08 de julho de 2026
Geral

Auto-medicação

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Médico diz que todos os remédios oferecem risco

Médico diz que todos os remédios oferecem risco

Nenhum medicamento é isento de oferecer riscos à saúde, nem mesmo os naturais. A afirmação

é do infectologista Fernando Monti, ao comentar o estudo feito por uma professora da Universidade de Brasília que denunciou ao Ministério da Saúde uma lista de 652 medicamentos que segundo ela oferecem risco à saúde da população.

A médica e professora Lynn Silver estudou a composição dos remédios e constatou 115 substâncias com restrições de uso em diversos países. Ela sugere que os tidos como mais perigosos sejam retirados do mercado. Entre eles a Novalgina, Dipirona e xaropes de uso pediátrico que possuem tetraciclina.

O infectologista bauruense, no entanto, ressalta que todos os remédios podem prejudicar a saúde dos usuários e não somente os indicados na lista da médica brasiliense.

"Todos eles são passíveis de efeitos colaterais. Depende das características de cada paciente", explica. Ele frisa que até mesmo os medicamentos baseados em princípios naturais podem causar problemas em algumas pessoas, como alergia.

Por conta da possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais, o infectologista defende a prescrição médica para todo medicamento, inclusive para um grande número de antitérmicos e analgésicos à base de dipirona, como a Novalgina. O composto pode provocar deficiência na produção de células sanguíneas até mesmo se consumido por um curto período. "Embora a receita médica não evite os riscos, já prevê e pode diminuir as consequências", explica.

O médico acredita que falta conscientização da população, mas diz também que modificações na legislação poderiam alterar o quadro atual, que ele considera como um "contracenso". "A oferta que temos de serviços médicos não é compatível com a quantidade de pessoas que compra remédios sem orientação médica".

Monti diz que existe pouca pressão de entidades e profissionais para que mudanças sejam implementadas através do Ministério da Saúde ou mesmo do Legislativo. "Um dos argumentos usados é que existe pouca oferta de serviços em Estados como Amazonas, por exemplo, o que inviabilizaria uma regra para todo o País". Ele sugere a reformulação do setor, começando pela fabricação dos remédios e terminando na comercialização ao consumidor.

Os remédios que integram a lista elaborada pela médica Lynn Silver e entregue ao Ministério da Saúde continuam em circulação porque, segundo Ministério,

é preciso um embasamento científico mais profundo para se sejam banidos do mercado.