07 de julho de 2026
Geral

Doença funcional

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 4 min

LER aumenta 5% ao ano em Bauru

LER aumenta 5% ao ano em Bauru

Texto: Adriana Amorim

A cada ano, os casos de LER (lesões por esforços repetitivos) aumentam 5% em Bauru. O número é da Associação de Portadores de LER de Bauru (Alerb), que promoverá no próximo mês um simpósio para discutir o problema e a grande incidência da doença.

"A LER já está se transformando em epidemia", afirma o procurador da Alerb, Nélio Souza Santos. Segundo ele, a incidência da doença aumentou nos últimos anos na cidade devido à chegada de muitas empresas do setor alimentício, que utilizam linhas de produção automatizadas. Nesse ramo de atividade, cerca de 10% dos trabalhadores sofrem de LER.

Os bancários representam outra categoria na qual a incidência das lesões é considerada grande. De acordo com dados da Alerb, foram notificados 327 bancários portadores da doença no ano passado. A estimativa é de que a cada caso registrado exista outro que não passou por notificação.

Souza diz que os números crescentes são preocupantes e mostram que ainda há muita desinformação sobre o assunto. "Para o Brasil esse é um tema novo, mas há registros de LER do final da década de 20", afirma. De acordo com estudos, as lesões atingem com mais frequência os trabalhadores entre 18 e 25 anos de idade, e principalmente mulheres. "A incidência nelas é maior devido à dupla jornada de trabalho e à sua estrutura física".

Procura tardia

A fisioterapeuta Renata Teixeira Bortolan diz que a maioria dos trabalhadores procura assistência médica quando as dores nas articulações já se tornaram praticamente insuportáveis.

Ela explica que a LER se manifesta geralmente em trabalhadores que desempenham a mesma função de 6 a 8 horas por dia, mas o tempo necessário para a manifestação varia de acordo com as características de cada pessoa, o tipo e a intensidade do trabalho. "O ideal seria se houvesse a rotatividade no desempenho do serviço", salienta.

A fisioterapeuta frisa que o melhor remédio é a prevenção, que pode ser feita através da adoção de medidas simples. O ideal para evitar as lesões nas articulações é fazer intervalos de aproximadamente 10 minutos pelo menos a cada 1h30 de trabalho.

É recomendada ainda a realização de alongamentos antes do início do trabalho com a finalidade de aquecer a musculatura.

Quando a doença já se instalou, é necessário tratamento à base de medicação e sessões de fisioterapia para tratar a inflação e tirar a dor. Caso o trabalhador passe por tratamento, mas volte ao mesmo serviço que desempenhava anteriormente, corre o risco de ter a lesão manifestada novamente.

Simpósio

Os números crescentes da lesão levaram a Alerb a promover o 1º Simpósio Regional de Prevenção de LER, que será realizado nos dias 14, 15 e 16 do próximo mês. Vão participar do evento autoridades políticas da região, deputados, representantes do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), autoridades da saúde pública, entre outros.

O Simpósio vai discutir questões como a legislação trabalhista, as causas, sintomas e prevenções da doença, responsabilidade dos empregadores e outros assuntos relacionados ao tema.

Serviço - O Simpósio é aberto ao público e será realizado no Sindicato do Comércio Varejista. Informações pelo telefone 223-7566.

MP pesquisa uso de ação regressiva

A regional do Ministério Público Federal em Bauru está realizando levantamentos que podem embasar inquérito civil público para apurar a baixa incidência de requisição de ações regressivas por parte do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A ação pode ser adotada quando há provas de que o acidente de trabalho foi provocado por culpa do empregador, o que torna o INSS livre de pagamento de indenizações e a empresa fica responsável pelos custos do prejuízo causado ao trabalhador.

O procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado explica que os informes aos quais tem acesso mostram que o INSS tem utilizado com pouca frequência os benefícios da lei 8213 de 1991. "De acordo com os informes que tive acesso, o INSS tem requisitado as ações regressivas poucas vezes, a menos que esteja fazendo uso e isso não conste nos documentos aos quais tive acesso", explica. "Quando o INSS, toda sociedade está pagando".

Ainda não foram instaurados inquéritos civis públicos, uma vez que o procurador ainda não concluiu os estudos. Através dos levantamentos é que será determinada a necessidade ou não da instalação de um inquérito que apure de que forma as ações regressivas estão sendo requisitadas pelo INSS. Machado acredita que um dos motivos que podem explicar a pequena quantidade de utilização dessas ações é a falta de estrutura do Instituto para verificar o assunto. "Se for por causa disso cabe ao governo suprir essa deficiência porque as ações regressivas trazem mais recursos ao INSS".

As lesões por esforços repetitivos (LER) são acidentes de trabalho que podem ser cobrados dos empregadores através das ações regressivas, uma vez que geralmente são causadas devido a descumprimento de leis trabalhistas.(AA)