07 de julho de 2026
Geral

MST

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

MST invade fazenda em Brasília Paulista

MST invade fazenda em Brasília Paulista

Texto: Fábio Grellet

Mais de 40 famílias ocuparam a propriedade, na madrugada de ontem. Suposta improdutividade da fazenda teria sido anunciada por gerente, que a adnministrava

Piratininga - Entre 40 e 50 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram, na madrugada de ontem, uma fazenda próxima ao distrito de Brasília Paulista, pertencente a Piratininga. A fazenda, chamada Santo AntÃnio, tem 320 alqueires e pertence a Cleide de Barros Peres, que mora em São Paulo. Segundo informações obtidas pela Prefeitura junto à Casa da Agricultura de Piratiniga, existem na propriedade cerca de 400 cabeças de gado e 100 equinos. Foi registrado na Delegacia de Piratininga um boletim de ocorrência em que é relatada a invasão mas, conforme o investigador Benedito AntÃnio Pagamisse, a polícia só deve agir depois que for ajuizada, no Fórum de Piratininga, uma ação contra o esbulho possessório, caso seja emitida uma liminar ordenando a reintegração de posse.

Segundo Adaílton Manoel da Silva, 24 anos, representante da direção estadual do MST, outras 50 famílias, integrantes de movimentos de sem-teto em São Paulo, devem chegar ao acampamento até o próximo final de semana. As famílias que estão na fazenda são de Bauru, Duartina e Piratininga. Conforme Silva, essas pessoas foram arregimentadas para participar das invasões através do "trabalho de base" que o MST desenvolve - segundo ele, consistente em reuniões articuladas por pessoas ligadas ao movimento, em diversos bairros das cidades envolvidas. Durante esses eventos, são expostos os objetivos e a forma de atuação do movimento, e os presentes são convidados a integrá-lo.

O dirigente afirmou que não há intenção de transferir as pessoas atualmente acampadas às margens da rodovia Bauru-Jaú para o novo acampamento. Apenas ele próprio e alguns poucos coordenadores daquele acampamento se transferiram para a fazenda, para coordenar a nova ocupação. Segundo ele, hoje deve ser iniciada a preparação do solo, para formação de hortas. Também hoje deve chegar ao acampamento a última quantia de lonas, usadas para cobrir as moradias, sutentadas por bambús e outras madeiras.

A quantia de comida trazida pelos invasores, conforme Adaílton, permite sustentá-los por cerca de 10 dias. Depois disso, ele pretende obter comida através de campanhas de arrecadação e, também, mediante auxílio do Incra.

Invasão comemora decisão judicial

Segundo Adaílton Manoel da Silva, representante da direção estadual do MST, a invasão foi efetuada para "comemorar a decisão" do juiz Ubirajara Maintinguer - que, como titular da 6.ª Vara Cível de Bauru, suspendeu a contagem do prazo para que integrantes do MST, atualmente abrigados às margens da rodovia Bauru-Jaú, saiam do local. Esse prazo terminaria no próximo dia 16, conforme Adaílton, e teria sido prorrogado por mais 60 dias. Na verdade, o juiz determinou que novas intimações sejam entregues e, caso a única maneira de apresentá-las seja através de editais, todo esse procedimento pode demorar de 20 a 60 dias.

Gerente da fazenda teria atraído invasão

O representante do MST disse que, enquanto integrava o grupo que permanece às margens da rodovia Bauru-Jaú, ele foi informado sobre as condições da fazenda Santo AntÃnio por Rui Martins, suposto gerente da fazenda. Este seria responsável, portanto, por anunciar ao MST que a fazenda, com mais de 300 alqueires, seria improdutiva e estaria praticamente abandonada. Adaílton disse que, de posse dessas informações, foi confirmá-las e, certificando-se das condições da propriedade, decidiu, em conjunto com a direção do Movimento, realizar a invasão.

Segundo ele, as condições de abandono da fazenda são evidentes: há dois tratores inutilizados, além de dois caminhões e máquinas para auxiliar a colheita, tudo em péssimo estado de conservação. Há várias casas abandonadas, além de outras duas em utilização: numa delas, mora o caseiro da fazenda, AntÃnio Carlos Florêncio, 35 anos, com sua esposa e dois filhos, um de 10 e outro de 12 anos. A outra é utilizada pelo gerente da propriedade, que mora em São Paulo e vem regularmente à fazenda.

A fazenda, segundo o dirigente do MST e o caseiro, é utilizada unicamente para a criação de gado e equinos. Não há cultivos agrícolas, conforme eles.

Caseiro

O caseiro da fazenda, AntÃnio Carlos Florêncio, disse que há cerca de dois anos a proprietária da fazenda não vai até lá. O gerente, por sua vez, comparece com frequência.

Segundo ele, o gerente já havia procurado integrantes do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast), quando estes se fixaram no Horto Florestal de Piratininga, para informar que a fazenda Santo AntÃnio era improdutiva e estava praticamente abandonada. Diante da inércia dos integrantes do Mast, que não teriam se articulado para ocupar a propriedade, o próprio caseiro teria procurado pessoas ligadas ao MST, que estavam no acampamento às margens da Bauru-Jaú, para informá-los sobre as condições da fazenda.

Ele disse que não comunicou sobre a invasão nem ao gerente nem à proprietária da fazenda, mas tem a informação de que os filhos dela já estão a caminho de Brasília Paulista, provavelmente para tomar as medidas judiciais cabíveis.