"Efeito Argentina" não deve ser tão forte, dizem economistas
"Efeito Argentina" não deve ser tão forte, dizem economistas
Texto: Márcia Buzalaf
O "efeito argentina" não deve ter o mesmo impacto que a crise da Rússia e a crise asiática tiveram na economia brasileira. Esta é a opinião dos economistas e professores universitários, Herman Vos e Wagner Aparecido Ismanhoto.
O boato de que o peso, moeda argentina, pode ser desvalorizado fez com que o mercado financeiro do Brasil tivesse a reação negativa assistida na última segunda-feira. O dólar fechou a R$ 1,726 e a bolsa de valores de São Paulo (Bovespa) apresentou uma queda de 4,88%, a maior desde 21 de janeiro, auge da desvalorização do real.
O peso vem se mantendo com o mesmo valor do dólar na economia argentina há muitos anos, o que aumentou o poder de compra dos argentinos no Brasil. Com a liberação do câmbio em 15 de janeiro, os argentinos aumentaram ainda mais a participação na economia nacional, segundo Ismanhoto. "O poder de compra dos portenhos ficou grande no Brasil", diz.
A desvalorização do real fez com que a Argentina passasse do constante superávit comercial com o Brasil para um déficit. "Uma maneira de mudar isso é desvalorizar", explica.
A ansiedade gerada pelo boato fez com que alguns investidores achassem que pode, de fato, ter algum efeito na economia do Brasil também. "A reação é em cascata, meio irracional", explica Vos.
Vos tem uma visão otimista do efeito pessimista do boato. Para ele, a alta do dólar no Brasil só poderia ser restringida à desvalorização do peso argentino se fosse comprovado que, na segunda-feira, o PaÃs não estava tendo que fazer pagamentos em dólar. "Nestes dias, há uma maior procura pelo dólar e o aumento no câmbio", detalha.
Para Ismanhoto, o próprio mercado está assimilando com maior facilidade as mudanças nas economias locais. Além disso, ele diz, o efeito de um paÃs como a Argentina é menor do que os paÃses da Ãsia e a Rússia.
Vos lembra que ninguém avisa quando a desvalorização vai ser feita, por isso, não se pode desprezar o boato. Para Ismanhoto, a desvalorização faria sentido, já que o paÃs vem "segurando" a mesma cotação.
Na outra ponta da discussão está a dolarização da moeda argentina. Para Vos, a Argentina apenas garantiu que faria a dolarização para "acalmar" o mercado financeiro. Ele defende que a dolarização do peso não é viável porque a própria polÃtica monetária do paÃs ficaria condicionada à polÃtica dos Estados Unidos. "Atrelar ao dólar
é andar e viver com dinheiro curto", afirma.