Veterinário detecta leishmaniose em cão
Veterinário detecta leishmaniose em cão
Texto: Adriana Amorim
O veterinário Luciano Fazzani Bortotto, proprietário da clÃnica Prontodog, registrou os dois casos de leishimaniose na cidade e diz que há um terceiro sob suspeita.
Jornal da Cidade - Como foi que você detectou o primeiro caso da doença?
Luciano Fazzani Bortotto - Eu recebi uma chamada para atender em domicÃlio. O dono do animal se queixou que o cachorro tinha uma ferida que não cicatrizava. Observando o animal, que não tinha raça definida e 10 anos de idade, eu percebi que era necessário um exame especializado, mas suspeitei de leishimaniose. Coletei sangue do animal e enviei para um laboratório particular de Bauru. O resultado foi positivo e o animal foi sacrificado. Aà foi feita a notificação para Vigilância Sanitária.
JC - Por não ser uma doença muito comum, o veterinário pode encontrar dificuldades para detectar?
Bortotto - Para mim foi fácil porque foi a minha tese na universidade. Logo que o primeiro animal foi sacrificado, surgiu um outro animal - um Dog Alemão - com o mesmo problema, ambos no Jardim Higienópolis. Eu encaminhei rapidamente, mas os resultados foram mais demorados porque tive que enviar a amostra para exames no Instituto Adolfo Lutz.
JC - Os sintomas são bem especÃficos e não podem ser confundidos com outras doenças?
Bortotto - Dependendo da forma como se encontra no animal pode ser confundida, mas juntando toda a sintomatologia, o veterinário conduz a essa patologia.
JC - A evolução é rápida?
Bortotto - Depende do organismo de cada animal. Após as primeiras manifestações do sintoma, a evolução se torna rápida.
JC - Por que é necessário sacrificar o animal?
Bortotto - Porque é uma zoonose, uma doença em comum entre o homem e o animal.
JC - Qual é a função do animal no ciclo do mosquito transmissor?
Bortotto - Ele é o reservatório primordial, o que significa que o cão contém a doença, podendo desenvolver ou não. Isso depende da forma como ele foi acometido. Essa que foi diagosticada primeiramente é a mais severa, a leishimaniose visceral. Para ela, o Ministério da Saúde preconiza o sacrifÃcio dos animais positivos.
JC - A forma visceral é a que ataca as vÃsceras do animal.
Bortotto - Exato. Ela se manifesta com uma lesão de pele e posteriormente afeta baço, fÃgado, rim e medula, debilitando o animal e provocando uma úlcera que não cicatriza. Esse tipo de doença leva o animal
à morte e ele se torna fonte de infecção, uma vez que ele pode ser picado e o mosquito pode transmitir a doença a outros animais ou ao homem. O inseto atua à noite e o habitat natural são as matas, o que evidenciam um desiquilÃbrio no ecossistema.
JC - Por que o segundo animal que já teve o resultado positivo ainda não foi sacrificado?
Bortotto - Nós estamos aguardando os resultados de exames para verificar o tipo de doença. Se for apenas a cutânea, pode ser feito o tratamento da pele, não sendo necessária a morte. Se for da forma visceral ele também será sacrificado. Qualquer uma delas precisa de atenção. Faço um alerta para os colegas em relação a lesões, até mesmo porque os dois casos foram registrados no mesmo mês.
JC - Em que situação o dono de um cachorro deve ficar atento e levar para o veterinário?
Bortotto - Quando o animal apresentar dificuldade de cicatrização depois de usados todos os recursos.
Cão com leishmaniose é sacrificado em Bauru
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A Leishmaniose, uma doença transmitida pelo mosquito Lutzonya longipalpis, chega a Bauru. Um cão já foi sacrificado e outro caso depende de confirmação. A doença, conhecida como úlcera de Bauru, não tem cura em sua versão canina e pode matar humanos se não for diagnosticada e tratada adequadamente. Este é o primeiro caso autóctone registrado na cidade.
O caso confirmado foi diagnosticado por um veterinário no bairro Higienópolis e confirmado através de dois exames, segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva do MunicÃpio, Maria Helena de Abreu. "A confirmação do Adolfo Lutz, considerada oficial, saiu ontem e na próxima sexta-feira vamos nos reunir com a Vigilância Epidemiológica do Estado e com a Sucen para definir as estratégias de combate e controle do mosquito."
