Bem-estar pelo toque das mãos
Massagem
Bem-estar pelo toque das mãos
A primeira coisa que uma pessoa faz quando se machuca é levar a mão instantaneamente à região dolorida. Puro instinto. Mas acredita-se que o estudo das técnicas de massagem tenha começado exatamente aí: quando o homem primitivo notou que sentia alívio da dor ao tocar o ferimento. Desde então, as mãos vêm sendo usadas de diversas formas e com diferentes objetivos. Hoje, está provado que os estímulos táteis podem não só melhorar o corpo, como equilibrar a mente, relaxando os músculos, regulando o metabolismo e controlando a ansiedade.
De todas as técnicas de massagem já criadas nesses aproximadamente cinco mil anos, as mais usadas atualmente são o shiatsu e o do-in - métodos orientais, que se baseiam na pressão ou estimulação dos pontos reflexos da acupuntura (aqueles que, quando tocados, refletem em determinados
órgãos do corpo). Esses procedimentos são recomendados tanto para relaxamento, quanto para o alívio das dores, como alternativas que auxiliam o tratamento de determinadas doenças.
Outra técnica, bastante comum nas clínicas de estética,
é a drenagem linfática. O organismo tem um conjunto de vasos que recolhem no corpo todo o material descartado pelas células, incluindo as toxinas e o excesso de gordura. Neste caso, as mãos são usadas para "quebrar" a camada de gordura (causadora de celulite), facilitando a eliminação desta através dos rins, pela urina.
Mas há inúmeros outros métodos de estimulação pelo toque, como a shantala (para bebês), a reflexologia
(feita nos pés), as manobras de relaxamento, as técnicas usadas pelos esportistas, as de estímulo sexual, sendo que sempre o objetivo maior dos procedimentos é ajudar o organismo a encontrar e manter seu ponto de equilíbrio energético.
Procedimentos têm contra-indicações
Texto: Sabrina Magalhães
Toda dor deve ser investigada por médicos e através de exames, antes de se procurar pela massoterapia
Ao contrário do que se pensa, a massagem é contra-indicada para muitas pessoas, podendo até levar o paciente à morte. A afirmação é do quiropata Dionel Highuchi, que trabalha com as técnicas de toque há mais de 20 anos. Segundo ele, a estimulação tátil não pode ser feita aleatoriamente em pessoas hipotensas, hipertensas ou diabéticas, por exemplo. "Porque dependendo do nível de massagem (e do ponto estimulado), se a pessoa tiver um problema de pressão baixa, ela pode ter um derrame cerebral na mesa. A massagem terapêutica pode estimular a musculatura de tal maneira que a pressão cai ou sobe bruscamente e o paciente chega ao derrame. Já no caso dos diabéticos, as manobras podem resultar em hiper ou hipoglicemia
(que levam ao coma e podem ser fatais)."
Highuchi explica, porém, que todo paciente, quando o procura pela primeira vez, é questionado a respeito de tais problemas. Se o indivíduo garante não ter qualquer destas patologias, a terapia é iniciada. Mas se o paciente diz não saber ou nunca ter se submetido a testes de laboratório,
é feito um "exame de tonificação de pele" - através do toque, observando se a pele é rugosa ou lisa, se tem escamações ou outras características, o quiropata afirma poder identificar doenças e até mesmo gravidez.
Mas a professora de Massoterapia do curso de Fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Santina Otuka, afirma que não é só isso. Segundo ela, várias outras patologias podem ser agravadas depois de uma massagem, como o doente de osteoporose, que corre o risco de ter uma fratura na coluna, ou uma pessoa que tenha hérnia de disco, se forem manipulados nas costas
Indicação
"A massagem, quando não é bem indicada, pode trazer problemas ao paciente. Então é importante a pessoa procurar um profissional da área de saúde
(com formação superior), que vai analisar e ver a necessidade de se estar utilizando ou não a massagem. Antes de mais nada, tem que ter um diagnóstico médico", ressalta a professora.
Ela lembra que não é à toa que o médico estuda seis anos e faz cursos de especialização. Não existem soluções mágicas para as patologias e diagnosticá-las exige muito preparo. Ela observa também que uma pessoa doente precisa tratar da doença. Neste sentido, a massagem seria apenas uma das alternativas: "O fisioterapeuta usa a massagem como coadjuvante no tratamento, é um recurso terapêutico, normalmente usado junto com outras técnicas, conforme a indicação. Então, tendo algum sintoma, deve-se procurar o médico, fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento, talvez até com o massagista, se houver indicação. Mas sabendo exatamente o que se tem, para não sofrer nenhum prejuízo".
Jovens sofrem com articulações
O quiropata Dionel Highuchi observou que sua clientela, até cerca de quatro ou cinco anos atrás, era em maioria formada por pessoas que haviam se machucado no futebol ou que acordavam com dores e torcicolos. Porém, segundo ele, ultimamente vem aumentando muito a procura por jovens, entre 14 e 25 anos, que apresentam sérios problemas nas articulações.
"Os jovens de hoje são muito afetados pelos agrotóxicos da alimentação, pelo excesso de química, mostarda, cat chup, maionese. Tudo isso vai deteriorando sua articulação, eles começam a apresentar uma atrofia muscular, um desgaste muito grande de vitaminas e eles passam a sentir dores."
Além da alimentação, Highuchi acredita que a vaidade esteja prejudicando o desenvolvimento muscular do adolescente. Examinando uma paciente de 15 anos, ele apontou um desequilíbrio na musculatura da região lombar que, segundo ele, poderia acarretar problemas no nervo ciático a médio prazo.
"Nesta faixa de idade, a menina deveria usar sapatos com salto (cerca de 3 centímetros) o dia todo, porque ela tem que desenvolver a elasticidade do tendão (Aquiles) e para manter a postura sempre reta. Mas ela usa tênis, porque quer ser esportista, manter o corpo para ser modelo. O tênis provoca, principalmente na mulher, um super alongamento de tendão e força o ciático. Ela vai acabar tendo problemas mais sérios no futuro."
No caso desta paciente, em que o problema foi detectado precocemente, a musculatura lombar poderia ser estimulada e equilibrada com apenas dois a quatro dias de massagem, conforme o quiropata. Depois disso, a paciente só faria uma avaliação mensal ou quinzenal para manutenção.