Região procura especialidades na AHB
Região procura especialidades na AHB
Texto: Marcos Zibordi
Maioria dos pacientes que procuram tratamento em Bauru o fazem por conta própria
A situação caótica do atendimento na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) é agravada com o atendimento aos moradores da região, que procuram em Bauru tratamentos específicos, já escassos para a demanda da própria cidade. Segundo a AHB, 16% das internações são de pacientes da região. Nos hospitais dessas cidades, confirma-se que a procura por especialidades é que traz a maioria dos pacientes até Bauru, vindos por encaminhamento ou por conta própria, na maioria das vezes.
Os números oficiais de encaminhamentos dos hospitais da região é muito menor que o de atendimentos registrado pela AHB, o que confirma a tese da direção dos hospitais regionais de que muitos pacientes procuram Bauru por conta própria, sabendo que nesta cidade existe um centro de referência.
Por outro lado, seria muito difícil estas cidades comportarem os atendimentos de especialidades. O primeiro fator é o da falta de especialistas. Outro é que, para cada especialidade, existe uma demanda maior e mais cara de estrutura material, equipamentos e remédios.
Mas o preponderante parece ser mesmo o fato de Bauru oferecer as especialidades. Coincidentemente, o menor número de leitos na AHB é justamente nessa área. Ortopedia, neurologia e problemas cardiovasculares são algumas das especialidades mais procuradas, com menor número de leitos disponíveis e que mais sofre para atender seus pacientes.
Outro caminho que também leva muitos pacientes para a ABH são os acidentes ocorridos nas estradas da região. Quando ele resulta em vítimas graves, elas geralmente vem para Bauru para cirurgia e internação, mesmo que em muitos casos este paciente seja pré-atendido pelo Pronto Socorro de alguma cidade.
Em consulta às Santas Casas de Iacanga, Arealva, Duartina, Lençóis Paulista e Pirajuí, a direção alegou que as cidades não sofrem com o problema de falta de leitos. A situação é de equilíbrio e nenhum deles diz poder receber eventuais internações de fora. Os números oficiais de pacientes mandados para Bauru, quando existem, são muito menores que os da Central de Vagas da Divisão Regional de Saúde X (DIR). A explicação para esta diferença é o grande número de pacientes fora da estatística, ou seja, os que procuram o serviço da AHB por conta própria.
Apesar de alegarem só mandar para Bauru casos de emergência e especialidades, para Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, muitos pacientes que poderiam ser atendidos em sua cidade de origem acabam vindo para Bauru.
A Santa Casa de Misericórdia de Pirajuí, por exemplo, com 80 leitos e 69 disponíveis para o SUS, encaminha 7 pacientes por mês, em média, para Bauru. O Pronto Socorro encaminha mais 15.
Duartina também alega um número pequeno de encaminhamentos para a AHB. Segundo a administração, ortopedia, neumatologia e nefrologia encaminham cerca de 10 ao mês para Bauru.
Independente da disparidade de números entre o que alegam as Santas Casas da região e a Central de Vagas, o fato
é Bauru vai continuar recebendo muitos pacientes para o seu sistema, que é deficitário há tempos. A procura por especialidades é uma carência da região, e parece não haver um meio de controlar isso ou de prestar o atendimento na cidade de origem.
Com o fechamento do Manuel de Abreu, o fluxo está aumentando no Hospital de Base, o que está esquentando a panela de pressão do falido SUS.
Agudos presta serviço diferenciado
Texto: Marcos Zibordi
Reestruturação administrativa mudou quadro do hospital e reabriu Pronto Socorro
Agudos - Num processo de abertura do seu corpo clínico e de parceria com vários especialistas, processo iniciado pelo ex-provedor e otimizado pelo atual, a Associação do Hospital de Agudos (AHA) vem atraindo para seu corpo clínico especialistas da região e até do exterior.
Em virtude de uma crise político-administrativa instaurada na administração passada, houve a necessidade do hospital captar recursos em outras fontes. "Em virtude da crise que se instalou na saúde do município àquela
época, a Administração da Associação determinou o fechamento do Pronto Socorro, até então instalado dentro da instituição e as quedas de internação e arrecadação, quase levaram o hospital ao fechamento", recorda Samir Salmen, diretor clínico e gastroenterologista.
O Hospital percebeu que o que tinha de melhor, Hotelaria e Centro Cirúrgico, estava sendo oferecido somente ao SUS, altamente deficitário. "Resolvemos então convidar os principais especialistas de Bauru para que trouxessem seus pacientes para cá. Oferecemos quarto com alto nível de conforto, organização e asseio hospitalar já de renome na região e nos orgulhamos de praticamente não ter infecção hospitalar e os níveis que existem são bastante razoáveis".
O Centro Cirúrgico é extremamente novo e bem equipado, possibilitando quase todas as intervenções cirúrgicas.
Os especialistas trazem pacientes em caráter exclusivamente particular que dispendem um custo muito razoável na Hotelaria do hospital, e esses recursos vem possibilitando que ele amplie seu atendimento ao SUS. Inúmeros pacientes de Bauru são operados pelo SUS de Agudos, cirurgias muitas vezes impossibilitadas pelas grandes filas de espera no Ambulatório de Especialidades de Bauru.
Em virtude dessa realidade, o afluxo de especialistas nas diversas
áreas cirúrgicas, principalmente cirurgia plástica e obstetrícia, já possibilitaram a contratação de mais um anestesista. Quatro Ginecologistas, dois Gastroenterologistas, uma Cardiologista e um Pediatra, se fixaram na cidade e atuam exclusivamente para a comunidade agudense.
O Hospital adquiriu recentemente um VídeoEndoscópico Pentax de última geração, em parceria com os profissionais da área.
A iniciativa recebeu o reconhecimento da Universidade do Sagrado Coração (USC) que instalou no hospital um serviço de Cirurgia Buco-Maxilar. Dr. Hugo Nary e sua equipe, vem realizando cirurgias altamente complexas em pacientes de todo o Brasil, trazendo para Agudos o mais renomado especialista em Sistemas de Ósteointegração do mundo, Dr. Per Ingvar Branemark, da Suécia.
Este médico ortopedista, pesquisador, Phd, professor de anatomia da Universidade de Gotemburgo, é autor de um revolucionário sistema de implante e, através do departamento de Cirurgia Buco-Maxilar da USC e do chefe daquele serviço, optou por realizar no Hospital de Agudos três cirurgias de implantes para reabilitação oral, repetindo iniciativa do ano passado (uma das pacientes veio da Bahia).
Encaminhamentos
Segundo dados do Hospital de Agudos, ele já atendeu neste ano 626 pacientes de Bauru em seu ambulatório. Foram internados 71 pacientes no mesmo período.
Ainda segundo o Hospital, este transferiu 16 pacientes para Bauru neste ano. No ano passado foram 149.
Sua diretoria esclarece que o número maior de pacientes vindos de Agudos e atendidos na Associação Hospitalar de Bauru se deve também ao fato desta última ser referência. Muitos agudenses procuram o serviço em Bauru diretamente, sem serem encaminhados pelo serviço daquela cidade. A diretoria argumenta também que existem três mil agudenses trabalhando em Bauru e que, na ocorrência de algum distúrbio na saúde, tendem a procurar primeiro a AHB.
Segundo a AHB, 689 pacientes de Agudos foram internados em Bauru no ano passado.