07 de julho de 2026
Geral

Homicídio

Especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

Morte de estudante da Unesp-Bauru pode ter motivo passional

Morte de estudante da Unesp-Bauru pode ter sido por motivo passional

Folha da Região Especial para o JC

Araçatuba - A polícia de Araçatuba tem uma nova versão para o assassinato do estudante Edson Andrade Zambon, 18 anos, ocorrido no dia 28 de março último. Zambom morava em Araçatuba e cursava o segundo ano de Engenharia na Unesp de Bauru. Ao invés de latrocínio (matar para roubar), o crime seria passional. O auxiliar-geral Paulo César Garcia, 22 anos, foi preso anteontem, em sua casa, no Jardim Pinheiros, suspeito de ser o mandante do homicídio. O motivo seria a ex-namorada de Zambon, Cristina Uchiyama, que também teria namorado Garcia.

Segundo o delegado Milton Bassoto Júnior, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), um dos acusados do crime, Gilson Roberto Silva, 19 anos, disse, na semana passada, que Garcia estava pagando bebida para ele e Wagner Lemos Pereira, 26 anos, outro acusado, na danceteria São Vicente, na noite do crime.

O delegado acredita que Garcia pode ter combinado que Wagner Pereira espancaria o estudante por causa da garota, mas os dois acabaram matando Zambon.

Pereira também teria contado a Silva que recebeu R$ 1 mil de Garcia. Com essas informações, a DIG conseguiu da Justiça a decretação da prisão temporária do auxiliar-geral, que após a prisão não falou nada à polícia.

Garcia foi uma das primeiras pessoas ouvidas durante o inquérito policial, mas negou envolvimento no crime.

Segundo Cristina Uchiyama, Wagner Pereira e Gilson Silva teriam saído da danceteria São Vicente na noite do crime, para assaltar, encontrando Zambon quando este deixava a casa dela.

O estudante foi morto a golpes de macaco hidráulico na cabeça. Antes disso, ele foi amarrado com um fio de arame. O corpo foi deixado debaixo de uma mangueira na rodovia Elyezer Montenegro Magalhães, em frente ao Parque Industrial II. A princípio o crime foi classificado como latrocíno porque os acusados tinham ficado com o toca-CDs, porta-CDs e o manual do Chevette de

Zambon. O carro foi incendiado e abandonado na estrada da Água Funda, no bairro São José.

Contradições

O delegado Bassoto explicou que a acusação contra Garcia baseia-se em contradições entre o depoimento dele e o da ex-namorada de Zambon, Cristina Uchiyama. Quando foi ouvido no inquérito logo após o crime, Paulo César Garcia disse que Cristina ligou para ele na noite do assassinato para falar que tinha ouvido gritos e barulho de buzina vindos da rua, pouco tempo depois de Zambon ter deixado sua casa, às 2h da madrugada.

De acordo com Garcia, ela também teria descrito um homem com as características de Wagner Pereira atacando o estudante. Cristina negou, em depoimento, ter visto qualquer coisa. Ela apenas teria ouvido o

barulho, mas quando saiu à rua o carro não estava mais lá.

Garcia também negou conhecer qualquer um dos acusados, mas o reconhecimento de Silva e de uma testemunha mantida em sigilo derrubam essa afirmação.

Também pesa contra o auxiliar-geral uma briga ocorrida no carnaval entre ele e Zambon, por causa de Cristina.

Família nunca aceitou

hipótese de latrocínio

A prisão do auxiliar-geral Paulo César Garcia foi recebida com alívio por Edson Luiz Mendonça Zambon, pai da vítima. A família nunca aceitou a hipótese do latrocínio, apresentada pela polícia inicialmente. Acreditou sempre em crime encomendado.

"Eu me sinto aliviado. Agora a gente tem mais confiança de que os envolvidos vão para a cadeia. Ficamos sabendo que o único desentendimento que Edinho (Edson Andrade) teve na vida foi com esse Paulo", afirmou ele.

A família do estudante desconfiava dos desencontros do inquérito, inclusive nos depoimentos de Cristina Uchiyama e do ex-namorado dela, o próprio Paulo César Garcia. Além disso, para o pai de Zambon, a violência com que o estudante foi morto indicava algum tipo de vingança. Edson Luiz ainda tem dificuldade em assimilar a idéia de que o filho foimorto por causa de uma namorada, mas garante que vai continuar acompanhando as investigações para que os envolvidos "paguem pelo crime". Ele acredita que ainda existem coisas para ser esclarecidas. "Eu ainda quero acreditar que ele (Garcia) não deve ter mandado matar, apenas bater, mas acabou resultando na morte de meu filho. Quero continuar mantendo um pouquinho de confiança no ser humano", disse o pai do estudante.

Possível pivô está

no Mato Grosso do Sul

Cristina Uchiyama, ex-namorada do estudante Edson Andrade Zambon,

é apontada como o pivô de desentendimento entre ele e Paulo César Garcia, suspeito de ser o mandante do crime. Ela se mudou para Campo Grande (MS), onde estuda enfermagem desde abril. A Folha da Região procurou a garota ontem em Araçatuba, mas a família informou que ela quer esquecer o caso. Segundo o pai dela, Iassuo Ushiyama, quando deixou Araçatuba, a garota disse que não pretende voltar à cidade.

Iassuo Uchiyama disse que não gostava do contato da filha com Garcia, mas ficou chateado com as declarações da família de Zambon sobre a garota. Ele acredita que o erro de Cristina foi não ter chamado alguém da

família quando ouviu os gritos e a buzina na noite do crime. Em depoimento, ela disse que ligou para Garcia depois que Zambon deixou sua casa.

Segundo a família de Cristina, Garcia perseguia a garota, chegando a telefonar várias vezes para a casa dela. Cristina e Zambon tinham voltado a namorar apenas uma semana antes da morte dele, no dia 21 de março. O pai de Cristina garantiu que Garcia não freqüentava sua casa. Ele ainda

disse que desconfiava do envolvimento dele na morte de Zambon.