Economista diz que aumento do mínimo é correto mas não é justo
Economista diz que aumento do mÃnimo é correto mas não é justo
Texto: Luciano Augusto
Para o professor e economista Wagner Aparecido Ismanhoto, 36 anos, o aumento salarial para R$ 136,00 foi correto mas, socialmente, ele não é justo. O aumento de 4,61% foi decretado ontem, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ismanhoto explica que se analisarmos pelo lado da inflação acumulada o aumento não está errado. Mas, aponta ele, os Ãndices de inflação não refletem necessariamente a composição de custos das pessoas que ganham salário mÃnimo. "Pela ótica econÃmica não se discute, porém em nenhum momento fica garantido que a inflação observada na composição dos custos dos trabalhadores brasileiros realmente tenha sido esta", acrescenta.
Os aumentos salariais não têm a possibilidade de serem muita coisa além disso, porque é ele que lastreia todas as operações da previdência social. E como afirma o economista, "hoje sabemos que a previdência está literalmente quebrada". Então, qualquer aumento de R$ 1,00, por exemplo, representa um montante extraordinário acrescido aos gastos com a previdência e é por isso que os aumentos são sempre "mÃnimos".
No inicio do Plano Real, o salário mÃnimo correspondia a US$ 60,00 e, passou para US$ 120,00 há um ano atrás. Hoje, ele vale pouco mais de US$ 80,00. Se o salário tivesse mantido seu poder de compra ele precisaria valer quase o dobro do que vale atualmente.
De acordo com Ismanhoto, existe uma estatÃstica que aponta que mais da metade da população brasileira que trabalha ganha até um salário mÃnimo.
Aposentados
Os aposentados que ganham acima do piso (salário mÃnimo) vão ter um reajuste salarial de 5%, em junho. Já os aposentados e pensionistas que recebem o piso, que somam hoje 12 milhões, irão receber R$ 10,00 a mais, já a partir de segunda-feira.
Como o valor do mÃnimo ficou em R$ 136,00, o Governo decidiu
"facilitar" para o segurado e arredondou o valor do salário para R$ 140,00. Assim o reajuste passou para 7,69%.