Tratamento sem dor é testado nas escolas
Tratamento sem dor é testado nas escolas
Texto: Adriana Amorim
A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) já aplicou o tratamento dentário que não utiliza anestesia e o temido motorzinho em cerca de 2.000 pessoas em Bauru. A técnica inovadora denominada Tratamento Restaurador Atraumático vem sendo aplicada em creches, escolas municipais de educação infantil (Emeis) e escolas públicas de primeiro grau dentro de um projeto que visa a melhoria da saúde bucal.
Através do Tratamento Restaurador Atraumático, o dentista remove o tecido cariado com um instrumento denominado cureta, que substitui o motorzinho. É utilizado também um material que gruda nas paredes do dente e libera flúor, evitando novas cáries. Em Bauru, a técnica é destinada principalmente a pessoas que enfrentam dificuldades para ter acesso ao tratamento tradicional.
A professora do Departamento de DentÃstica, Endodentia e Materiais Dentários da FOB, Maria Fidela de Lima Navarro, explica que a técnica é destinada prioritarizamente ao tratamento de crianças de 1º grau residentes em regiões carente de atendimento odontológico e que teriam na extração de dentes a única forma de evitar a dor causada pela cárie .
Em Bauru, o tratamento vem sendo aplicado também em adultos e em dentes dianteiros, embora as maiores experiências sejam as feitas em dentes posteriores. Todos os pacientes que receberam a técnica passam por avaliações periódicas.
"O resultado tem sido proveitoso à população e temos conseguido avanços significativos", garante a professora.
Durabilidade
Além de evitar a dor, o tratamento exige menos equipamentos e por isso é mais barato que os convencionais. A única dúvida dos profissionais é com relação
à durabilidade do material utilizado. Maria Fidela explica que o material não é tão resistente quanto o utilizado em técnicas tradicionais, mas tem apresentado durabilidade de até dois anos em adultos, um perÃodo considerado grande tendo em vista a força da mastigação nessa faixa etária.
A técnica, no entanto, deve demorar entre 4 e 5 anos para chegar nos consultórios e servir como alternativa para os pacientes. A professora explica que ainda faltam estudos que convençam os profissionais e a população a utilizar o método.
Uma questão que ainda necessita de aprofundamento é o fato de existir a possibilidade dos microorganismos que provocam a cárie são serem totalmente retirados sem o motorzinho.
"O fato de ainda não sabermos a respeito da durabilidade do material é ainda é uma desvantagem", diz Maria Fidela. Ela explica, no entanto, que alguns estudos têm mostrado sucesso em 50% dos casos. "Se a gente fosse imaginar que esse pessoal teria o dente extraÃdo, realmente é uma técnica boa e com bons resultados".
A professora explica que embora o nome da técnica expresse a idéia de que o tratamento é indolor, a professora explica que em alguns casos é necessária a aplicação de anestesia. "Seria totalmente atraumática se não envolvesse instrumento nenhum, mas na verdade a dor varia de paciente para paciente. Mas via de regra não temos que aplicar anestesia porque fazemos uma remoção mais superficial do tecido cariado".