07 de julho de 2026
Geral

MST

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

MST diz que resistirá à desocupação

MST diz que resistirá à desocupação

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Brasília Paulista - Os trabalhadores sem-terra do acampamento Laudionor de Souza (Fazenda Santo AntÃnio, Brasília Paulista) vão resistir à desocupação da área, decretada pela Justiça. Segundo um dos integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) Adailton Manoel da Silva, a geografia do local contribui para uma estratégia de resistência física. "Estamos dispostos a trabalhar e lutar pela terra, que é improdutiva."

O sem-terra garante que a área de cerca de 320 alqueires já vinha sendo negociada com o Incra. "Vamos fazer a reforma agrária aqui. Mesmo que haja alguma luta. Aqui temos a terra e água para produzir. Vamos lutar até o fim, a terra está abandonada há anos."

Ele lembra que o movimento já perdeu o horto florestal em Aymorés. "A burocracia da Justiça brasileira obrigou a gente a deixar o horto. Ficamos na beira da estrada, no tempo. Agora não vamos abandonar esta área. Queremos produzir."

O trabalhor sem-terra diz que já avisou a Polícia Militar que haverá resistência. "Nós não vamos arredar o pé daqui. Vamos esgotar todas as instâncias. Estamos dispostos a dialogar, eles vão ter que nos convencer que aqui não dá para fazer a reforma agrária."

A fazenda Santo AntÃnio, segundo Silva foi ocupada há mais de 20 dias. "Estamos há 26 dias na fazenda. Dois dias depois da ocupação recebemos ordem de despejo, que é fajuta, na minha opinião. Uma ação muito mal feita. Tudo demonstra que a dona não tem peito para tirar a gente daqui. Se ela tivesse razão, ela poderia ter pressionado a ação. Tem 70 alqueires de terras griladas."

O trabalhador sem-terra alega que a fazenda estava totalmente abandonada, assim como as máquinas, gado e veículos.

"O gerente vinha só de vez em quando para pagar o caseiro. A fazenda tem dívidas com o INSS e muitas multas a serem quitadas. A proprietária já perdeu dois sítios na região Cabrália Paulista. "

No acampamento, segundo Odair Lopes de Oliveira já tinha 30 famílias e agora passará ter 320. "No total deve ter cerca de mil pessoas. Vamos armar as barracas porque as casas estão em péssimas condições de conservação e os moradores poderão correr perigo."

O sem-terra explica que muitos jovens de 18 a 22 anos estão acampados no local. "A luta deles é trabalhar no campo e continuar estudando, uma vez que na cidade as chances para eles são mínimas. Aqui temos o setor de educação."

Deixar a beira da estrada, segundo Oliveira foi uma forma de resistência ao sistema. "Viemos para cá como forma de resistir. O povo unido jamais será vendico. Acreditamos que um dia vamos conquistar a reforma agrária."

Ameaças

O trabalhador sem-terra Adailton Silva diz que os integrantes dos movimento estão sofrendo ameaças. "Por quatro vezes já fomos ameaçados. Uma vez fomos comprar vela e fumo de corda na venda da vilinha. No caminhos fomos cercados por quatro homens armados. Eles revistaram o carro e deixaram a gente seguir."

Um sindicalista de Duartina teria sofrido uma tentativa de homicídio.

"Um tiro foi disparado contra ele, mas não acertou." Até o assessor de um vereador de Bauru teria sido ameaçado por telefone. "Nesse telefonema eles avisaram que minha alma estava encomendada."

Silva diz que as ameaças têm a finalidade de desistimular as pessoas a apoiar o movimento. "Nós não vamos desistir da luta. não estamos fazendo mal algum aos moradores da vilinha. Acho até que estamos aumentando o comércio deles."

O sem-terra lembra que algumas pessoas da vilinha não gostam da presença deles porque exploravam a fazenda. "Eles matavam o gado e furtavam cavalos."

Fazenda

A Fazenda Santo AntÃnio no distrito de Brasília Paulista

(35 quilÃmetro de Bauru) tem cerca de 320 alqueires, uma igreja e 11 casas de madeira, uma delas, que antigamente era sede da propriedade está ocupada pelos integrantes do movimento.

Dois tratores, um caminhão , uma camionete, uma máquina debulhadora de milho e outros bens móveis estão abandonados e em péssimas condições de uso. As casas e os barracões estão danificados e com a estrutura abalada, por isso os sem-terra optaram pela barracas de plástico. A propriedade tem uma nascente de água.