Beneficência estuda parceria em plano com Unimed
Beneficência estuda parceria em plano com Unimed
Texto: Luciano Augusto
A presidência da Sociedade de Beneficência Portuguesa adiantou, ontem, que existe a possibilidade do hospital firmar uma parceria com a empresa de saúde Unimed para criação de um plano de saúde em conjunto, mais acessÃvel para a população.
"A Beneficência Portuguesa sempre foi parceira da Unimed e, agora, estamos estudando a criação de um novo plano de saúde", afirmou o presidente da Sociedade, Lineu Pereira, 58 anos. Este novo plano, segundo Pereira mais barato, seria direcionado ao público que já possuÃa algum tipo de convênio com a Unimed ou outra empresa de saúde e que teria se desligado do plano motivado, principalmente, por questões econÃmicas.
Como Pereira apontou, nem todo mundo tem dinheiro para "cacifar" um plano de saúde caro. Então, o novo plano seria uma alternativa para o usuário, de tal maneira que ele pudesse voltar a ter acesso ao tratamento de saúde. Com a falta de acesso a um atendimento de saúde particular, diz Pereira, "o paciente foge para o Sistema Único de Saúde (SUS) e acaba atrapalhando quem não tem condições nenhuma de atendimento".
Além do interesse da Unimed em ser parceira da Beneficência Portuguesa, um outro grupo de São Paulo teria se mostrado interessado em viabilizar a parceria neste mesmo plano. Além disso, como informou o vice-presidente da Beneficência Portuguesa, Geraldo Ferreira, este mesmo grupo da capital fez a proposta de compra do hospital. "Houve uma organização de São Paulo que veio querer fazer esta transação com a gente, mas nós rechassamos". Ainda de acordo com Ferreira, a Unimed também estaria interessada no repasse de controle do hospital.
Questionado se a Beneficência Portuguesa passa por alguma dificuldade financeira, o presidente da entidade foi categórico em afirmar que a situação financeira do hospital está estabilizada. Ele informou que estão sendo inauguradas alas novas e o hospital tem ampliado os serviços de atendimento.
De acordo com Lineu Pereira, 90% do trabalho da Beneficência Portuguesa é vendido para a Unimed, que tem pago em dia todas as contas faturadas. Depois, vêm os convênios com o Banco do Brasil e o Banespa. E, por último, estão os convênios pequenos, com faturamentos entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês. A inadimplência, que é pequena segundo Pereira, está mais relacionada com os atendimentos particulares.
O hospital também não têm qualquer tipo de problema relacionado à pequena ocupação dos leitos. Dos 120 leitos existentes, perto de 85% são ocupados diariamente. Também não existem leitos desativados, de acordo com Pereira.
Unimed
A Unimed confirmou o interesse da empresa na criação do novo plano de saúde. O presidente da Unimed de Bauru, Oswaldo Rodrigues Azenha Jr., 45 anos, disse que está sendo iniciada uma negociação com a Sociedade de Beneficência Portuguesa e que a intenção é melhorar a parceria que já existe entre as empresas.
Azenha Jr. ressaltou, entretanto, que não gostaria de destacar um ponto, como a criação do plano de saúde, porque o que se pretende é "sempre melhorar a qualidade dos serviços e diminuir os custos".
Ele também destacou a importância de se oferecer uma alternativa de atendimento ao SUS. Segundo Azenha Jr., o paciente que precisa do SUS hoje, "está desassistido".
De acordo com o presidente da Unimed, existe também uma conversa de parceria de um plano similar com o Hospital de Base, inclusive com a criação de um ambulatório para que o doente pudesse passar pelo atendimento médico, no próprio hospital.
Como afirmou Azenha Jr., a Unimed não teria condições de comprar o hospital da Beneficência Portuguesa porque seus investimentos estão direcionados para o término do seu próprio hospital, que já consumiu cerca de R$ 15 milhões, e tem previsão de inauguração para o segundo semestre.