INSS irá apurar denúncia feita por trabalhadores
INSS irá apurar denúncia feita por trabalhadores
Texto: Luciano Augusto
As denúncias feitas por representantes dos trabalhadores sobre irregularidades em laudos periciais realizados pela perÃcia médica do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Bauru "serão apuradas como manda a lei", afirma o gerente regional de benefÃcios, Oscar Makoto Goto.
Entretanto, o representante do INSS disse que não estava autorizado pelo instituto a comentar mais profundamente as denúncias.
Ontem de manhã, aproximadamente 90 pessoas realizaram manifestação em frente à sede regional do INSS em Bauru. Estiveram participando do ato, representantes dos sindicatos dos bancários, ferroviários, quÃmicos, vigilantes, trabalhadores rurais de Duartina, associação dos lesionados por esforços repetitivos e do movimento dos sem terra (MST) que estão acampados
às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, que liga Bauru a Jau.
Os trabalhadores denunciam que médicos do INSS estão assinando laudos com resultados divergentes dos assinados por médicos da confiança dos trabalhadores. Assim, trabalhadores com problemas de saúde estão sendo obrigados a retornarem ao trabalho, correndo o risco de perderem seus empregos.
De acordo com Laércio Pereira, 36 anos, diretor do Sindicato dos Bancários, o fato indica uma pressão por parte do INSS em tentar enxugar o quadro de beneficiados para uma futura privatização do setor de acidentes de trabalho.
"Estão havendo altas, contrariando perÃcias médicas feitas por médicos assistentes", afirma Pereira.
Como aponta o sindicalista, com a falta de estrutura do INSS outros problemas acabam surgindo. Um exemplo, é que depois de passar pela consulta com o médico do instituto, o trabalhador doente tem que ser avaliado ainda por uma junta médica, coisa que não vem acontecendo, esclarece o bancário. Outro ponto polêmico é que o INSS não está fiscalizando a volta ao trabalho do empregado que estava sob licença médica. O empregado tem que voltar a trabalhar numa função diferente daquela que ocasionou o problema e muitas vezes ele retorna ao trabalho no mesmo cargo que o lesionou.
Pereira denuncia ainda que em algumas situações, mesmo quando o trabalhador não tem mais condição de trabalhar e precisa se aposentar, o INSS o libera para voltar ao emprego.
O sindicalista complementa dizendo que os casos podem ser comprovados e que "esse foi o primeiro passo. A idéia é engrossar, caso (as denúncias) não sejam apuradas". O INSS deverá divulgar uma resposta aos trabalhadores na próxima quarta-feira, dois de junho.