17 de março de 2026
Geral

Aviação

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Turbina pára e Fokker faz pouso de emergência em Bauru

Turbina pára e Fokker faz pouso de emergência em Bauru

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Os 12 passageiros do Fokker-50 da Transportes Aéreos Marília

(TAM) levaram um susto em Bauru ontem. O vÃo 430, que decolou de Bauru às 9h50 com destino a Araçatuba, teve que pousar minutos depois, com um motor só. Um defeito na turbina do motor direito obrigou o piloto a fazer um pouso de emergência.

Ninguém ficou ferido, mas a explosão, o fogo e a fumaça do motor assustaram os passageiros. Os bauruenses que acompanharam o pouso de emergência e que ainda lembram de tragédias aéreas ocorridas na cidade também sentiram medo.

Pouco depois do pouso, a TAM providenciou transporte terrestre para os 12 passageiros que estavam no Fokker-50. Eles seguiram para Araçatuba em táxis, alugados pela TAM. Ao sentirem-se seguros, os passageiros trataram de comunicar a família e amigos para dizer que estavam bem.

O passageiro Carlos Alberto Mauro, bem humorado, chegou a dizer para sua secretária que não era desta vez que ela perderia o patrão. "Avisa minha mulher que não

é desta vez que ela ficou viúva", ironizou.

O problema na turbina ocorreu devido a um vazamento no rolamento do motor do avião, segundo a assessoria de imprensa da TAM. De acordo com empresa, o óleo que vazou do rolamento chegou na parte mais quente do motor, provocando a fumaça.

A informação é de que a frota da empresa

é nova - cerca de três anos e meio - e passa por inspeções periódicas, deixando-os aviões aptos para a atividade. No entanto, a falha não é considerada normal. Ainda de acordo com a assessoria, o piloto tomou todas as providências necessárias, agindo com eficiência e decolando em segurança.

Luiz Carlos Gregório, motorista da Prefeitura, contou que trabalhava perto do Bauru Atlético Clube (BTC) quando ouviu uma explosão. "Pensei que fosse o caminhão. Olhei para cima e vi o avião soltando fumaça. Havia uma língua de fogo saindo da turbina direita. Parecia que ele ia tombar daquele lado. Torci para que o piloto conseguisse pousar, disse.

Gregório ficou acompanhando o trajeto do avião.

"Eu fiquei observando o avião. Fiquei apavorado porque se ele caísse no centro da cidade, mataria muita gente. Ele estava muito baixo. Pensei no pânico que as pessoas deveriam estar sofrendo dentro do avião e lembrei quando uma aeronave caiu em Agudos", relembra.

Paulo de Oliveira estava no aeroporto de Bauru quando o Fokker-50 decolou. "Eu percebi que havia fogo já na partida. O avião estava fechado e eu não achei que fosse alguma coisa grave e não avisei ninguém. Quando ele subiu, eu vi que algo errado estava acontecendo", relatou. O estouro foi ouvido e a fumaça foi vista por inúmeros bauruenses que correram para o aeroporto para acompanhar o desfecho da situação.

Parte dos passageiros disse que manteve a calma

O fogo na turbina do motor direito não apavorou a maioria dos passageiros. O primeiro a descer foi AntÃnio Tadeu. Ele disse que viu quando a turbina estava soltando fumaça.

"Vi quando a turbina estava pegando fogo, mas não me apavorei. O pouso foi normal", disse.

O passageiro Carlos Alberto Mauro contou que manteve a calma.

"Estava indo para Araçatuba e houve uma pane no avião. O comandante agiu da forma correta e com muita competência conseguiu pousar maravilhosamente bem", comentou.

Já Paulo Lopes, diretor do Ipem, desceu da aeronave dizendo que colocou sua vida nas mãos de Deus. "O estouro do motor foi sentido no interior da aeronave. Todos os passageiros ficaram calmos. Eu coloquei minha vida nas mãos de Deus", afirmou.

Lopes disse que percebeu que o piloto estava tomando a atitude correta. "Ele estava desviando da cidade e numa altitude baixa. Demonstrou que estava fazendo o melhor e isto nos deixou confortados. Um passageiro olhava para o outro esperando a hora de pisar no chão novamente", afirmou.

O passageiro comemorou o pouso dizendo: "Eu nasci de novo, com a graça de Deus. Vou comemorar outro aniversário", prometeu.

A passageira Cintia Duran admitiu que se apavorou. "Estou tremendo.", disse logo após descer da aeronave. "Levei um tremendo susto. Dentro do avião estava tudo calmo, mas o fogo na turbina me apavorou", contou. Ela disse que por um bom tempo não quer nem ver avião.

Vítimas de tragédias na

região têm ações na Justiça

Há nove anos e três meses, o bauruense viveu uma das maiores tragédias aéreas. Um avião da TAM, o Fokker 27-500 despencou a 500 metros da pista. A queda da aeronave causou a morte da funcionária do Banco do Brasil, Gisele Savi Seixas Pinto, 29 anos, e de seu filho, Guilherme Seixas Pinto, 4, que passavam pelo local. Mãe e filho morreram no interior do carro da família, uma Quantum. O avião se incendiou e afetou uma residência.

O caso está na Justiça, mas a TAM garante que cumpriu todas as determinações judiciais. O avião tinha 35 passageiros e havia saído de São Paulo com destino a Cuiabá, com escalas em Bauru, Marília, Araçatuba e Rondonópolis. O acidente aconteceu por volta das 9 horas da manhã na quadra um da rua João Poletti, próximo ao atual supermercado Confiança Max.

Em Pederneiras, Luiz Carlos Beltramin também aguarda decisão judicial para ter ressarcidos danos materiais e morais provocados pela morte da esposa, da sogra e de um cunhado mortos em outubro de 96. Na ocasião, um avião da TAM que saía do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, caiu, matando 99 pessoas.

Beltramin explica que ações contra a empresa aérea tramitam na Justiça brasileira e americana (equipamentos que falharam no avião eram fabricados nos Estados Unidos) há mais de um ano, mas não há previsão da data de conclusão dos processos.

A TAM ofereceu indenização de US$ 145.000 por cada vítima. Segundo a empresa, 27 famílias aceitaram o valor, mas o restante entrou com ações judiciais, como o morador de Pederneiras. Beltramin explica que as ações judiciais são uma maneira de pressionar a TAM e também outras empresas aéreas a aumentar a segurança das viagens. Ele reforça que as perdas que teve não podem ser comparadas com nenhum valor monetário.

Outro acidente aeroviário que abalou as cidades de Bauru e Agudos, ocorreu em 79. Um avião Bandeirantes de uma outra empresa, caiu na Floresta Monte Alegre, matando duas pessoas. Entre eles, o presidente do DAE, Luiz Carlos Gomes.