11 de março de 2026
Geral

Febem

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Localização da Febem pode segregar menores da sociedade

Localização da unidade da Febem pode segregar menores da sociedade

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Na opinião do arquiteto e urbanista, ex-secretário do Planejamento de Bauru e professor da Unesp/Bauru, José Xaides Sampaio Alves, o local escolhido para instalar uma unidade da Febem na cidade - às margens da rodovia Bauru-Jaú

- vai segregar os menores da sociedade. Por outro lado, ele acredita que a implantação do equipamento vai levar desenvolvimento para aquela área da cidade.

O arquiteto acha que a seleção de uma área para abrigar um equipamento voltado à reintegração do menor infrator à sociedade tem que ser estudada por pessoas que estejam trabalhando com o assunto. "O isolamento social e físico pode dificultar a integração do adolescente", explicou.

Xaides acredita que a segregação causa a exclusão dos menores fazendo parecer, aos olhos da sociedade, que eles são bandidos. "Nesse sentido, eu acho que a localização se torna importante. Um local mais central possibilitaria o acesso da população e permitiria o contato da sociedade com os infratores. Eu lamento que as pessoas só tenham pensado na disponibilidade da área e não tenham pensado na integração desses menores", disse.

Ele frisa que um local mais central permitiria um contato maior com a comunidade. "Um ambiente que facilitasse essa integração. A formação mais compatível para que esse menor viva como verdadeiro cidadão, no futuro", ressaltou.

Equipamento aberto

O arquiteto defende que a unidade da Febem seja sem muralhas.

"Uma unidade aberta para facilitar o acesso, a fim de dar oportunidade à população de conhecer e até ajudar nesse projeto de formação do cidadão", acredita o arquiteto.

Xaides acha que a unidade deveria ser construída de maneira que o espaço interno pudesse ser visto. "Estando fora do perímetro urbano, a unidade não se relaciona com a cidade, com a rua, com as pessoas que passam. Fica totalmente isolada", analisou Xaides.

O isolamento, segundo ele, pode gerar o ímpeto da fuga.

"A pessoa que fica em local fechado tem a tendência de tentar se libertar, fugir. Nesse sentido, eu acho que o local também não é adequado, uma vez que fica ao lado de uma rodovia que dá acesso a outras vias", disse.

O arquiteto acha que os moradores das imediações não vão aceitar facilmente a idéia. "Qualquer equipamento que tenha uma ótica do passado ligado à idéia de perigo causa a repulsa daqueles que estão instalados ao redor", explicou.

Xaides lembra o exemplo do presídio Carandiru, em São Paulo. "O que fazer com o Carandiru? Foi sempre um equipamento que causou preocupação. É uma área do ponto de vista empresarial ruim por causa do estigma criado pelo presídio", explicou.

Desenvolvimento

Na opinião de Xaides, a instalação da unidade da Febem naquela área da cidade não desvaloriza as áreas ao redor. "Do ponto de vista econÃmico, não. Acho até que a implantação do equipamento vá levar desenvolvimento à aquela região", disse.

Segundo ele, a instalação de qualquer equipamento público é um instigador de desenvolvimento dentro de uma cidade. "O papel do equipamento público, especialmente o coletivo, é fundamental para levar desenvolvimento. Com certeza, aquela área terá mais asfalto, Ãnibus, esgoto, entre outras melhorias."