07 de julho de 2026
Geral

ECCB

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

ECCB estranha perseguição do sindicato

ECCB estranha perseguição do sindicato

Texto: Josefa Cunha

Diretores da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) questionaram ontem os reais interesses do presidente do Sindicato dos Condutores, Elias Pinheiro da Silva, na cobrança de definições urgentes sobre o destino da permissionária por parte da Prefeitura. O sindicalista teme que a demora traga surpresas desagradáveis

à administração municipal.

Em alerta publicado ontem pelo JC, Silva levanta a possibilidade iminente de quebra da ECCB, cita novas suspeitas de irregularidades e revela a existência de documentos que colocariam em xeque a manutenção da empresa como prestadora do serviço de transporte coletivo urbano. O sindicalista, autor do pedido de intervenção na ECCB, frisa que a Prefeitura, através de relatório elaborado pela Emdurb, tem conhecimento de todos os problemas, entre os quais o descumprimento de várias exigências inseridas no contrato de prestação de serviço.

"Estamos agora levantando outras situações duvidosas e avisando que a empresa pode cair de uma hora para outra." As novas irregularidades estariam centradas em contratos de comodato gratuito - em plena crise financeira -, demonstrativos de déficit orçamentário para os funcionários, repetição de número de ônibus na lista de bens e pontos de ônibus inseridos na relação patrimonial.

A diretoria da empresa, entretanto, garante que não há nada de irregular na empresa, além dos problemas já averiguados e expressos no processo judicial de concordata. "Os contratos de comodato são perfeitos. Ele (Silva) parece ter ficado surpreso e indignado com o fato deles serem gratuitos, mas qual o problema nisso? Foram acordos firmados entre empresários para completar nossa frota. Se pagos ou não, a questão não interessa ao sindicato", avaliou Fábio José de Souza, advogado da ECCB.

Os comodatos teriam sido realizados para o empréstimo de

ônibus, resolvendo, temporariamente, o déficit decorrente do confisco de 69 carros pelos bancos no ano passado. A regularidade nas transações já teria sido comprovada pela própria Emdurb, que vem lacrando e autorizando a circulação de todos os ônibus emprestados.

A diretoria afirma não entender o posicionamento de Elias Pinheiro da Silva, questionando qual a obrigação da empresa em dar satisfação à entidade trabalhista.

"Como presidente de um sindicato, ele deveria lutar pela garantia de trabalho e pelos direitos da categoria. Esses contratos nunca foram escondidos. Qual a diferença do ônibus ser em comodato gratuito ou não. O que isso implica para os trabalhadores", indagou Souza. "Como alguém pode afirmar quanto minha empresa vale. Ela valerá quanto eu quiser. De quem eu emprestei dinheiro para pagar o 13.º não importa; importa que eu cumpri um dever. Se eu devo a você, empresto dinheiro e pago, você não tem que questionar a quem eu fiquei devendo. Creio que não temos que dar satisfações ao Elias", completou Evandro Marcos Quaggio, gerente operacional da empresa.

Ambos atribuem as atitudes de Silva à rusga pessoal estabelecida entre o sindicalista e os diretores-proprietários da ECCB. Souza e Quaggio afirmam ter bom relacionamento com o presidente da entidade, mas "apelam" para que ele "esqueça os problemas pessoais e pense mais na categoria que representa".

Um dos motivos que leva a diretoria a crer em "perseguição"

é a contrariedade explícita que o sindicalista demonstraria quando das aproximações diretas entre empresa e funcionários. "Partindo do princípio que a empresa tem o dever de manter canal aberto com os empregados, fomos até a eles explicar a situação. Começamos a publicar cópias dos balancetes nos quadros internos da empresa para expor a real situação. O Elias foi lá, fotografou e disse que a prática é ilegal. Estamos somente agindo com transparência, lembrando que todos os nossos atos estão sendo 'vigiados' por um juiz, um comissário e um promotor", salientou.

A diretoria também afirma estar agindo com o máximo de lisura possível nas negociações do dissídio da categoria. Segundo Luís Carlos Gonçalves, gerente administrativo e e financeiro da empresa, a prioridade é honrar os compromissos com os trabalhadores, embora as discussões em torno do acordo coletivo continuem difíceis. "Queremos manter os postos, mas a manutenção do acordo trabalhista e a concessão das reivindicações é o mesmo que emitir um cheque sem fundos ou demitir a maioria dos funcionários. Definitivamente, não temos dinheiro para assumir esse compromisso agora, uma vez que a pauta é muito distante da realidade. Não se trata de má-vontade, mas todos sabemos que estão sobrando ônibus, mototáxis e faltando usuário", argumentou.