08 de julho de 2026
Geral

Interdição de hospital

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 5 min

Recuperar hospital deve custar R$ 450 mil

Recuperar hospital deve custar R$ 450 mil

Texto: Luciano Augusto

Baseado em estimativas preliminares sobre os problemas estruturais do Hospital Manuel de Abreu, que provocaram a interrupção do atendimento à população, o custo da obra foi orçado em cerca de R$ 400 mil. Mais os recursos que serão gastos com a troca da caldeira do hospital, que está condenada e mais a reforma da tubulação, podem elevar o custo total para até R$ 450 mil. O posicionamento final sobre o preço da reforma deverá ser divulgado hoje, pelo superintendente da Associação Hospitalar de Bauru, Reinaldo Rocha.

Em visita de inspeção no Hospital Manuel de Abreu, solicitada pela imprensa, ontem pela manhã, o vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), Marcos Wanderley Ferreira, 50 anos, confirmou a precariedade da ala interditada, reafirmando que ela oferece riscos para as alas vizinhas. Wanderley Ferreira foi indicado pelo Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura de São Paulo (Crea-SP) para inspecionar a obra.

A área em pior estado do hospital está desativada desde março de 98, quando as rachaduras e infiltrações comprometeram a estrutura da cozinha, câmara frigorífica, copa e blocos contíguos, como a ala cinco, onde eram tratados doentes com moléstias infecto-contagiosas.

Entretanto, mesmo estando desativada, a área coloca em risco as áreas vizinhas, porque a construção

é interligada. Conforme explicou o professor e engenheiro do departamento de Engenharia Civil da Unesp, campus de Bauru, Cláudio Vidrih Ferreira, que fez um laudo técnico de vistoria no hospital, em agosto de 98, juntamente com o também professor e engenheiro do mesmo departamento, Ademar da Silva Lobo, a área oferece risco porque os prédios estão interligados e, se por exemplo, ocorrer um desabamento na área desativada, ele poderá se alastrar e atingir outras áreas, que estão ocupadas por pacientes e funcionários.

Mesmo dizendo que precisaria rever novamente as condições no local, Ferreira afirma que um dos principais problemas na área afetada são os vazamentos. Como o solo é bastante arenoso e poroso, qualquer vazamento, tanto de água como de esgoto, compromete a compactação e a estabilidade do solo, podendo levar ao desabamento.

De acordo com Marcos Wanderley Ferreira, o prédio está comprometido e oferece riscos de segurança. Ele também apontou a qualidade do solo como mais um fator negativo para a recuperação.

O vice-presidente do Seesp reafirmou a competência do laudo feito pelos engenheiros da Unesp, ressalvando que a situação piorou com a passagem do tempo.

Sobre uma das áreas mais preocupantes e carentes de reforma no Hospital Manuel de Abreu, a caldeira que abastece com água aquecida todos os prédios, Wanderley Ferreira preferiu não comentar dizendo que não era sua especialidade.

Visualmente, a caldeira está em péssimo estado, sendo que os reservatórios de água estão isolados com gesso, e com áreas excessivamente enferrujadas.

O laudo sobre a caldeira solicitado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e assinado pelo engenheiro José Carlos Molina Dezotti, de 1.º de abril, conclui que há necessidade urgente de sua recuperação, reforma ou substituição.

Também o relatório referente a vistoria realizada nas unidades de internação de pacientes crônicos e nos setores de apoio do Hospital Manuel de Abreu, de 10 de março de 99, pelas enfermeiras fiscais da vigilância sanitária Solange de Fátima Dellasta e Mônica Nicolas Birrelo Guimarães, da DIR-X, e pela engenheira Maria de Lourdes Soares Pereira, diretora técnica de divisão do Grupo de Vigilância Sanitária, aponta várias "irregularidades preocupantes" no hospital.

Algumas destas irregularidades, de acordo com o relatório, contrariam o Código Sanitário Estadual. Ainda segundo o relatório, algumas das irregularidades deverão ser sanadas a curto e médio prazo.

Para hoje, os vereadores bauruenses agendaram uma reunião convidando prefeitos e deputados da região, para tentarem organizar um movimento regional contra a desativação do Hospital Manuel de Abreu. A reunião está marcada para as 15 horas, na Câmara Municipal. A estratégia

é pressionar Estado e União para que intercedam no sentido de que o atendimento à população seja retomado.

Apelo na Assembléia

O deputado estadual Carlos Braga (PPB) abordou em seu pronunciamento na Assembléia Legislativo, nesta semana, o "absurdo do fechamento do Hospital Manuel de Abreu".

Braga citou os problemas estruturais do hospital confirmados pelo laudos técnicos e que não foram solucionados. Segundo o deputado, a gravíssima situação do Manuel de Abreu exemplifica como a saúde em nosso país merece pouca atenção em todas as esferas.

O seu discurso teve como meta sensibilizar o governador Mário Covas e o secretário estadual da Saúde, José Guedes. O deputado avalia que o Hospital não teria chegado a tal estado de deterioração se a entidade mantenedora, no caso a AHB, não acumulasse uma dívida tão grande, originária da diferença entre o que custa uma diária de paciente internado, R$ 8,50 e o que recebe do SUS, R$ 4,05.

Também por ser o Estado o proprietário do hospital, Braga afirma que é justo que o governador tome providências imediatas para repassar a verba necessária à reforma do hospital que, segundo a direção da AHB, está orçada em R$ 500 mil.

Outra questão abordada foi o pedido de um repasse mensal de R$ 400 mil para custeio dos três hospitais, que há meses vem sendo solicitada ao Governo do Estado e ainda não obteve resposta. Carlos braga confirmou ainda a presença na reunião de hoje na Câmara Municipal e na reunião da próxima terça-feira, na Coordenadoria de Saúde do Interior, em São Paulo.