04 de março de 2026
Geral

Auditoria

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

População aguarda auditoria de Nilson

População aguarda auditoria de Nilson

Texto: Nélson Gonçalves

Ex-vice assumiu prometendo auditoria. Sete meses depois, população ainda espera para saber qual é a situação administrativa da Prefeitura

O bauruense ainda está esperando para saber qual a situação de contratos e serviços prestados, finalizados ou em andamento no endividado Município de Bauru. O ex-vice de Izzo, Nilson Costa (PL) assumiu provisoriamente em 28 de agosto de 1998, depois da cassação de seu parceiro nas urnas, prometeu austeridade e um levantamento completo da situação administrativa. Na época, a visível dificuldade enfrentada pelo Município ainda levou o prefeito em exercício a reconhecer que a apuração completa deveria ser feita com rapidez, sinalizando que um relatório seria apresentado em pouco mais de 30 dias. Entretanto, mais de sete meses depois de sentar na cadeira principal do Poder Executivo, Nilson Costa ainda não apresentou à cidade a situação contábil e administrativa. Mais de 200 dias depois, a comunidade ainda espera a auditoria nos principais setores da Prefeitura.

O reconhecido período conturbado em que assumiu a Prefeitura, a partir de agosto de 98, levou a um período de espera, tanto por parte dos segmentos produtivos que representam a cidade, quanto por parte dos agentes políticos. Era quase unânime que Nilson Costa precisaria de tempo e compreensão para tentar colocar a casa em ordem, ou retomar o curso dos principais problemas. Nesse meio tempo, Nilson Costa, anunciou que o Sindicato dos Contabilistas - em um trabalho voluntário e digno de aplausos - se colocou à disposição para realizar o necessário levantamento. Intempéries políticas ou de gestão à parte, Nilson Costa completou seus primeiros 90 dias sem que a auditoria contábil e administrativa fosse finalizada.

As críticas de lentidão para solucionar os problemas mais urgentes vieram, sobretudo da Câmara Municipal. As cobranças só não tiveram prosseguimento porque, através de liminar judicial, o Tribunal de Justiça

(TJ), em 4 de dezembro do ano passado, promoveu o retorno também provisório de Izzo Filho ao cargo. Logo depois, no início de fevereiro deste ano, o Judiciário levou Nilson Costa de volta ao cargo.

Agora, já se completam mais de 100 dias do período inicial de governo e a auditoria ainda não veio. Dos corredores do Palácio das Cerejeiras surgem informações que o prefeito estaria prestes a dar uma resposta para parte desse compromisso, anunciando, talvez nas próximas semanas, um relatório sobre a administração direta. Na prática, a gestão Nilson Costa, reservado o esforço de que foi sem custo para os cofres públicos, concluiu apenas o levantamento sobre a Câmara de Compensação Tarifária, na Emdurb.

Da expectativa inicial de apuração contábil e administrativa a grande maioria ainda não foi anunciada. Falta o levantamento de toda a administração direta, em cada uma das secretarias; falta a auditoria da gestão anterior na Emdurb; da mesma forma: DAE e Cohab. De um lado, representantes de partidos políticos sugerem, ao mesmo tempo, que Nilson Costa assumiu numa situação ímpar e, por outro lado, ainda não delimitou seu campo de ação. Qual o programa de governo da gestão atual? Como estão ou ficaram os contratos executados nas diferentes repartições do governo municipal?

Exemplos isolados, sete meses depois, são termÃmetros de que a esperada auditoria pode responder à inúmeras dúvidas: estão em curso apurações de dúvidas em contratos de compra de batata, carne, transporte de alunos e servidores.... A Emdurb assumiu a totalidade dos serviços de coleta de lixo (em que condições o contrato anterior foi executado?, "tem água nessa história para passar a limpo", indica um influente representante do governo municipal)... e as toneladas de ovos e acerola que teriam sido compradas no DAE?... e as alterações de contratos feitas na merenda escolar, ainda nesta gestão?...e os dados sobre os vales-compra da Prefeitura utilizados na véspera do processo de cassação pela Câmara?...

Não se trata de exigir que a administração municipal responda, num piscar de olhos, a todas as respostas que a população não teve a oportunidade de receber ao longo dos últimos anos. Ademais, nunca é tarde para relembrar a necessidade da apresentação completa da aguardada radiografia. Um parênteses para o esforço voluntário e cidadão de um grupo de contabilistas que estão debruçados nesse papel

- que é do agente público: prestar contas com a população. Com a palavra o governo municipal.