PST vem a Bauru em busca de espaço
PST vem a Bauru em busca de espaço
Texto: Josefa Cunha
Para viabilizar candidaturas no ano 2000 o partido anuncia a formação de uma comissão provisória local. A pretensão é lançar várias candidaturas
Apesar da pouca representatividade em São Paulo, o Partido Social Trabalhista, o PST, começa a constituir base em Bauru com vistas nas eleições municipais do ano que vem. Em visita à cidade anteontem, o presidente nacional do partido, MarcÃlio Duarte, anunciou a formação de uma comissão provisória local, que já tem à frente Marco Aurélio Bratfich e Rubens Ferraz.
Duarte, reorganizador do PST a partir de 1989, visitou a Câmara Municipal e estabeleceu contatos com potenciais apoiadores. O vereador Harley Caçador, hoje no PPB, foi convidado a ingressar no partido, mas ainda não confirmou se deixa o forte grupo pepebista. Caçador, entretanto, acompanhou Duarte em algumas visitas e disse que a "linha do partido" o agradou. Dada a conveniência eleitoral da filiação,
é bem provável que o vereador confirme a filiação.
A pretensão da direção do PST é lançar várias candidaturas à Câmara e até
à Prefeitura se houver um nome de expressão com condições de disputar. O partido, contudo, não vê problemas em apoiar candidaturas majoritárias de outras legendas. MarcÃlio Duarte, aliás, surpreende ao afirmar que aceitaria coligar-se com qualquer partido, independentemente das divergências ideológicas e de posturas. "Estamos buscando votos. Como posso dizer, então, que não coligo com esse ou com aquele? Não seria adequado", reconheceu.
O PST vislumbra na comunidade ligada à Igreja Universal seu potencial apoio eleitoral. A campanha do partido deverá concentrar seus trabalhos nesse nicho e intenciona, inclusive, retirar dele um nome que possa constituir liderança para uma eventual candidatura a prefeito. Por enquanto, porém, o PST está investindo na conquista de filiados e na formação de bases na região.
Em nÃvel nacional, o Social Trabalhista concentra representatividade nos Estados da região Centro-Oeste, Norte e Nordeste. No ano passado, o partido elegeu um deputado federal, mas hoje possui uma bancada de oito, sendo que MarcÃlio Duarte, embora não seja deputado, conseguiu oficialmente a função de coordenador de liderança. Pelo Estado de São Paulo, o PST ainda não tem representantes.
Apesar de pouco conhecido, o PST existe há mais de 50 anos. Nos anos 40, ainda que considerado um partido sem "coloração", pregava idéias de esquerda e chegou a abrigar Miguel Arraes e Mário Covas, que, inclusive, foi eleito vereador pelo partido. O Social Trabalhista, no entanto, não decolou politicamente e praticamente inexistiu até 1989, quando MarcÃlio Duarte, advogado trabalhista, resolveu reorganizá-lo.
O retorno veio acompanhado da coligação com o PRN, que naquele ano conseguiu eleger o presidente Fernando Collor. Por conta do desempenho lamentável do governo de Collor, o PST voltou à decadência. Nos anos seguintes, chegou a abrigar o empresário SÃlvio Santos e até a eleger um senador, dois deputados federais e 22 estaduais.
Em 1994, o partido passou por uma crise judicial por conta da coligação com Paulo Maluf articulada por Ãlvaro Dias. MarcÃlio Duarte acionou a Justiça contra a aliança e ganhou a causa.