DPaschoal investe no lado social com Fundação
DPaschoal investe no lado social com Fundação
Texto: Luciano Augusto
Criada há 10 anos pela DPaschoal, a Fundação Educar nasceu para despertar a cidadania entre os jovens e alertar o empresariado para as questões sociais. Sem promover simplesmente
"assistencialismo", a fundação sustenta a participação do marketing social como parte essencial para a atividade empresarial daqui para frente.
A Fundação Educar atende atualmente 47 alunos, mas mais de 500 estudantes já sentaram nos bancos das salas da entidade, que é mantida com 5% do faturamento anual da rede DPaschoal. Mais do que números, estes meninos e meninas representam uma nova mentalidade empresarial que vem se firmando neste final de século: a necessidade de atuação no terceiro setor, organizações e atividades criadas como forma de "desenvolver" na sociedade, meio ambiente, planeta, uma mentalidade menos "destrutiva" e mais "humanitária".
De acordo com o diretor da Fundação Educar, LuÃs Norberto Paschoal, estes projetos deverão cada vez mais constar na agenda de preocupações dos empresários, em nÃvel mundial. Para ele, o marketing social, com o uso nos produtos de mensagens de proteção ambiental, educação, etc, precisa ser bem estruturado para não cair simplesmente no "asssistencialismo, que não resolve muita coisa". Como sua explicação, os projetos empresariais de terceiro setor sustentam-se nas bases: existência de uma filosofia na empresa de devolução de ações sociais para a comunidade, não vinculadas simplesmente a interesses empresariais; existência de um propósito firme do empresário em desenvolver estes projetos, visualizando os ganhos para a comunidade que o rodeia; por último, vem o usufruto das ações, que, se desenvolvido nestes moldes, propicia lucros, não só econÃmicos, como também sociais.
O uso e ganho do marketing social para o empresário, para Paschoal, é uma conseqÃência direta de como ele se estrutura dentro de cada empresa. "Assistencialismo por assistencialismo, não soluciona nenhum problema. A educação tem que estar na agenda estratégia das empresas".
Pensando assim, a Fundação viabilizou parcerias com as mais diversas instituições, como Fundação Ayrton Senna, Fundação Abrinq, empresas, redes de televisão, organismos internacionais, entre outros.
Desenvolver a cidadania é a principal incumbência dos oito profissionais que trabalham na entidade. "O que nós desenvolvemos não é um complemento escolar, porque achamos que educação é dever do Estado. Aqui nós mostramos a parte de cidadania para as crianças e como elas podem passar isso para a sociedade, atuando como protagonistas, como agentes multiplicadores", diz o diretor da fundação. Aliás, o programa desenvolvido chama-se Programa de Desenvolvimento do Protagonista (PDP).
Os projetos vão sempre de encontro a visualização de uma situação maior, não atacando somente as conseqÃências dos problemas. O Projeto do Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), por exemplo, ataca dois problemas de uma só vez. Em parceria com a central de distribuição de alimentos (CEASA), em Campinas, os "protagonistas" recolhem as sobras de alimento e redistribuem nas comunidades carentes. No contato com esta comunidade são levadas, pelas próprias crianças, noções de cidadania.
Os "protagonistas" são recrutados para a fundação depois de um exame do perfil sócio-econÃmico e teste básico de quociente intelectual (QI). É fundamental ser estudante de escola pública. Os ganhos atuais com o marketing em cima das ações comunitárias são grandes e o mercado cada vez mais exige este tipo de postura das empresas, afirma o empresário. Mas, para isso, a estratégia tem que se manter dentro dos limites da "ética empresarial".
Como finalizou Paschoal, o marketing social é "quase uma armadilha, um maquiavelismo", onde se combate o que nós mesmos criamos. A concentração de capital cria as desigualdades sociais, que não são combatidas pelo Estado, e o próprio possuidor do capital precisa voltar os olhos para os excluÃdos do sistema.