08 de julho de 2026
Geral

Projeto Crescer

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Projeto do Centrinho garante tranquilidade dos funcionários em relação aos filhos

Projeto do Centrinho garante tranqÃilidade dos funcionários em relação aos filhos

Texto: Gustavo Cândido

Quem é obrigado a deixar os filhos em casa para trabalhar sabe como é preocupante, nos dias de hoje, que os jovens fiquem sozinhos neste mundo tão cheio de ameaças. A violência urbana e as drogas deixam muitos pais literalmente

"malucos" por não saberem como educar seus filhos longe desses males. Foi pensando em tranqÃilizar os funcionários nesta situação, que a assistente social Lucimara Silva Mangas Catarino, juntamente com a psicóloga Salete Aversano, ambas no núcleo de Recursos Humanos do Centrinho, criou o projeto Crescer. A idéia principal era trazer os jovens, filhos de funcionários, num horário antes ou após das sua aulas, para realizar cursos de línguas e informática, necessidades básicas para qualquer um hoje em dia. Iniciado no começo de abril, o projeto já é um sucesso e as vantagens acabaram sendo de todos: dos jovens, que passam o seu tempo livre aprendendo; dos pais, que estão mais tranqÃilos sabendo que os filhos estão gastando bem o tempo livre e do próprio Centrinho, que com a tranqÃilidade de seus funcionários consegue fornecer um serviço de melhor qualidade. A idealizadora do projeto e sua colaboradora, falaram ao Jornal da Cidade sobre o Crescer

Jornal da Cidade - Como foi desenvolvido o projeto Crescer?

Lucimara Silva Mangas Catarino - Através do atendimento individual que nós temos com os funcionários, nós pudemos perceber a preocupação deles com os filhos que ficam em casa quando eles vêm trabalhar. Esses filhos ficam sem atividade depois que saem da escola. Eles têm a preocupação de formar esses filhos da melhor maneira possível. Baseados nessa preocupação dos pais é que nós idealizamos o projeto que foi aprovado pela direção do Centrinho.

JC - Esse projeto já havia sido feito em algum lugar?

Lucimara - Não. O Centrinho já teve um projeto com filhos de funcionários mas em uma escala menor. Com esse porte é inédito.

JC - Quem mais participa do projeto?

Lucimara - O projeto só se tornou possível com parceira da Dataflash, que é uma escola de informática, da Skill, que é uma escola de Inglês e Espanhol e da Cabesf (Caixa Beneficente dos Servidores e Funcionários do H.R.A.C., o Centrinho/USP). Juntamos o hospital com a Funcraf

(Fundação para Estudos e Tratamento das Disformidades Crânio-faciais) para que o custo do projeto para cada funcionário fosse menor, já que eles contribuem. No total são 800 funcionários.

JC - Qual o objetivo do projeto?

Lucimara - O nosso objetivo era atender os filhos de todos os funcionários, mas isso foi impossível e nós estamos trabalhando com 44 jovens de 12 a 16 anos que estão matriculados na rede de ensino. Fizemos uma triagem para chegar nesse número.

Também temos o objetivo de proporcionar o desenvolvimento interpessoal do adolescente visando seu aprimoramento pessoal e profissional. Estamos visando essa parte profissional que vem através dos cursos.

JC - O que esses jovens fazem?

Lucimara - Eles fazem um curso de Inglês, de redação, de informática e também contam com uma orientação psicológica, que é fundamental para os adolescentes que têm muitos problemas de relacionamentos. Eles têm aula por três horas três vezes por semana num centro que nos chamamos de Núcleo de Informática e Línguas

(NIL), que fica na rua Alfredo Fontão 4-71.

JC - Existem mais jovens interessados em participar do projeto

(ou mais pais desejando que seus filhos participem)?

Lucimara - Sim, já temos pessoas aguardando mas agora ainda não temos condições de aumentar o número alunos. Alguns pais vêm nos contar que o projeto tem feito os filhos mais novos quererem participar também.

JC - No futuro mais adolescentes serão atendidos?

Lucimara - Sim. A idéia é que no futuro não só todos os funcionários possam trazer seus filhos mas que possam trazer seus filhos de todas as idades

JC - Quanto paga o funcionário para ter o filho no projeto?

Lucimara - R$ 15 no total, isso inclui os curso e mais a natação.

JC - Quando os pais ficam sabendo sobre os filhos?

Lucimara - Temos reunião mensal com os pais onde falamos sobre os seus filhos e seus problemas.

JC - Este projeto dá uma certa tranqÃilidade para os funcionários que têm filhos envolvidos com ele e com isso o funcionário trabalha mais e melhor, certo?

Salete Aversano - Sim, assim que surge um problema ele já está sendo tratado pela orientação psicológica, que tem por objetivo formar e informar o adolescente para o mundo atual, isso tranqÃiliza os pais. Os pais não tem muito tempo para conversar com os filhos, que ficam meio de lado e acabam conversando só com amigos. Estamos tentando manter um canal de equilíbrio para que essa formação e essa informação sejam melhores para o jovem e que ele possa vir a se comunicar mais com os pais. Enquanto isso não acontece fazemos essa "ponte" entre eles.

JC - O maior problema vivido pelo adolescente hoje em dia é o relacionamento com a família?

Salete - Sim, a família está cada vez mais dispersa então os jovens se sentem abandonados. Um alerta que nós estamos dando para os nossos funcionários

é para que eles fiquem mais com os filhos. Eles têm que pensar na qualidade e não na quantidade de tempo que fica com seu filho. É melhor ficar um pouco, mas bem, do que passar o dia inteiro de qualquer maneira com o filho. É preciso que eles troquem mais informação entre eles. O nosso trabalho com os jovens é preventivo, para que o serviço social não tenha um trabalho mais complicado mais tarde.

JC - O projeto começou a ser desenvolvido no dia 5 de abril. Já surtiu algum resultado?

Lucimara - Sim. Na última reunião que tivemos com os pais eles já colocaram a tranqÃilidade que estão sentindo em saber que os filhos estão passando o seu tempo em uma atividade segura e interessante. Eles não têm mais que viver preocupados, ligando para casa a toda hora para saber como estão os filhos.

Salete - Eles também têm conversado mais com os pais em casa o que já é um avanço.