08 de julho de 2026
Geral

Recursos Humanos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Primeiro contato com o cliente é fundamental

Primeiro contato com o cliente é fundamental

Texto: Gustavo Cândido

Toda empresa quer atender bem seu público. Mas além de manter a clientela, a empresas precisam ainda conquistar novos clientes e o primeiro atendimento é uma parte fundamental nesse processo. Geralmente feito por uma recepcionista ou secretária, o primeiro contato do indivíduo com a empresa, seja pessoalmente ou por telefone é fundamental. Principalmente para que no futuro ele continue a solicitar os serviços de companhia e também sirva como propaganda, elogiando o atendimento quando alguém lhe perguntar sobre o estabelecimento.

"A área da recepção é a porta de entrada da empresa", diz a psicóloga organizacional Adriana Cláudia de Batista, "Quando você entra em um lugar tem o primeiro contato com a recepcionista, se não for bem tratado, com certeza vai sair falando mal do lugar, por isso exercer bem essa atividade é fundamental", explica. A psicóloga vai estar realizando um curso sobre o tema nos próximos dias 18 e 19 (veja o quadro de eventos).

Segundo Adriana Batista é importante que quem esteja exercendo o cargo de recepcionista saiba como desenvolver a sua cordialidade, saiba se comunicar bem com os clientes e como tratar os que dão mais trabalho e também seja uma pessoa organizada, dentro e fora do seu emprego.

"Ser emocionalmente equilibrada é básico para quem trabalha com o público", diz a psicóloga, que já ministrou o curso de recepcionista várias vezes com sucesso e que coloca o lado emocional da profissional como fundamental, já que nem sempre as pessoas atendidas vão ser educadas ou pacientes com quem atende. "Por isso que é preciso ter uma flexibilidade grande, saber qual o seu limite e qual o limite das pessoas. Não basta só sentar na recepção", afirma Adriana Batista.

Tarefas parecidas e ética

A excelência no atendimento não se restringe apenas ao trabalho pessoal, quando o cliente vai até a empresa, mas deve se estender também quando há um contato telefÃnico ou uma correspondência ou fax. "O trabalho da recepcionista hoje em dia têm se confundido um pouco com o da secretária, até porque com a atual situação financeira, algumas empresas andam fazendo cortes...", diz Adriana Batista. Ela explica que a recepcionista moderna com isso precisa ter uma noção de como responder uma carta ou um fax e como saber se portar ao telefone, não dando um tratamento frio ao cliente. A ética também

é importante. "Uma recepcionista não pode sair falando sobre os assuntos da empresa nem sobre seus companheiros de trabalho ou seus chefes. Tem que ser uma pessoa discreta e de confiança", ensina a psicóloga

Donas de casa disputam salário de R$ 350,00

Maria Elizabeth Vaz Guimarães, 50, e Ana Tereza Bessa Lima Hummel, 52, não se conhecem, mas têm algo em comum: deixaram de trabalhar há cerca de 20 anos para cuidar da casa e dos filhos e lamentam o fato de não contribuir para o orçamento doméstico. Rosa Lupianhes Santonieri, 50, aposentada há quatro anos, batalha por um emprego para ajudar a pagar os estudos dos filhos. Como donas de casa, chegaram a perder a esperança de achar uma ocupação, ainda mais agora que ter o segundo grau completo e experiência profissional são requisitos básicos para ocupar qualquer cargo, até de peão-de-obra. Um anúncio publicado em jornais e cartazes nas lojas do Pão de Açúcar em abril mudou o dia-a-dia dessas mulheres. O Pão de Açúcar quer recrutar pessoas exatamente com o perfil delas por acreditar que são capazes de ajudar o cliente a fazer o orçamento doméstico render. De 18 a 26 de abril, durante o período de inscrição, 199.112 donas-de-casa se candidataram para ocupar apenas 150 vagas nas 76 lojas da rede na Grande São Paulo e receber R$ 350 mensalmente (cerca de 2,6 salários mínimos). As senhoras, com idade média de 40 a 65 anos, estão em fase final de testes. No próximo dia 6 de junho, o Pão de Açúcar divulga a lista das vencedoras. As três senhoras estão ansiosas. Pudera: para conquistar a vaga, cada uma delas vai ter de eliminar cerca de 1.327 candidatas. Nenhum vestibular no país se aproxima dessa relação. Maria Elizabeth parou de trabalhar com o nascimento do filho, há 22 anos. Era secretária no Sesc (Serviço Social do Comércio). Separada, recebe pensão do marido. "Não dá para sobreviver com esse dinheiro. Maria Elizabeth ficou surpresa com a oportunidade. Se aprovada, ela vai trabalhar na loja do Pão de Açúcar da rua Teodoro Sampaio. "Tem jovem que não está conseguindo emprego. Ana Tereza parou de trabalhar há 25 anos, quando nasceu seu primeiro filho. Para ajudar no orçamento da casa, já foi professora de crochê e deu aula para produção de chocolate caseiro. "Com a crise, ninguém quer saber de chocolate. Nem na Páscoa conseguimos vender bem. Ana Tereza diz que está cansada de viver do dinheiro do marido, que é corretor de imóveis. Há cinco anos ela tenta achar uma ocupação fora de casa, onde tem muito para fazer, e já pleiteou até vaga para atendente de locadora de vídeo. "A oportunidade apareceu agora. Vamos ver se agarro. Ela sabe que a jornada de trabalho será dupla. Se for aprovada pelo Pão de Açúcar, vai acordar cedo e cuidar do serviço da casa pela manhã. O horário preferido para orientar os consumidores na loja, diz, é das 14h às 20h. "Será que vou passar? , pergunta.

"Fiquei impressionada com as concorrentes. Mulheres formadas em administração e economia estavam solicitando vaga para ganhar R$ 350. O que a leva a ter esperança para conquistar a vaga é o fato de ela entender de economia doméstica, apesar de ter o segundo grau incompleto. "Se a consumidora disser que um produto está caro, vou dizer a ela que procure similares mais baratos ou explicar a razão de aquela mercadoria custar mais. Segundo ela, um sabão em pó mais caro deve ser usado, por exemplo, para lavar roupas finas. "O chão aceita qualquer marca mais barata. Essa será a nossa função: ajudar o consumidor a economizar no orçamento do mês. Isso não

é difícil. O marido, Paulo, e os filhos, Renata e Rodrigo, diz, estão torcendo. Metade do salário irá para os gastos da casa. A outra metade, para gastos pessoais. A candidata Rosa Santonieri, aposentada há quatro anos, tem curso superior de ciências contábeis. Para sobreviver, participou de feiras de artesanato, onde vendia caixinhas para presentes. O marido, aposentado, trabalha como assistente de vendas. Os dois filhos só estudam. "Com os R$ 350, vou ajudar a pagar os estudos dos filhos, pouco mais de R$ 1.000 por mês , afirma Rosa. Assim como Ana Tereza, Rosa diz que quer a vaga, mas confessa que ficou desanimada quando viu o perfil das concorrentes. "A situação deste país

é chocante. Pessoas com excelente formação profissional estão desempregadas e tendo de se submeter a vários testes para poder ganhar R$ 350 por mês.

(F.F./AF)