08 de julho de 2026
Geral

Educação sexual

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 7 min

Como agir com os filhos quando o assunto é sexo?

Como agir com os filhos quando o assunto é sexo?

Texto: Gustavo Cândido

Em tempos de TV por assinatura com canais eróticos, videolocadoras com prateleiras e mais prateleiras de filmes pornográficos, Playboy, Tiazinha, Carla Perez, as informações e estimulação sobre sexo atingem diretamente e cada vez mais crianças em menor idade. Não é nada difícil encontramos pais ouvindo questionamentos até então inimagináveis sobre o assunto. Levando-se em conta os altos índices de gravidez na adolescência, a incidência da aids entre os jovens, e também com a banalização do sexo, o diálogo entre pais e filhos é a melhor alternativa para o desenvolvimento sadio das crianças e uma atitude imprescindível neste momento.

A realidade atual coloca por um lado o bombardeio da mídia sexual sobre as crianças (músicas, danças, filmes, TV's por assinatura, publicidade, modelos de feminilidade com a sexualidade exacerbada...) que acabam por as induzirem a uma sexualidade adulta precoce e por outro lado a preocupação bastante pertinente dos pais em formarem seus filhos da melhor maneira possível. A questão se encontra no momento da orientação: os pais deparam-se com o real despreparo para lidarem com a questão da sexualidade. A psicoterapia levanta algumas questões imprescindíveis com relação a formação e informação sexual adequada a ser oferecida a pais que estarão orientando seus filhos sobre sexualidade.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Beatriz Faulin, após a revolução sexual nos anos 70 houve uma transformação no comportamento das pessoas, alguns pontos devem ser repensados, pois necessitam serem preservados, dentre eles, o comportamento sexual infantil, que existe desde o nascimento, portanto é natural, mas que atualmente está sendo substituído de maneira impositiva e ditadora pelo comportamento sexual adulto através da influência da mídia. O exemplo mais evidente são as crianças estimuladas a se vestirem e se comportarem (dançar) como adultos. Isso por influência de estrelas da TV como Xuxa, Carla Perez, Tiazinha, entre outras.

A psicóloga, que oferece um curso de orientação para pais onde resolve a questão da educação sobre sexo com os filhos, afirma que isto poderá acarretar consequências futuras, onde pais poderão se surpreender com comportamentos sexuais precoces em seus filhos, como podemos comprovar em pesquisas onde revelam dados alarmantes: gravidez aos 10 anos, aumento de casos de aids entre jovens, além da atual banalização do sexo - a desvinculação entre corpo e emoções. Podemos observar questionamentos sobre sexo e sexualidade vindo de crianças de idade cada vez menor, é comum questões do tipo, em crianças de até 5 anos: "O que é camisinha?", "Por que minha 'xoxota' pinica quando eu vejo um beijo na novela?",

"O que é "punheta"?, "O que é Playboy?", entre dezenas de outras.

São questões compreensíveis se levando em conta o fato da constante estimulação erótica ao qual as crianças estão expostas. É só observar, os programas infantis, que possuem grande conteúdo erótico; as músicas e danças sensuais; os anúncios, as propagandas. Os meios de comunicação apelam constantemente ao erotismo. Além do que crianças pequenas encontram à sua disposição as TV's por assinatura, as videolocadoras e as revistas que acrescentam ao universo fantasioso da criança mais um elemento - o sexo - nos padrões adultos.

Sexo que é abordado pela mídia de forma machista, coisificada, o sexo é confundido com mercadoria. Um exemplo claro foi o quadro do programa Domingão do Faustão que exibia três atores comendo comida japonesa em cima de uma mulher nua, deturpando totalmente o papel da mulher. Este programa teve muita audiência na época, pois sabe-se que qualquer programa ou um anúncio que vincule sexualidade venderá mais, desvirtuando assim totalmente o sexo de seu real sentido.