O segundo caso, de acordo com Maria Helena Abreu, ainda apresenta dúvidas. "O cão é quase vizinho daquele que foi sacrificado. O resultado do exame de sangue deu no limite, ou seja, acima de um para 40. Como houve dúvida, retiramos um pedaço da lesão e pedimos uma biópsia. O resultado deve ser divulgado nos próximos dias."
Por ser autóctone, segundo a diretora, o caso preocupa muito. "O cão é o reservatório do protozoário na área urbana. Outros animais, como o gambá e raposa, são reservatórios do protozoário nas áreas de mata." De acordo com ela, o mosquito saudável pode picar o cão doente, aquele que tem o protozoário na corrente sanguÃnea, mas que ainda não teve a manifestação dos sintomas. Contamina-se e passa a transmitir, inclusive ao homem.
O veterinário-chefe da seção do Controle de Zoones, José Rodrigues Gonçalves Neto, lembra que o mosquito pode transmitir de um cão doente para um cão saudável ou do cão para o homem e vice-versa. No caso de Bauru, ainda não se sabe como o cão se contaminou com a doença. "O que nos preocupa é que o cão não saiu da cidade e teve a doença."
O exame de biópsia pedido pela vigilância no segundo caso vai definir que espécie de leishmania está atacando os cães em Bauru. "Se é a cutânea ou a visceral. Em Araçatuba já foi detectado os dois tipos em cães."
Boa notÃcia
A diretora aposta na nebulização, realizada recente no bairro. "Temos a nebulização a nosso lado. O bairro foi nebulizado e o veneno mata o mosquito que transmite a dengue e também o que transmite a leishmaniose." Em função disso, Maria Helena Abreu acredita que a pesquisa para constatar a presença do mosquito será difÃcil.
Hábitos do mosquito
Os hábitos do mosquito Lutzomya longipalpis são muito semelhantes aos do Aedes aegypt, embora ambos sejam diferentes na parte fÃsica. "Ele é menor que o Aedes."
Ele gosta de locais úmidos que tenham matéria orgânica, de qualquer espécie, inclusive lixo, folhas de mata, fezes de animais e humanos. "Ele se multiplica onde tem matéria orgânica, onde tenha criação de gato, cachorro e galinha, muita vegetação e lixo acumulado", alerta a diretora.
O vÃo do mosquito é de cerca de 200 metros e sua alimentação é sangue de animais e humanos. Costuma picar ao entardecer e, como no caso do Aedes, é a fêmea quem transmite o protozoário."
Reunião
A partir do resultado do exame oficial de confirmação, a vigilância epidemiólógica de Bauru acionou a Sucen e a vigilância do Estado para definirem as estratégias de ação no controle e combate a transmissão da doença. "Vamos nos reunir na sexta-feira e definir quais as estratégias que vamos adotar."
Maria Helena lembra que deverá ser feita uma pesquisa em nove quadras ao redor da casa onde morava o cão sacrificado e do suspeito. "Vamos pesquisar os cães e os humanos, através de um questionário. Vamos tentar saber onde este cão foi contaminado".
A diretora pede a população que procure os serviços de saúde se estiverem com os sintomas. "No caso dos cães é possÃvel se informar através do telefone 235-1215 no Centro de Zoonoses".
Última estatÃstica
O último levantamento feito pela vigilância epidemiológica do municÃpio sobre a Leishmaniose foi feito em 96, quando foi notificado um único caso, importado. De lá para cá, nenhum outro caso havia sido registrado.
Outros nomes do mosquito:
O mosquito lutzomya longipalpis é conhecido popularmente por mosquito palha e birigui.
Sintomas no cão:
O animal contaminado fica apático e emagrece. Tem dificuldades em pisar no chão porque suas unhas crescem exageradamente, tem dificuldades para se locomover nos membros posteriores e apresenta lesões, úlceras que não cicatrizam, nas extremidades do corpo, patas, rabo, etc.
No cão, a doença não tem cura.
Sintomas no humano:
Forma cutânea: úlceras semelhantes as do cão, que crescem rapidamente e de evolução crÃnica. Esta forma sozinha não é dolorosa, ataca especialmente nos membros. As úlceras podem atacar as mucosas da boca e no nariz chega a corroer o osso.
Forma visceral: a mais grave e pode levar a morte, caso não seja diagnosticada e tratada adequadamente. Tem cura e o tratamento demora cerca de seis meses. Tem evolução crÃnica e provoca aparecimento de gânglios pelo corpo, emagrecimento, anemia, debilidade fÃsica progressiva, além do aumento do fÃgado e baço.