07 de julho de 2026
Geral

Rádio

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 5 min

Rádio busca reconhecimento do meio publicitário

Rádio busca reconhecimento do meio publicitário

Texto: Adriana Rota

O rádio está sendo redescoberto pelo próprio rádio. A prosperidade e o status alcançados nos anos 40 e 50 inspiram as discussões no meio. Pesquisas de mídia feitas por institutos de credibilidade como a Marplan e o Ibope mais o "boom" vivido pelo veículo nos Estados Unidos atualmente são a inspiração para uma vigorosa campanha de revitalização do meio, encabeçada pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo (Aesp). A idéia é mostrar para o mercado que, mesmo com todo o avanço alcançado pelos demais meios de comunicação, o rádio continua sendo opção indispensável de investimento no campo da publicidade.

Uma das principais estratégias de ação utilizadas pela Aesp tem sido a realização de discussões em várias cidades do Estado, onde dirigentes e profissionais ligados ao rádio estão tendo a possibilidade de participar de seminários, tomando contato com as novidades em termos de mercado e empresariais e passando por uma reciclagem informativa sobre o potencial do rádio. Bauru pÃde contar, na última sexta-feira, com uma dessas visitas, realizada no Sindicato do Comércio Varejista.

Compareceu e foi o ponto alto do encontro um dos mais renomados publicitários do País e especialista em mídia, AntÃnio Rosa Neto.

Ele expÃs, de forma enfática, aos representantes de várias emissoras de Bauru e região a necessidade de as próprias rádios iniciarem um processo de autosugestão, buscando uma preocupação mais efetiva com a qualidade daquilo que produzem, vendendo seu produto e explorando o potencial do meio, mostrando aos clientes as inúmeras vantagens de investimento no veículo.

O embasamento para essa estratégia de marketing vem de uma pesquisa recente da Marplan Associados, que demonstra ser o rádio detentor de 91% das atenções da população. Em comparação ao poder de penetração da televisão - 97% - o rádio está infinitamente atrás na participação do bolo publicitário: a TV conta com 54% de toda a verba de propaganda do Brasil, enquanto o rádio, apenas 4%. Um contraste e uma contradição marcantes.

Ou seja, o rádio, naturalmente, tem um poder de fogo tal qual a TV, mas precisa ser enriquecido com produtos de boa qualidade a fim de atrair anunciantes e patrocinadores que preencham essa lacuna, coisa que a televisão, por mais que se segmente, não consegue fazer, segundo Rosa Neto. "O rádio

é imaginação. Por isso, temos de estimular as pessoas para fazer bem feito, criando referências de bons produtos", orientou Rosa.

Nesse contexto, a existência de uma equipe de marketing comercial bem qualificada e eficiente para o trabalho de venda

é imprescindível. "Como costuma dizer o Orlando Zovico (presidente da Aesp), "a área de vendas é o coração do rádio". Na equipe, não se pode ter um vendedor a mais e, sim, um estrategista", avaliou o publicitário. Orlando Zovico, presidente da Aesp, esteve no seminário de Bauru, ao lado de outros diretores da entidade.

Toninho Rosa, como é mais conhecido no meio, citou, em um audiovisual eletrÃnico muito bem elaborado e altamente convincente, números comparativos da mídia em geral, sempre baseado em pesquisas sérias, para mostrar todo o potencial do rádio (leia no boxe).

Radio Control

Uma novidade, já lançada, e trazida na bagagem pela Aesp, foi um software desenvolvido pela empresa Rádio 2, que permite o registro, via Internet, de todas as inserções de comerciais durante a programação das emissoras, o que vai contribuir substancialmente para seu controle e, consequentemente, para dar um crédito ainda maior ao rádio. O aparelho

é acoplado ao computador ligado à internet, que emite um certificado de controle para a empresa anunciante acompanhar e comprovar a correta inserção desses comerciais.

De acordo com Orlando Zovico, "esse mecanismo é um poderoso aliado para o rádio porque hoje, por mais que os empresários sejam honestos, não há como comprovar as inserções. O Radio Control é uma garantia para o anunciante e faz aumentar a credibilidade da empresa", opinou, classificando a novidade como "o selo de garantia" do veículo. Em Bauru, as rádios 96 FM e 94 FM já se associaram ao Rádio Control.

Aesp tem quase 64 anos

A Aesp foi criada em 25 de setembro de 1935 com o objetivo de congregar as emissoras de rádio e televisão do Estado de São Paulo. Ela tem como finalidade defender os interesses da radiodifusão de maneira em geral e, em particular, os das suas afiliadas.

Promove, também, o intercâmbio com entidades representativas dos demais segmentos da sociedade, incentivando novos mercados e otimizando a eficiência e a credibilidade da radiodifusão, isso tudo sem perder de vista a liberdade de informação e de expressão.

Para isso são realizadas palestras, conferências, congressos, cursos técnicos e de administração, bem como outras medidas que objetivam o aperfeiçoamento da radiodifusão e de seus profissionais.

A manutenção e desenvolvimento de intercâmbios, entendimentos e acordos com as demais associações de emissoras do território nacional, o poder público e entidades culturais, científicas, artísticas e jornalísticas e a promoção e organização de assessorias de apoio ao radiodifusor são outras frentes de atuação da Aesp.

De um total de 528 emissoras no Estado, cerca de 490 são afiliadas da Aesp. As demais interessadas podem entrar em contato com a entidade no seguinte endereço: rua dos Pinheiros, 498, 9.º andar - cj. 92. Telefone (011) 881-7989.

Fonte: home page da Aesp (http://www.aesp.com.br)

Rádio em números

O Brasil é o segundo maior País do mundo em volume de mídia, com suas cinco redes de TV (345 exibidoras), sessenta canais de TV por assinatura, 3.000 emissoras de rádio, 2.477 jornais (394 diários), 2.482 revisats e 32.857 outdoors. Atualmente, o montante de anúncio em mídia representa 1% do PIB brasileiro. Nos Estados Unidos, onde as rádios vivem um momento invejável, o percentual é de 2,5%.

Uma pesquisa recente sobre a satisfação da população com os meios de comunicação revela que 73% estão satisfeitos com o rádio. Outra pesquisa, esta do Ibope, mostra que a audiência do rádio cresceu 44% nos últimos cinco anos, o que mostra o potencial de mercado do veículo. Os motivos para isso são o aprimoramento do produto, a prestação de serviço de forma mais intensa, promoções e melhorias técnicas.

As pesquisas exibidas por Toninho Rosa demonstram ainda que o rádio fica cada vez mais próximo do ouvinte, potencializando, inclusive, outros veículos como o jornal e a TV, uma vez que, constatou-se: é o veículo que atuou pela última vez junto ao consumidor antes deste chegar ao ponto de venda.

Outro detalhe interessante apurado sobre o rádio: 37% ouvem em casa, 42% no carro e 21% no trabalho.