que podem causar infecções mais graves, de difícil tratamento, devido ao seu alto grau de resistência a antibióticos.

"A pesquisa sugere a necessidade de se fazer uma limpeza freqÃente nos fones e serve como um alerta para a população", diz o coordenador da pesquisa Alfredo Dell'Aringa professor e chefe da disciplina de otorrinolaringologia da Famema, responsável pela apresentação do estudo durante o evento nos Estados Unidos.

Os resultados da pesquisa foram encaminhados também para a gerência da empresa Telefonica, em Marília. "A simples desinfecção periódica dos fones com álcool diminuiria certamente uma dessas fontes de infecção com que os indivíduos se deparam no dia-a-dia", completa o pesquisador.

Para Dell'Aringa, os telefones públicos se tornam importante meio de transporte para os microorganismos que podem provocar doenças, em razão de sua constante manipulação no dia-a-dia, principalmente nos grandes centros urbanos.

Ele ressalta que o simples contato com o fone contaminado não significa que a pessoa irá se contaminar. A infecção clínica depende da agressividade da bactéria e do sistema imunológico do indivíduo que utilizou o telefone. Por isso, as pessoas com Aids, anemias falciforme, câncer, diabetes mellitus ou transplantados correriam mais riscos de contrair e desenvolver uma infecção grave, em função de sua deficiência imunológica.

Osmar Person, outro autor do estudo e responsável pela coleta, acrescenta que, se um indivíduo com otite

(em que há saída de secreção purulenta pelo conduto auditivo externo) utilizar o telefone, o aparelho pode contaminar outra pessoa através do contato com a parte superior do fone.

Segundo Érika Fabiana Okada, que também participou do trabalho, foram analisados, também, os bocais

(parte de baixo) do fone de alguns orelhões. Porém, neste local, onde a pessoa fala mas muitas vezes não há contato de superfície, o índice de bactérias foi menor. "Mas, para pessoas imunodepressivas, há também o risco de se contrair doenças como uma pneumonia ou uma meningite, só para relatar as mais sérias".

A detecção da contaminação e identificação das bactérias, utilizando as técnicas BHI, testes de catalase, DNAse e motilidade foram feitas no Laboratório de Microbiologia do Hemocentro da Famema.