08 de julho de 2026
Geral

Venda de carros

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Renovação do acordo dos carros não aquece mercado

Renovação do acordo dos carros não aquece mercado

Texto: Luciano Augusto

Mesmo com a renovação do acordo entre montadoras, Governo e trabalhadores do setor, que estabeleceu taxas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

(ICMS), o mercado de veículos novos não voltou a apresentar o mesmo desempenho alcançado no acordo inicial. De acordo com as revendedoras, o mercado sentiu uma discreta melhora mas nada que indique uma euforia maior por parte do consumidor.

Quando o Governo divulgou a redução do IPI, para veículos de mil cilindradas, de 10% para 5%, e dos veículos médios e grandes, de 25% e 30%, respectivamente, para 17%, e também do ICMS no Estado de São Paulo, de 12% para 9%, o mercado acusou um superaquecimento com algumas revendas acusando aumento de mais de 300%.

Já na renovação do acordo, ocorrida no início do mês de junho, o IPI dos modelos populares subiu para 7% e dos modelos com até 127 cv de potência, a alíquota passou para 20%. O ICMS no Estado aumentou de 9% para 9,5%.

A demora na definição do acordo e o aumento promovido pelas montadoras para cobrir custos com a defasagem cambial, em maio, que atingiram o ápice de 9,98%, prejudicaram as vendas e o mercado que passava por um bom momento, sentiu o peso da recessão e se retraiu.

De acordo com Fernando Vieira de Mello, 37 anos, gerente de vendas de veículos novos da concessionária Chevrolet Amantini Veículos, "as vendas recuaram um pouco", a partir da segunda quinzena de maio. Houve uma pequena melhora, segundo ele, porque a montadora está praticando uma taxa de juros pré-fixada bastante atrativa, de 0,99% ao mês e "isso deu uma balanceada".

Clóvis Simão, 56 anos, sócio-proprietário da revenda Simão Ford, afirmou que "o mercado está regular e o comprador está meio receoso". O representante da Ford disse que o mês de maio foi até melhor que este início de junho e que isso só pode ser explicado pela indecisão entre as partes na renovação do acordo.

Sobre a possibilidade de as montadoras reajustarem seus preços a curto prazo, Simão acredita que o mercado não absorveria os aumentos e, por isso, não devem acontecer. Prováveis aumentos, só depois de terminado o acordo, daqui a cerca de 80 dias.

Na Baurucar, concessionária VW para Bauru e região, o gerente comercial Edmilson Árias Pinotti, disse que os negócios estão se mantendo com ligeira melhora, registrando pequena acréscimo nas vendas. Mas nada comparado com o boom do primeiro acordo. Em relação ao mês passado, os negócios melhoraram e estão conseguindo se manter.

Mesmo assim, as montadoras anunciaram, em 9 de junho, um aumento na produção de 5% em relação aos meses de abril e abril. A meta das montadoras é produzir neste mês de junho 120 mil unidades, apostando na recuperação do setor.

Para as concessionárias, as saídas podem ser as promoções, pois somando com os carros que já estão prontos nos pátios das fábricas, os estoques chegam a 127,2 mil veículos, suficientes para 35 dias de vendas. O gerente de vendas da Amantini, Fernando Vieira de Mello, comentou que "este aumento da produção

é perigoso, porque as vendas vão ser menores do que foram em abril". Ele acredita que não irá ter comprador para todo este volume de carros.