07 de julho de 2026
Geral

Combustíveis

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Venda de combustíveis cai 30% em Bauru

Venda de combustíveis cai 30% em Bauru

Texto: Márcia Buzalaf

Os postos de combustíveis de Bauru tiveram uma queda de aproximadamente 30% nas vendas nos últimos meses. A crise econÃmica, a mudança na lei municipal de abertura de postos e os reajustes dos combustíveis são alguns dos responsáveis pela venda menor, de acordo com os proprietários de postos e com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro).

O número ideal de postos de combustíveis em Bauru, segundo afirma o sindicato, é de 60 postos. Com 80 postos em funcionamento na cidade, e um consumo mensal de 10 milhões de litros de combustíveis, Bauru tem uma proporção de venda mensal dos postos em torno de 125 mil litros por posto. Davilço Graminha, 44 anos, presidente do Sincopetro, diz que um posto "saudável" deve vender, mensalmente, entre 150 e 180 mil litros de combustível. "Em Bauru, a maioria dos postos têm uma média abaixo de 120 mil litros", afirma.

De fato, o gerente do Auto Posto Camélias, César de Carvalho, 37 anos, diz que costumava vender uma média mensal de 100 mil litros de combustíveis, sendo 70 mil apenas de gasolina. No último mês, ele conta, a média de venda foi de 70 mil litros por mês de combustíveis, 50 mil litros apenas de gasolina.

Para Carvalho, a mudança também é no comportamento dos consumidores. Com vários postos na cidade, fica mais difícil manter a fidelidade dos clientes. "Não existe mais cliente fiel", analisa ele.

De acordo com o proprietário de um posto que preferiu não se identificar, o consumidor está mesmo procurando o melhor preço. Para ele, o preço também foi uma das causas da queda no consumo.

Para Graminha, a venda de combustíveis sofreu uma retração de consumo também assistida por quase todos os outros setores da economia. Além disso, Carvalho destaca, o padrão de posto imposto recentemente também é um problema para quem gerencia um estabelecimento. "Atualmente, os postos devem ter lojas de conveniência e oferecer um bom serviço de frentistas", afirma.

A eliminação da distância mínima entre um posto e outro, segundo Carvalho, é o principal motivo para a queda nas vendas.

Durante a discussão do projeto que alterou a construção de postos em Bauru, Graminha afirma, o Sincopetro não foi ouvido. "Hoje, em Bauru, temos uma liberdade quase total na construção de postos", afirma o sindicalista.

Atualmente, ele diz, várias escolas estão criticando a construção de postos próximos aos estabelecimentos de ensino, pela segurança das crianças em um caso de vazamento. "Antes, a distância entre postos e escola era de pelo menos 200 metros", garante ele.

Outra questão destacada por Graminha e que não foi incluída na legislação é uma distância mínima dos postos com as fontes de água para abastecimento público em Bauru.

A insalubridade e a periculosidade dos produtos comercializados em um posto de combustíveis, de acordo com Graminha, são motivos suficientes para que se estabeleça uma regulamentação mais cuidadosa para os postos.

O Sincopetro se diz totalmente favorável às construções de postos de combustíveis na cidade, mas a melhor distribuição espacial dos estabelecimentos, segundo

De acordo com Graminha, a queda nas vendas pode repercutir outros problemas no setor, que afetariam diretamente consumidores e não-consumidores dos combustíveis. Para ele, a segurança dos postos e a qualidade dos combustíveis podem ser abaladas com a atual regulamentação dos postos.

Graminha lembra que, em Bauru, os 80 postos de gasolina empregam uma média de 12 funcionários cada um, sendo responsável por cerca de mil empregos na cidade.

Por estes vários motivos, Graminha diz, está sendo organizado um movimento político em Brasília nos dias 11 e 12 de maio para que se exija duas atitudes governamentais nos postos de combustíveis: o cumprimento da legislação que regulamenta a tributação e a fiscalização da qualidade do combustível. "As leis exigem, só não há fiscalização", defende Graminha.