Sinal dos tempos

A psicoterapeuta Beatriz Faulin analisa: "Antigamente as famílias eram patriarcais ou matriarcais, isto é, quem decidia e determinava o ritmo da casa eram os pais. Atualmente pode-se falar na família filial, pois a vida familiar gira em torno dos filhos. Além dos pais trabalharem muito mais atualmente para manterem o padrão de vida, existe uma preocupação exacerbada por parte dos pais, em não desapontar ou 'frustrar' os filhos, isto vem sendo prejudicial às crianças, pois a família acaba gerando filhos sem limites, sem responsabilidades, e senso comunitário. Esta ausência de limites compromete negativamente a criança que cresce com a ilusão de 'poder' tudo. Qualquer tipo de educação deve partir do princípio de liberdade e responsabilidade, isto significa - limites".

Levando em conta estas considerações a psicoterapeuta Beatriz Faulin afirma: "Os pais atualmente encontram-se perdidos, pois sabem por um lado que o tipo de educação sexual que tiveram não foi adequado e sim demagógico e insuficiente; mas por outro lado não possuem orientação adequada à suas convicções em relação

à sexualidade, sentem-se despreparados para responderem

às questões tão realistas que insistentemente os filhos trazem."

A psicoterapeuta conclui: "Num impasse, os pais tentam não reproduzir a educação inadequada que tiveram e sem formação adequada e suficiente, acabam por se desesperarem".

Fazendo a coisa certa

Quando for perguntado sobre algum tema que envolva sexo, Beatriz Faulin orienta:

1 - O importante é manter-se calmo.

2 - Lembre-se sempre que sexualidade é natural do ser humano, e não um bicho de 7 cabeças.

3 - Seja sempre sincero, falando sempre a verdade de forma que a criança compreenda.

4 - Não se preocupe em ser minucioso, mas responda sempre

às questões colocadas.

5 - Procure fornecer informações corretas e colocar sempre sua opinião pessoal sobre a questão, assim você estará formando seu filho.

6 - O mais importante, nunca fuja quando for questionado, nunca fale: "Pergunte à sua mãe (ou ao seu pai)", entenda, o questionamento é uma ótima oportunidade de dialogar e educar.

7 - Mantenha a porta do diálogo sempre aberta.

8 - Procure orientação psicoterapêutica se achar necessário.

Lembre-se, a criança irá buscar mais informações junto a outras pessoas como: colegas, irmãos, professores, meios de comunicação, e com base em todas as informações obtidas irá elaborar seu próprio conceito sobre sexualidade, sexo, erotismo, masturbação, namoro, amor...

É importantíssimo para os pais saberem conduzir bem o diálogo sobre sexualidade o mais cedo possível, somente assim existirá liberdade e cumplicidade entre pais e filhos para tornar possível uma orientação para prevenção à gravidez na adolescência, aids, DST e promiscuidade sexual.

É com a questão: Qual o momento certo de falar sobre sexo com meu filho?

Erroneamente alguns pais imaginam que é necessário haver um questionamento por parte dos filhos para iniciar o assunto, isto ocorre pois os pais temem estarem estimulando seus filhos ao sexo. Pelo contrário, você pode ser o facilitador deste diálogo, e este ocorrendo o quanto antes, mais benefícios resultará aos filhos, procure deixar em casa para seu filho ler algum livro do tipo ilustrado sobre o assunto, e prepare-se para dar início a um proveitoso diálogo.

A psicoterapeuta aponta que um bom início é estar aberto e calmo para discutir com os filhos a questão da sexualidade, rediscutir o assunto sempre que preciso ou em outras oportunidades, pois a criança irá mudando seu conceito a respeito de sexualidade ao longo de seu desenvolvimento. Se necessário busque ajuda especializada, ou seja, aconselhamento psicológico, este profissional está pronto para lhe ajudar a encontrar soluções e apontar-lhe o melhor caminho, e assim educar da melhor maneira possível seus filhos. Assim você alcançará o resultado que espera e o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade auxiliando seus filhos a tornarem-se pessoas felizes e responsáveis.

"Um dia meu filho mais velho viu uma cena de sexo na novela das oito. Embora não fosse explícita ele ficou curioso e na hora perguntou o que as duas pessoas estavam fazendo. Fiquei sem saber o que fazer..."

Sandra (nome fictício), 32 anos, mãe de dois filhos, um de 7 anos e um de 5.

"Minha filha vive querendo beijar os coleguinhas na boca. Perguntei onde ela tinha aprendido aquilo e ela disse: 'na televisão'"

Marilda (nome fictício), 27 anos, mãe da uma menina de 6.