Falências registram ligeiro recuo em abril
Falências registram ligeiro recuo no mês de abril
Texto: Luciano Augusto
Dezenove pedidos de falência foram registrados no mês de abril, segundo levantamento feito pelo diretor do Cartório de OfÃcio de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva. Em relação à fevereiro, quando foram feitos 23 pedidos, houve um ligeiro recuo. A diferença entre os meses de março e abril deste ano, ficou em -28,40%. No acumulado deste ano em relação
à 98, a diferença é de -24,14% (ver quadro). No ano passado, foram 72 ações.
Para o economista e consultor financeiro Fernando José Martha de Pinho, 43 anos, a queda reflete a realidade econÃmica atual. Com a melhora dos indicadores econÃmicos, como a queda nas taxas de juros, a retomada dos investimentos internacionais no Brasil e a visão positiva do PaÃs junto à comunidade financeira internacional, o mercado reagiu e o risco de falência, com isso, tende a diminuir.
Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o número também é menor. Em abril de 98 foram registrados 21 pedidos de falência. Já neste ano, a estatÃstica sobre as falências têm variado bastante. Em janeiro, 13 pedidos de falência foram feitos. Em fevereiro, o número caiu para seis. No mês de março subiu para 23 e, em abril caiu para 19.
De acordo com Pinho, o melhor desempenho das empresas nos dois primeiros meses do ano é compreensÃvel porque muitas empresas conseguiram faturar um pouco mais no final do ano, "o que acabou trazendo um fÃlego maior para as empresas" e prolonga o pedido de falência. "É apaga-fogo de curto prazo", complementa o economista.
Entretanto, Pinho alerta que os indicadores econÃmicos sozinhos não salvam nenhuma empresa da falência, "apenas diminuem a pressão sobre o caixa". A queda nas taxas de juros, por exemplo, é um ponto importante para os empresários e que reflete decisivamente na saúde financeira da empresa,
"mas há muitas empresas que não estão sufocadas por problemas de crédito bancário".
O mercado, mais agressivo, a forte concorrência de grandes grupos empresariais, tanto nacionais quanto internacionais, a crescente introdução de tecnologia nas linhas de produção, todos estes fatores influenciam no bom andamento financeiro de uma empresa.
A tendência, segundo o consultor de empresas, é de declÃnio em relação aos registros de falência.
"O difÃcil é dizer em que proporção ela irá declinar", frisa o consultor de empresas, porque a análise é numérica, e não diferencial, destacando a qualidade de cada empresa. A longo prazo, se não houver nenhuma outra desestabilização da economia que possa colocar em risco as finanças das empresas, a tendência não deve se agravar, mantendo estável os casos de falência.
Em relação aos pedidos de concordata, não foi registrado nenhum no mês de abril.