Desemprego é maior motivo de inadimplência na cidade
Desemprego é maior motivo de inadimplência na cidade
Texto: Márcia Buzalaf
Em uma pesquisa realizada no mês de abril e concluÃda em maio, o Grupo Unidos detectou aspectos interessantes da relação entre o desemprego, a queda no poder aquisitivo, o comprometimento da renda e o atraso no pagamento dos salários com a inadimplência. Além dos dados sobre Bauru, as informações levantados por estados e as comparações com a pesquisa anterior, de janeiro de 99, esboçam um pouco da economia doméstica de cada cidadão.
Na análise da pesquisa que o Grupo Unidos realizou no Distrito Federal, em 19 capitais e em 10 cidades do Brasil, entre elas, Bauru, o motivo dos juros não terem caÃdo mais acentuadamente do que se anuncia pelo Banco Central é a inadimplência, que acaba por ter se tornar um Ãndice na soma de porcentagens. Segundo a pesquisa, os prazos dos planos encolheram e os valores das prestações esticaram.
De acordo com este a pesquisa Ouvindo o Consumidor de novembro de 98, os planos em até quatro parcelas representavam 34% das vendas à prestação. Em janeiro deste ano, subiu 1%, somando 35% dos planos. A pesquisa de abril elevou o Ãndice para 38%.
As prestações também aumentam seus "preços". Em novembro do ano passado, as prestações inferiores representavam 70% das negociações. Em janeiro caiu para 65% e, em abril, para 64%.
A pesquisa também revela o elo entre o desemprego e a crise econÃmica. Em Bauru, o desemprego é o motivo alegado para 32% dos entrevistados que têm alguma parcela em atraso. Mais de 15% dos entrevistados justificaram o atraso no pagamento com o atraso no recebimento do salário.
Nos dados de São Paulo, quase 20% dos entrevistados não pagam suas prestações em dia porque recebem o salário atrasado - e este é maior motivo alegado na capital. O desemprego - que aqui é a causa da inadimplência
- ocupa o quarto lugar, com aproximadamente 12% dos participantes da pesquisa.
O uso do dinheiro para outras compras, em janeiro, representava 13% dos motivos para a inadimplência. Em abril, caiu para 9,6%.
Brasil
Ao todo, foram 19.659 entrevistados. A maioria das pessoas que atrasam a mensalidade no menor perÃodo estipulado pela pesquisa - até 30 dias - o fazem por atraso no recebimento de seus salários.
Já a maioria dos brasileiros com atraso no pagamento de prestações no maior perÃodo estipulado - acima de 91 dias - são desempregadas. As compras para terceiros como alegação da inadimplência no Brasil, de acordo com a análise da pesquisa, foi o menor desde julho de 97, 19,8%.
O recebimento de salários em atraso caiu de 21% para 19,6% na participação dos motivos para o não-pagamento em dia. A maior incidência desta razão foi alegada pelos entrevistados do Sudeste (26% dos motivos) e, a menor, no Sul (11%).
Entre todos os estados que participam da pesquisa, o Paraná, com 11%, e o Rio Grande do Sul, com 12%, foram os que indicaram o atraso no recebimento dos salários como principal motivo da inadimplência.
A diferença entre os estados também é interessante na questão do desemprego. Desta vez, as grande metrópoles dão lugar aos estados mais "esquecidos", tanto na alta quanto na baixa participação do desemprego. O Amazonas e o Ceará são os que mais justificam com o desemprego a falta de pagamento em dia de prestações, com 18% e 15% dos motivos da inadimplência.
Já os que menos reclamam da falta de emprego nas razões que levam à inadimplência estão a ParaÃba, com a participação de 5% de todos os motivos, e o Sergipe, com 4%.
As doenças também mostram diferenças sociais entre os estados. As enfermidades são o motivo mais alegado por 26% dos amazonenses com atraso em prestações, contra 5% dos entrevistados de Santa Catarina.
A redução de renda como motivo para inadimplência também mostra algumas distinções entre diferentes regiões brasileiras. Apesar de ter se mantido estável, em 8%, em Santa Catarina e no Paraná, a participação deste item na composição da inadimplência
é de 16% e 15%, respectivamente. Do outro lado, em Sergipe e em EspÃrito Santo, a incidência deste fator no atraso no pagamento das prestações é de 4%.
Na justificativa da inadimplência, em janeiro, 13% dos entrevistados alegaram que haviam usado o dinheiro para outras finalidades. Em abril, depois dos gastos de impostos, férias, materiais escolares e festas de fim de ano, a participação do gasto em outros setores caiu para 9,6% dos entrevistados.