07 de julho de 2026
Geral

Dia de fã

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Uma noite com a rainha do rock

Uma noite com a rainha do rock

Texto: Gustavo Cândido

O artista plástico americano Andy Warhol disse uma vez que no futuro todo mundo ia ser famoso pelo menos por quinze minutos. Os primeiros cinco minutos de fama do estudante bauruense Marlon Pelizario aconteceram no último dia 22 de maio, no show da cantora Rita Lee, na Cervejaria dos Monges. Fã da primeira dama do rock nacional, ele estava com dois amigos assistindo o espetáculo (e, de vez em quando, gritando declarações de amor para a musa) quando ela convidou alguém para subir no palco e fazer um dueto em "Desculpe o Auê". Não demorou muito e ele estava lá em cima, cantando e até dançando com Rita. "Não acreditei", conta Marlon, que tem 16 anos, pretende estudar Educação Física mas sonha em ser modelo.

Jornal da Cidade - Como começou está história que acabou com você no palco ao lado da Rita Lee?

Marlon Pelizario - A gente chegou lá e começou com brincadeiras do tipo: "hoje ela vai dar um tchauzinho", coisas desse tipo. Ai nós começamos a gritar para ela perceber que a gente estava lá. Uma hora todo mundo ficou quieto e eu gritei: "Rita Lee eu te amo". Ela olhou e acenou. Fiquei contente porque já tinha conseguido o que queria.

JC - Você já tinha visto algum show dela?

Marlon Pelizario - Não, este foi o primeiro

JC - Aonde você estava sentado?

Marlon - A gente chegou na Cervejaria às 9h. O show começava às 11h30, então fomos os primeiros a chegar. Ficamos bem perto do palco mas até o show começar fomos parar lá atrás com o empurra-empurra.

JC - E depois?

Marlon - Ela começou a cantar e a gente cantou junto lá de trás, até que uma hora ela disse que precisava de alguém para cantar com ela. Ai eu comecei a gritar mais ainda e ela disse: "vem você que está mais saidinho". Eu fui, o pessoal foi abrindo caminho, o segurança tentou me impedir mas cheguei no palco.

JC - E o que ela falou?

Marlon - Ela perguntou se eu sabia a música, que era "Desculpe o Auê", eu disse que sim, então ela falou que ia cantar a primeira parte da música e eu deveria cantar a segunda e me apresentou para o público.

JC - E aí?

Marlon - Comecei a cantar, estava tão contente de estar ali que peguei ela para dançar e quando vi ela estava dançando comigo.

JC - Qual foi a reação dela?

Marlon - Ela ficou meio sem saber o que fazer, olhou para o Roberto de Carvalho (marido da cantora e músico que a acompanha) e começou a dançar.

JC - Você disse alguma coisa para ela lá em cima?

Marlon - Falei "eu te amo muito", "sou seu fã", ela sorriu. Quando fui descer eu a beijei. Quando estava descendo decidi voltar e cumprimentar todo mundo, o Roberto de Carvalho, o Beto Lee (filho de Rita e Roberto).

JC - Você sempre gostou de Rita Lee?

Marlon - Não, antes eu não gostava, mas um primo meu mostrou os trabalhos dela e eu comecei a gostar. Comecei a comprar CDs e foi...

JC - O que você mais gosta na obra dela?

Marlon - Gosto das letras das músicas e também acho o ritmo legal, que é um rock não muito pesado. Ela passa uma energia diferente. Ela cantando passa alegria porque

é muito extrovertida.

JC - Qual a sua música favorita?

Marlon - É "Flagra", aquela "No escurinho do cinema..." (canta).

JC - O que você gosta de ouvir?

Marlon - Tudo, gosto de tudo, caipira, rock, dance, tecno... Ouço desde Teodoro e Sampaio até Kiss

JC - E você acha que canta bem, ou, pelo menos, cantou bem lá em cima?

Marlon - A minha voz não ajuda mas a música saiu bem.

JC - Como é estar tão próximo de um ídolo?

Marlon - Eu fiquei nervoso, não tenho vergonha, mas na hora não sabia o que fazer, o que dizer... A hora que eu abracei ela e comecei a dançar, dava risada sozinho, só pensava "consegui".

JC - Você acha que esses são os seus cinco minutos de fama?

Marlon - Eu acho que sim, mas não de fama, foram cinco minutos onde eu fiquei conhecido já que todo mundo me viu. Quando eu desci muitas pessoas me cumprimentaram, disseram que foi legal eu ter subido e que eu não tinha "feito feio". Até uma semana depois tinha gente lembrando, foi muito legal.