08 de julho de 2026
Geral

Pesquisa Seade

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 8 min

Qualidade de vida melhorou no Interior

Qualidade de vida melhorou no Interior

Texto: Marcos Zibordi

Dados preliminares da pesquisa Seade realizada em 98 mostram que aumentou a qualidade de vida na nossa região

A Pesquisa de Condições de Vida (PCV), realizada quadrienalmente pela Fundação Seade, revela que a qualidade de vida cresceu na nossa região nos últimos quatro anos. Os dados preliminares desta terceira edição já estão disponíveis e mostram que, pelo menos na maioria dos itens levantados, o nível sócio-econômico da nossa população aumentou em relação ao levantamento anterior, realizado em 94. Em termos gerais, o Interior do Estado de São Paulo teve um aumento de 24% na renda per capita.

A pesquisa sócio-econômica teve como base de amostra 73 municípios paulistas do interior, com população urbana superior a 50 mil habitantes, abrangendo 83% do Estado. Os dados possuem um caráter mais profundo do que as pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE). Segundo a Fundação Seade, seus dados são complementares aos do Instituto. Quando todos os números da PCV 98 estiverem disponíveis, poderão ser levantadas estatísticas até sobre as micro-regiões das Regiões do Estado. Essas informações estão em fase de processamento e análise estatística.

A pesquisa dividiu São Paulo em seis regiões, nos seus aspectos geográficos e econômicos, caracterizando as famílias, condições habitacionais, situação educacional, inserção no mercado de trabalho, renda e patrimônio familiar, acesso a serviços de saúde, portadores de deficiência e vítimas de crimes. Cada um desse itens comporta diversas sub-divisões, que aprofundam e complementam os dados da pesquisa.

Até que esses micro-detalhes sejam tabulados pela Fundação Seade, nossa região está identificada como Central, comportando as cidades de Avaré, Bauru, Botucatu, Itapetininga, Itapeva, Itu, Jaú, Salto, Sorocaba, Tatuí e Votorantim.

Aspectos demográficos

A Pesquisa identificou três tendências no perfil demográfico do Interior do Estado. A primeira diz respeito aos níveis de fecundidade. Segundo a Seade, eles estão se reduzindo. A população se concentra numa faixa etária entre 15 e 24 anos, o que a pesquisa identifica como "onda jovem". Verificou-se também o aumento da participação dos idosos na população. Entre os residentes no Interior de São Paulo, cerca de 20% oriundos de outros estados, com destaque para Minas Gerais. Entre esses "forasteiros", 20,6% moravam há menos de três anos no município pesquisado, "o que mostra a relativamente baixa capacidade de atração de imigrantes dos municípios do interior paulista na atualidade", avalia o Seade.

A Fundação ainda identifica, neste item da pesquisa, a estrutura da população por faixa etária e sexo, local de nascimento, tempo de residência dos imigrantes no município atual, local da residência anterior para os moradores há menos de dez anos no município atual (inclui faixa etária e sexo) e indivíduos que trabalham fora do município de residência.

Condições habitacionais

Entre 94 e 98, segundo a Seade, houve um aumento de 5% na proporção de famílias que moravam em casa própria no interior paulista. Paralelamente, diminuiu o número de moradores em casa cedida e, em menor medida, invadida. Houve um crescimento da contratação de mão-de-obra especializada para construção de casas reduzindo-se, por outro lado, a porcentagem de autoconstrução. Segundo a Seade, "tais resultados confirmam a hipótese de que a estabilização econômica, decorrente da implementação plano Real, possibilitou a uma parcela não desprezível de famílias obter a propriedade de sua moradia". Talvez na próxima pesquisa, daqui quatro anos, verifique-se que a obtenção de alguns bens foi diretamente proporcional ao nível de inadinplência dos compradores, já que no período pesquisado para esta terceira edição

(junho a novembro) o governo segurava as últimas pontas da rédea econômica, que perderia definitivamente a direção logo após a reeleição.

Na região Central, 68,9% das casas são de alvenaria, contra 3,6% de barracos isolados ou favela, que registrou aumento de 0,4% em relação ao levantamento anterior, em 94. As casas de alvenaria, apesar de representarem a maioria das construções da região Central, tiveram decréscimo de 1,45% comparado com os dados da pesquisa anterior. (ver gráfico)

No tópico sobre condições habitacionais, a Seade ainda avaliou tipo de edificação, número de cômodos, grau de salubridade da moradia, forma de apropriação da moradia, forma de obtenção de moradia própria e infra-estrutura urbana.

Situação Educacional

A Seade concluiu que houve "evidentes progressos educacionais no interior do Estado". O ensino fundamental melhorou, o que pode ser avaliado pela diminuição do atraso escolar e no aumento de indivíduos que concluíram este nível de escolaridade. No entanto, na região Central, o número de crianças que concluíram a etapa do ensino fundamental diminuiu 0,4%.

A proporção de indivíduos que ingressou no ensino médio e dos que o concluíram aumentou, para o Interior e para a região Central. A média para os anos de escolaridade subiu, ultrapassando sete anos, também para o Interior e região Central.

Em relação ao ensino Superior, prevalecem as escolas particulares, enquanto que o setor público continua líder na oferta de ensino fundamental.

