08 de julho de 2026
Geral

Afastamento de vereadores

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Processante afasta vereadores em Agudos

Processante afasta vereadores em Agudos

Texto: Marcos Zibordi

Em votação tensa e confusa, legislativo enquadra vereadores em artigos diferentes

Agudos - A Câmara Municipal de Agudos acatou denúncia do vereador José Aparecido de Oliveira (PDT) , o "Ico", e mandou os vereadores Régis Pauletti (PSD) e João Carlos da Silva (PSDB), o "João Tatu", para uma Comissão Processante (CP). Com a decisão, os vereadores estão suspensos por 90 dias, período que tem a CP para apresentar o relatório final. Juca Teixeira, pelo PSD e Sato Kitamura, pelo PSDB, são os suplentes que devem assumir o lugar dos vereadores suspensos e, inclusive, votarão no relatório final da CP. A posse é na próxima sessão.

Segundo a denúncia de Ico, os vereadores foram enquadrados em artigos diferentes. Pauletti foi acusado de tentativa de compra de voto e falta de decoro parlamentar. Tatu foi acusado somente de falta de decoro parlamentar.

A Comissão Processante já tem seus nomes. José Carlos Morandini (PMDB) foi sorteado presidente, Evandro Rosso

(PSB) é o relator e Tarciso Hellinger (PTB) é membro. Eles têm cinco dias para comunicar aos acusados que apresentem suas defesas. Esses têm dez dias para fazê-las. Apesar do prazo para a CP ser de 90 dias, a conclusão dos trabalhos pode acorrer antes.

Votação

A sessão que já vinha tumultuada "degringolou" de vez na hora da votação. O primeiro problema foi causado pela denúncia que pedia para os vereadores Evandro Rosso e Zé Mensageiro (PT) não votarem, alegando que os membros eram amigos próximos de Régis Pauletti. Muita discussão, palavrões acusações e gritos na tribuna e os vereadores acabaram votando pelo direito de votar dos vereadores.

Decidido isso, veio a parte mais intrigante e, ao mesmo tempo, cômica. Zé Mensageiro havia pedido que a votação fosse nominal, mas o presidente da Câmara, Aparecido Dantas

(PTB), alegando artigos do Regimento Interno,, não aceitou o pedido.

Na primeira votação, para decidir se Pauletti iria para a CP, houve empate em sete a sete. O voto de minerva de Dantas levou o vereador para a CP.

Na hora de decidir se "Tatu" também iria para a CP, o placar deu oito a seis, contra sua ida. No entanto, uma confusão na hora da votação e o tumulto resultante fizeram com que uma segunda votação fosse feita. Desta vez, por um placar completamente diferente de três a 11, Tatu também foi incluído. O vereador ficou muito irritado e acusou vários pares de terem-no traído, dizendo inclusive que agora vai jogar denúncias no ventilador.

Bastidores

A sessão prometia. Durante toda segunda-feira, os milhares de panfletos distribuídos pela cidade se dividiam em pró-Régis e contra-Régis, sendo que ambos pediam a presença da população na sessão da noite. Um caminhão de som se encarregou de fazer o restante do serviço de divulgação.

A rua da Câmara Municipal estava isolada. Nenhum carro pôde estacionar, com exceção de um caminhão de som que ficou parado na porta. Um dos problemas começou por causa disso. Enquanto a sessão transcorria, um locutor fazia acusações de toda ordem, atrapalhando os trabalhos, até que a polícia pediu para que o mesmo fosse retirado. Ele se negou e a PM teve que lavrar uma autuação. Agnaldo Anastácio da Silva, conhecido como "Lulinha", não quis apresentar os documentos do veículo e plantou-se na frente do caminhão, impedindo o trabalho do guincho, chamado para rebocar o mesmo.

Por desacato, Lulinha foi preso e levado à delegacia, de onde foi liberado após pagar fiança de R$ 100.

Enquanto se desenrolava a discussão entre o locutor do caminhão e a PM, pneus foram queimados na rua.

Dentro do plenário a situação não era muito diferente. Algumas pessoas visivelmente bêbadas achincalhavam o presidente da Câmara, Aparecido Dantas e a vereadora Maria Vilma de Albuquerque (PSDB), chamando-a de "Xuxa". Após um grande período em que o presidente agüentou quieto as provocações, não se conteve e passou a responder às ofensas do microfone da mesa da presidência, numa atitude lamentável, tanto do vereador quanto de quem o ofendia.

Dentro do plenário, grossas acusações foram feitas entre os vereadores, principalmente quando se decidiu pela inclusão de Tatu na CP. Este, muito irritado, saiu "disparando" acusações aos outros vereadores, aos quais chamava antes de "nobres pares". Lauro Antonio foi assintosamente cobrado por Tatu em relação ao seu voto.

Neste cenário de circo, os vereadores deram uma demonstração do quanto podem tornar-se amadores em questões de grande relevância para a população; mas, dos males o melhor, pois pelo menos vai ser dada seqüência à apuração da primeira e menos grave de uma série de denúncias feitas em relação ao legislativo e executivo agudenses.

Espera-se, como inclusive cobrou a população e os próprios vereadores, que as outras denúncias feitas, de teor ainda mais grave, sejam também investigadas.