04 de março de 2026
Geral

Interdição do hospital

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Mutirão vai tentar salvar o hospital

Mutirão vai tentar salvar o hospital

Texto: Nélson Gonçalves

Da reunião na Câmara, ontem, foi formada comissão para audiência com governador. Mutirão visa doação de prefeitos e da comunidade

A comunidade, mas sobretudo os prefeitos da região que utilizam dos serviços da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e que não compareceram à reunião da Câmara, ontem, e nem enviaram justificativas, estão sendo chamados a participar de mutirão para tentar salvar o hospital Manoel de Abreu, que está com boa parte da estrutura condenada. Depois de longa discussão, lideranças políticas locais e de alguns municípios vizinhos chegaram à conclusão que é necessário trabalhar em pelo menos duas frentes para a recuperação do hospital.

Da reunião foi criada uma comissão para as ações visando a "reconstrução do hospital". Entre os membros estão o prefeito de Bauru, Nilson Costa, Rubens Cury (Pederneiras), Armando Persin (Pederneiras) e Elson Banuth (Arealva), além dos deputados estaduais Carlos Braga

(PPB) e Pedro Tobias (PDT) e representantes da DIR-X, AHB, Câmara Municipal e da comunidade. Está sendo marcada audiência com o governador Mário Covas (PSDB) no início da próxima semana, provavelmente terça-feira, visando obter verba para as obras. Como segunda medida, a comissão agendou reunião também para a próxima quarta-feira quando será dada a largada para a segunda fase das ações. A opção é uma campanha através de mutirão para doações de materiais e dinheiro. A comissão vai convocar em especial todos os prefeitos da região que participam da utilização dos hospitais instalados em Bauru, não só o Manoel de Abreu, a dar sua cota de participação, em dinheiro o através de materiais. Também foi defendido por boa parte dos presentes ao encontro, ontem, o comprometimento para uma participação no gasto para os atendimentos dos pacientes da região.

O prefeito Nilson Costa foi o primeiro a lamentar a ausência de colegas do Executivo da região, que se utilizam dos hospitais de referência em Bauru. "Diante da gravidade do problemas lamentamos a ausência dos prefeitos. Os mapas da AHB mostram que vários municípios se utilizam desses serviços, alguns com cerca de 500 internações somente em 98", disse. O prefeito fez coro a vários representantes ao reclamar da "política de sucateamento na área da saúde".

O diretor da DIR-X, Guilherme Pupo, ponderou que o governo do Estado repassou R$ 8,3 milhões para a AHB em quatro anos e apontou que os hospitais conseguiram reclassificação no serviço de urgência-emergência, aumentando a fatia de faturamento via SUS. Para Pupo o maior problema da AHB é a dívida com o INSS. O diretor também questionou a deterioração do patrimônio do Hospital de Base em alguns anos.

O presidente da AHB, Joseph Saab, rebateu que os R$ 8,3 milhões repassados pelo Estado significam a despesa de apenas dois dias por mês durante o mesmo período, quatro anos. "A AHB gasta R$ 70 mil por dia e se somarmos o mesmo período do repasse vamos verificar que o repasse representa muito pouco diante das necessidades e os hospitais são do Estado", fala. Saab também cobrou da Prefeitura uma seleção para os pacientes que vêm de fora, citando que Avaré, por exemplo, recorre a Bauru quando deveria ir a Botucatu. "Isso precisa mudar ou haver compensação nesses atendimentos. Quanto a recuperação do hospital, o prédio

é do Estado e tem que ser recuperado pelo seu dono. Outro ponto é que o Manoel de Abreu foi construído pelo Estado sobre esgoto, isto é incrível", cita.

A secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Teles Nunes, comentou que até concorda com a rediscussão da divisão da fatia dos repasses do SUS em função do envio de pacientes de fora mas que, por uma questão legal e de princípio, não pode ser recusado o atendimento a "qualquer brasileiro em qualquer hospital público". Por outro lado, alfinetou que o "País socorre bancos da economia privada, porque não pode socorrer vidas recuperando e mantendo hospitais".

Entre os poucos prefeitos da região que compareceram à reunião de ontem, Elson Banuth, de Arealva, não poupou críticas ao governo do Estado pela atuação na área de saúde e se colocou à disposição para participar do rateio dos custos de atendimentos de pacientes da cidade. O médico e prefeito Rubens Cury, de Pederneiras, também reforçou a proposta de criação da comissão para ir até o governo do Estado solicitar o envio de verba para o Manoel de Abreu. Ele também defendeu esforços para que a AHB seja integrada no programa de financiamento da saúde, mas que pela proposta inicial hoje só incluiria santas casas de misericórdia. A AHB atende 90% dos pacientes via SUS.

O deputado estadual, Carlos Braga (PPB) reforçou o grupo que vai apoiar as ações visando a recuperação do Manoel de Abreu. Entretanto, Carlos Braga defendeu que a comissão se reúna diretamente com o governador Mário Covas. Para ele, o secretário estadual da saúde, José da Silva Guedes, já "demonstrou que é um tecnocrata, insensível com os problemas na área da saúde da região. Ele demorou dois meses para atender um simples pedido de audiência do deputado Pedro Tobias", criticou.

As propostas apresentadas ontem estão sendo coordenadas pela vereadora Majô Jandreice (PC do B) que organizou o encontro como membro da comissão de saúde do Poder Legislativo. A campanha com doações será desencadeada a partir do meio da próxima semana, depois que a comissão tiver um retorno da audiência com o governador do Estado, em São Paulo. Foi dado o início da campanha com a doação de 1000 tijolos pelo líder comunitário Lourival Ossuna. Partidos políticos, como o PSB de Bauru, também cobraram posição do governo do Estado e defenderam a campanha.

Aviso ao público

A diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) informa que recebeu telefonemas dando conta que pessoas não identificadas estão percorrendo residências e estabelecimentos comerciais solicitando donativos em dinheiro ou espécie para o Hospital Manoel de Abreu.

A diretoria da AHB adverte às pessoas de boa-fé que ninguém está autorizado a solicitar doações em seu nome. O problema da recuperação do hospital, conforme matéria acima, está sendo tratado a nível de comissão formada por lideranças políticas e da própria entidade.