08 de julho de 2026
Geral

Apoio ao MST

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Núcleo de Cidadania irá aos sem-terra no dia 1º

Núcleo de Cidadania irá aos sem-terra no dia 1º

Texto: Adriana Amorim

Universidades, sindicatos, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Polícia Militar, Ministério do Trabalho e outros segmentos da sociedade estarão reunidos no próximo dia 1º de maio para prestar atendimento aos sem-terra que estão acampados na rodovia João Ribeiro de Barros. A iniciativa denominada "blitz comunitária" foi tomada pelo Núcleo Permanente para Cidadania no Campo, um movimento local que desde março discute e busca praticar ações de cidadania no campo.

O movimento reúne diversos setores da sociedade, como CPT, Ministério do Trabalho, sindicatos patronais e de trabalhadores rurais, e organizações não-governamentais.

No dia 1º, todos eles estarão reunidos, juntamente com representantes de universidades, para prestar atendimento aos cerca de 300 sem-terra que ocupam o local.

A "blitz comunitária" que será realizada no Dia do Trabalhador integra o lado prático das atuações do Núcleo e é baseada no atendimento prestado por estudantes universitários em bairros carentes da cidade.

Como nos demais lugares que já foram atendidos, será prestado atendimento odontológico, jurídico, psicológico e fonoaudiólogo. Os casos mais graves serão encaminhados

à Universidade. "Nós estamos muito animados porque vai ser uma experiência diferente e teremos a oportunidade de ajudar efetivamente", argumenta o coordenador do projeto, o estudante da Universidade do Sagrado Coração (USC), Celso Eduardo Jorge.

Desta vez, não haverá apenas o trabalho desenvolvido pelos estudantes; cada segmento da sociedade vai dar a sua colaboração.

"Os sem-terra necessitam desse tipo de ajuda. Eles podem não pertencer ao Município, mas hoje fazem parte da cidade, um problema que está acontecendo aqui", explica o sub-delegado adjunto do Ministério do Trabalho, Sílvio Carlos de Lima Pereira.

O Ministério do Trabalho, por exemplo, levará voluntários do órgão para prestar esclarecimentos em relação

às questões trabalhistas e auxiliar nos trabalhos de uma forma geral.

"O que eu disse para os voluntários é que aprenderão muito, o que de fato vai acontecer com todos nós que vamos passar esse dia com o pessoal que está acampado", diz Pereira. Para o sub-delegado, a atividade vai proporcionar resultados importantes, como a desmistificação da visão muitas vezes esteriotipada criada pela sociedade em relação ao MST, e pode modificar também a relação dos acampados com a polícia. "Dessa vez nós vamos confrontar a realidade com a convivência".

O Núcleo Permanente pretende conseguir o apoio da Secretaria Municipal de Saúde para que os sem-terra consigam assistência médica depois do dia 1º em unidades básicas de saúde próximas ao acampamento.

O atendimento começa no período da tarde do próximo sábado. Os interessados em fazer doações de roupas e alimentos podem levar os materiais ao Ministério do Trabalho.

Palestras discutirão questões do campo

Um ciclo de palestras com a finalidade de abordar e questionar as questões ligadas ao campo também será organizado pelo Núcleo Permanente de Cidadania no Campo, que realizará o primeiro evento no próximo dia 7. Outros dois dias de debates compõem o ciclo de discussões.

As palestras do primeiro dia de debates serão proferidas pelo Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

"O plenário poderá questionar o trabalho realizado por essas instituições e elas poderão reavaliar a sua postura", explica o sub-delegado adjunto do Ministério do Trabalho, Silvio Carlos de Lima Pereira.

O segundo dia de debates acontecerá em junho e terá a presença da Comissão Pastoral da Terra, sindicatos patronais e representativos os trabalhadores rurais. "Nessa ocasião será discutida a relação capital-trabalho", diz Pereira. Representantes do Movimento dos Sem Terra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

(Incra), Banco do Brasil e secretarias municipal e estadual da Agricultura farão parte do terceiro e último dia do ciclo de palestras, quando serão discutidos temas como política agrária e reforma agrária.

As palestras serão realizadas no Ministério do Trabalho e estarão abertas a toda a comunidade. (AA)