De maneira geral, os progressos educacionais foram verificados em todas as regiões, com destaque para o Norte, Oeste e Vale do Paraíba.

A situação educacional foi apurada nos desdobramentos de condições de alfabetização, nível de instrução por faixa etária, condição de frequência à escola por nível de ensino e tipo de estabelecimento, ensino fundamental e ensino médio.

Inserção no Mercado de Trabalho

Apesar da certa estabilidade da taxa de participação no mercado de trabalho, entre 94 e 98, importantes mudanças ocorreram neste setor. Entre os homens, principalmente crianças e adolescentes, o número de inseridos no mercado diminuiu, ao passo que o número de mulheres em idade adulta aumentou.

O nível de desemprego no interior é menor que o da região metropolitana do Estado, além de seu crescimento ter sido proporcionalmente menor. A região Central acumulou um nível de desemprego da ordem de 13,8%, com aumento de 3,6% em relação a 94.

A estrutura ocupacional manteve-se relativamente estável, com destaque para as pequenas empresas na oferta de empregos. Aumentou a parcela dos que recebem auxílio-alimentação e reduziu-se a dos que dispõem de vale-transporte e convênio médico. Entre os requisitos de contratação de pessoal, as empresas exigem padrão de escolaridade, capacidade de trabalhar em equipe, domínio em operação de micro-computadores e máquinas automatizadas.

Sobre o mercado de trabalho, a pesquisa Seade apurou a taxa de participação global e por sexo, por faixa etária, desemprego por tipo, por sexo e por faixa etária, estrutura setorial do emprego, estrutura por posição acupacional, composição do emprego por tamanho de empresa, classes de rendimento, benefícios, formas de aprendizado e requisitos para exercício da ocupação.

Renda e Patrimônio Familiar

Na região Central, 29,3% dos trabalhadores ganham de cinco a dez salários mínimos, o maior índice entre as faixas salariais. Apenas 11,4% recebem mais de 20 salários mínimos.

No Interior do Estado, de forma geral verificou-se uma ampliação na renda familiar da ordem de 10% e de 24% na renda per capita. Segundo a Seade, "o aumento dos benefícios pagos pela previdência social e o crescimento da população aposentada foram os principais elementos explicativos para tal evolução".

Entre as famílias, de 94 a 98, expandiu-se de forma expressiva a posse de bens de consumo duráveis, sobretudo de televisão em cores, vídeo cassete, freezer e máquina de levar roupa, facilitadas pela ampliação das facilidades de crédito e pelo barateamento dos produtos eletro-eletrônicos.

A concentração de renda no Interior, a despeito do aumento da renda média, continua elevado: 5% das famílias mais ricas têm rendimento médio 30 vezes maior que os 5% mais pobres. Na pesquisa anterior, a renda que os mesmos ricos detinham era 35 vezes maior para a mesma proporção de pobres.

A pesquisa neste item se desdobra ainda em nível e desigualdade da renda familiar, classes de renda familiar total e per capita, fontes de rendimento, contribuição dos membros da família na composição da renda, posse de bens de consumo duráveis, patrimônio familiar, gastos com água, energia elétrica e gás de cozinha.

Acesso a Serviços de Saúde

A parcela de convênios particulares cresceu expressivamente no Interior. Em consequência, convênios de empresas, anteriormente majoritários, reduziram-se em 20%.

Os indivíduos que procuraram atendimento médico nos 30 dias que antecederam a pesquisa manteve-se em torno de 25%. No entanto, praticamente duplicou a proporção dos que deixaram de ser atendidos no mesmo dia da procura. Segundo a Seade, "mesmo tendo diminuído a capacidade do sistema de saúde de responder rapidamente à demanda da população, a grande maioria dos usuários dos serviços públicos avaliou positivamente a qualidade do atendimento e a sua capacidade de resolver o problema que motivou a procura".

Quanto aos serviços de saúde, a pesquisa Seade avaliou a posse e o tipo de convênio ou plano de saúde, procura de atendimento, tipo de serviço utilizado, tempo de espera para atendimento, internação, prescrição de medicamentos e solicitação de exames e satisfação dos usuários.

Vítimas de Crimes

Em quase 5% das famílias do Interior, pelo menos uma pessoa foi vítima de agressão física nos 12 meses que antecederam a pesquisa. Cerca de 15% das famílias tiveram pelo menos um de seus membros vitimados por roubo ou furto. Dentre elas (aproximadamente 520 mil pessoas) pouco mais da metade declarou ter recorrido à polícia. Segundo a Seade, "evidências preliminares indicam que haveria menor propensão das vítimas a recorrer à polícia exatamente nas áreas de maior incidência de crimes".

A pesquisa Seade ainda levantou o número de portadores de deficiência (motora, física e auditiva, além das pesquisadas pelo IBGE) no Interior. Em breve, os dados particularizados por setor e micro-região estarão disponíveis. Com isso será possível traçar um quadro ainda mais específico da nossa região, diferente da classificação básica do Seade.

Serviço

A site da Fundaçao Seade na Internet vale a pena para quem precisa de dados e informações estatísticas sobre os mais diversos temas no Estado. O endereço é http://www.seade.gov.br/