08 de julho de 2026
Geral

Mortes nos hospitais

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 5 min

Auxiliar de enfermagem assassino é caso isolado, acredita Coren

Auxiliar de enfermagem assassino é caso isolado, acredita Coren

Texto: Adriana Rota

Embora lamente os últimos acontecimentos que envolveram o auxiliar de Enfermagem Edson Isidoro Guimarães, do Hospital Salgado Filho (no Estado do Rio de Janeiro), réu confesso de cinco assassinatos e suspeito de mais de 100, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), que representa a categoria, acredita que a confiança da população nos profissionais da área não deve ser abalada.

Marli Rosana A. M. Munari, coordenadora fiscal da subseção do Coren de Marília, que comporta 139 cidades da região, afirmou que não existe intenção alguma por parte dos profissionais da área de darem justificativa a respeito do fato porque ele foi um ato isolado, que passa por questões de ordem social, biológica e de formação do caráter. Ela salienta, no entanto, que valeu como alerta:

"É preciso olhar e tentar perceber quando a pessoa está precisando de assistência. Além disso,

é uma oportunidade que a população tem de passar a ter consciência da importância desse trabalho ser realizado por pessoas qualificadas".

A coordenadora acredita que a presença de um enfermeiro responsável fiscalizando o trabalho do auxiliar incriminado poderia ter evitado ou amenizado os incidentes, embora não seja possível avaliar as razões que culminaram no desastre. Para Marli, o número de enfermeiros nos hospitais ainda é insuficiente, o que dificulta mais a prestação de um serviço de qualidade. Esse pode ter sido um dos fatores.

Na busca dessa qualidade é que os conselhos regionais efetuam fiscalizações constantes nos estabelecimentos que contam com serviço de Enfermagem, além de apurar denúncias que são investigadas e, os eventuais abusos, coibidos com penas que vão desde censura simples até a cassação do direito profissional, passando por prisão dependendo da gravidade do caso.

A coordenadora explicou, em companhia da presidenta da Comissão de Ética em Enfermagem do Centrinho, Maria Irene Bachega, da diretora técnica da área de Enfermaria da mesma instituição, Sandra Thomé e das fiscais do Coren, Sirlei K. Ferrini e Antonia P. R. Vargas, que existe uma diferença de formação considerável entre os diversos profissionais da área de Enfermagem, que está justamente na grade curricular e horária.

Assim, cabe ao auxiliar as tarefas de menor complexidade, supervisionadas por um enfermeiro. O técnico possui um pouco mais de autonomia, mas também está subordinado às orientações do enfermeiro, que é "o profissional qualificado possuidor de capacidade para supervisionar, avaliar, treinar, enfim, dirigir a equipe de Enfermagem". As entrevistadas fizeram questão de salientar que a Enfermagem é uma profissão regulamentada por lei, não uma atividade. Por isso precisa ser exercida por pessoas qualificadas técnica e legalmente, o que constitui um direito para a população, que pode e deve cobrar sempre que tiver dúvidas ou considerar que foi atendida de forma inadequada.

Comemoração

No País existe meio milhão de profissionais de enfermagem dentre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Só no Estado de São Paulo, eles somam 150 mil. De hoje ao dia 20, a categoria estará comemorando a 60.ª Semana Brasileira de Enfermagem, cuja pauta de discussões são a solidariedade e a ética na profissão.

"Como a Enfermagem mudou minha vida" é o tema de uma mesa-redonda que será promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), hoje, às 19h30, em comemoração ao Dia do Enfermeiro. Participam do evento a enfermeira-chefe do Hospital Beneficência Portuguesa, Sirlei Scaqueti, a gerente administrativa do Hospital de Base Silvana A. da Silva Faria, a monitora da equipe de área de Saúde do Senac Naira Maria Albino e as auxiliares de enfermagem Elaine Campos Rocha, da Secretaria Municipal de Saúde

(SMS), Sirlei do Carmo Bueno Noronha do Hospital de Base e Ana Carvalho Garcia, do Centrinho.

Amanhã, às 19h30, a mestre em Enfermagem pela Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Helena B. Cappo Bianco, ministrará a palestra "Movimentação da concepção ética e enfermagem" e, na sexta-feira, o enfermeiro da SMS, Paulo R. G. Abiuzzi, falará aos presentes sobre fitoterapia, a partir das 19h30.

A Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru também estará com uma série de eventos em comemoração à Semana de Enfermagem, com a apresentação de filmes, palestras, caminhadas com a participação de todos os funcionários e jogos de futebol. As palestras serão ministradas por médicos, enfermeiros e docentes da área de Saúde nos dias 14, 17, 18 e 19.

Na Universidade do Sagrado Coração (USC), as comemorações tiveram início no dia 10 e estão contando com mesas-redondas e palestras com profissionais de diversas entidades de Saúde de Bauru, região e da capital paulista.

Mais informações podem ser obtidas no Senac pelo telefone 227-0702, na Beneficência, através do número 227-3233 e na USC, pelo telefone 235-7000.

Serviço

As denúncias sobre má atuação de profissionais da área de Enfermagem devem ser feitas no Coren. Os telefones da subseção de Marília são 433-5902 e 423-1073.

A profissão

A Enfermagem foi reconhecida como especialidade no Brasil no início da década de 20. A regulamentação do exercício da profissão feita mais recentemente ocorreu há 13 anos, quando a categoria de atendente de enfermagem - função exercida por pessoas que possuíam somente a prática mas não conhecimentos técnicos - foi abolida, dando origem às três conhecidas atualmente.

Quem já atuava na profissão teve de se aperfeiçoar através de cursos oferecidos nos sindicatos para poderem continuar na ativa. Como faltava mão de obra qualificada, foram surgindo, também, escolas de Enfermagem para suprir as necessidades.

Formação

Auxiliar de Enfermagem: executa tarefas de baixa complexidade que não envolvam embasamento teórico e sob supervisão direta do enfermeiro. O curso dura cerca de uma ano.

Técnico em Enfermagem: em nível de 2.º grau, inclui disciplinas como Neonatologia, Administração e Psiquiatria. Sua função é auxiliar o enfermeiro, podendo atuar sem supervisão direta. O curso tem duração de três anos em média.

Enfermeiro: profissional formado em nível universitário, após quatro anos de estudos, apto a executar tarefas de alto grau de complexidade. É ao enfermeiro que cabe dirigir toda a equipe.

Por que 12 de maio?

O dia 12 de maio foi escolhido como o Dia Internacional do Enfermeiro em homenagem ao nascimento da enfermeira inglesa Florence Nightingale, considerada a fundadora da Enfermagem moderna, já que foi uma das primeiras profissionais de saúde a correlacionar condições de higiene à saúde, ainda no século XIX.