Bauru tem boa aceitação do mercado de consórcios
Bauru tem boa aceitação do mercado de consórcios
Texto: Márcia Buzalaf
Favorecido pelas altas taxas de juros praticadas na economia brasileira, o mercado de consórcios está se mantendo estável nas mudanças econÃmicas. Bauru, na opinião de Agenor Roveda Júnior, é uma cidade com grande aceitação de consórcios. Para ele, o consórcio
é tradicional aqui. "Tem cidade em que a gente tem que explicar como funciona um consórcio. Aqui, não.
É só vender", garante Roveda Júnior.
O motivo do crescimento, de acordo com o diretor do Consórcio Luiza, Roveda Júnior, é a flexibilização das cláusulas do consórcio e a regulamentação do setor feito pelo Banco Central em 1990.
De lá para cá, a polÃtica econÃmica mudou bastante, mas os consórcios mantiveram-se em pé, afirmou Roveda Júnior, crescendo em uma média de 30% ao ano. Segundo ele, mesmo com a perspectiva de que a taxa de juros deve cair, para o crédito, a taxa sempre cai menos. A taxa administrativa dos consórcios estão girando em torno de 12%, diluÃdo no número de parcelas que o cliente escolher. "Atualmente, pode-se montar qualquer plano, desde que o cliente pode isso", completa Roveda Júnior.
Dentro de todos os setores que os consórcios abrangem, o de eletroeletrÃnicos é o que apresentou maior queda. Só em 98, o recuo foi de 34,92%.
A carta de crédito para imóveis também é um filão do mercado de consórcios. Os recursos obtidos com este consórcio são voltados para qualquer área da construção. De acordo com Roveda Júnior, apesar de se falar muito sobre ter uma casa própria, ainda existe um elevado déficit habitacional no PaÃs a ser explorado.
Apesar do consórcio tradicional ser de 60 meses, existem planos de até 100 mensalidades. Este é um dos motivos de crescimento do setor. "O grande lance do consórcio
é o prazo, em que a pessoa pode ter um bem parcelado em 60 vezes", explica.
Também por este motivo, algumas administradoras de consórcios estão lançando um seguro-desemprego, em que as prestações são pagas pelo consórcio por um perÃodo em que o consorciado estiver sem emprego.
Os consórcios de carros, segundo Wagner Caprioli, representante do Consórcio Luiza em Bauru, está crescendo porque as parcelas estão praticamente congeladas. Com a pressão para manter o preço dos carros baixo, ele diz, os consórcios ficam favorecidos.
Atualmente, 63% das motocicletas vendidas no Brasil usam o sistema de consórcios. Nos carros, 42% das vendas são feitas através do consórcio. De acordo com Roveda Júnior, os consórcios já chegaram a representar 70% de todos os carros vendidos.
Dentre os modelos, os populares são maiores alvos dos consorciados.
"De todos os consórcios - motocicletas e automóveis
- 90% é de populares", exemplifica.
Nesta mesma linha, o consórcio de carros usados é um segmento que cresce significativamente.
A regulamentação do Banco Central, de acordo com Roveda Júnior, também ajudou no relacionamento com o cliente. Antes desta interferência, os consórcios eram um dos maiores Ãndices de reclamação no Procon - órgão de defesa do consumidor. "Hoje em dia, ele é um dos últimos", esclarece.
O consorciado
De acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), apresentada no XXI Conac - Congresso Nacional das Administradoras de Consórcios
- o mercado de consórcios caiu em 98. Em 91, foi o ápice do setor, com 3.284.081 participantes ativos; em 92, o número caiu para 2.653.506; em 93, passou para 2.697.666; em 94, cresceu para 3.462.931; em 95, a queda foi para 2.737.022; em 96, diminuiu para 2.463.682; em 97, voltou a crescer, e atingiu 2.917.487 participantes ativos; e, em 98, caiu para 2.626.496.
A mesma pesquisa revela que a classe B (que ganha entre 10 e 25 salários mÃnimos) é que mais tem consórcios, 44,16% do total. Em segundo lugar, vem a classe C (entre quatro e dez salários mÃnimos), com uma representatividade de 29% dos consórcios.
Os segmentos mais procurados, de acordo com a pesquisa, são o de veÃculos automotores, com 58,64% do total. Na seqÃência, vem o de motocicletas e motonetas, com 22,17% do mercado.
Tratores, máquinas agrÃcolas, embarcações e veÃculos automotores para transporte de mercadoria e passageiros representam 8,03% dos consórcios, enquanto que os imóveis ficam com 3,43% do bolo. Em último lugar, está o consórcio de eletroeletrÃnicos, que representa 2,13% do total.
Os motivos alegados espontaneamente para a adesão ao consórcio, de acordo com a pesquisa, são o valor baixo das prestações
(41%), o fato de ser uma "poupança forçada"
(24,1%), a facilidade de pagamento (20,3%) e os juros baixos (15,7%).