Estado anuncia R$ 420 mil para Manoel de Abreu
Estado anuncia R$ 420 mil para Manoel de Abreu
Texto: Nélson Gonçalves
Reunião da comissão de Bauru aconteceu ontem, em São Paulo. Governo do Estado garante verba para recuperar hospital
O hospital Manoel de Abreu não será mais desativado, se depender de compromisso firmado ontem pelo governo do Estado, através do coordenador de saúde do Interior, Luís Mussolino. Deu resultado a mobilização pública em Bauru, a partir de reunião da semana passada na Câmara Municipal com representantes políticos e da área de saúde. A comissão encarregada de discutir os problemas do hospital com o governo do Estado recebeu ontem, em São Paulo, a promessa da Secretaria Estadual de Saúde de repassar os R$ 420 mil necessários para a recuperação do hospital. A verba é considerada suficiente para reconstruir as áreas afetadas do hospital, conforme levantamento prévio da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).
A coordenadoria de saúde do interior, através de Luís Mussolino, recebeu ontem, em São Paulo, a comitiva municipal que foi formada para discutir o assunto. Compareceram ao encontro os deputados estaduais da região, Carlos Braga
(PPB) e Pedro Tobias (PDT), os vereadores Edmundo Albuquerque
(PSDB) e Majô Jandreice (PC do B), o diretor da DIR-X, Flávio Badin Marques, o superintendente da AHB, Reinaldo Rocha, e o diretor do corpo clínico da AHB, Paulo Eduardo de Sousa. A comissão foi representar o interesse da cidade e de alguns municípios da região na recuperação do hospital. O anúncio do compromisso de repasse de verbas para a recuperação do hospital foi feito, no início da noite de ontem, pelo deputado Carlos Braga e, em seguida, confirmado pelo superintendente da AHB, Reinaldo Rocha.
Conforme Carlos Braga, por telefone, a Secretaria Estadual de Saúde vai destinar R$ 420 mil em três parcelas. A liberação do dinheiro será feita assim que o hospital Manoel de Abreu, através da AHB, apresentar o projeto de reforma e o cronograma de obras. A previsão
é que a primeira parcela seja liberada até 15 de julho. O projeto deverá ser encaminhado após aprovação pela Divisão Regional de Saúde (DIR-X). A Associação Hospitalar de Bauru acredita que em uma semana o projeto fica pronto e será encaminhado.
Carlos Braga disse que não esperava a resposta imediata do governo do Estado para o problema. O pessimismo inicial do deputado estava depositado na dificuldade de se conseguir uma audiência com o secretário estadual da saúde, José da Silva Guedes, para discutir este e outros problemas da área no Município. Braga contou que a discussão foi colocada de uma forma técnica e política para o representante da pasta no governo estadual. "Nos abrimos a reunião da comissão com um posicionamento bem claro. Perguntei se o governo tem vontade política de ajudar a cidade na área de saúde antes de falar sobre valores. O representante do governo disse que havia a vontade política e então passamos a expor tecnicamente a necessidade de verba para as obras", disse Braga. O deputado comentou que
"não esperava o resultado imediato e é importante para Bauru que o governo tenha demonstrado sensibilidade diante do problema. O resultado da reunião foi positivo".
Carlos Braga atribui a conquista da verba necessária para as obras de recuperação do hospital Manoel de Abreu
à ampla mobilização política e social que foi feita nos últimos dias. "Penso que foi fundamental a mobilização geral da sociedade, através da imprensa, a discussão antecipada de questões técnicas e políticas do caso e, sobretudo, ao encontro realizado na Câmara Municipal na semana passada", fala.
A reunião na Câmara Municipal que deu o pontapé para a mobilização em favor do hospital foi coordenada pela vereadora Majô Jandreice (PC do B), representante da comissão de saúde do Legislativo. Majô e Edmundo Albuquerque representaram a Câmara na reunião em São Paulo, ontem. O coordenador de saúde do Interior, Luís Mussolino, deu respaldo financeiro para a recuperação do hospital, e discutiu outros pontos com a comissão. Foi discutida a recuperação financeira da AHB e a adoção de novos critérios técnicos para a aplicação dos repasses via tabela SUS. O número de leitos, o número de atendimentos em Bauru e o recebimento de pacientes da região foram alguns dos pontos colocados.
Esses e outros assuntos, como a proposta de subvenção mensal do governo do Estado para a AHB será tema de discussão com Mário Covas. Nesse encontro, serão convocados a participar os prefeitos da região, os membros da atual comissão, e mais o ex-deputado federal, Tuga Angerami. O ex-deputado é considerado fundamental para a interlocução com o governador nessa etapa. Dos membros da comissão que estiveram em São Paulo, ontem, deram retorno Carlos Braga, Reinaldo Rocha e Pedro Tobias.
Em levantamento prévio feito pela AHB, os R$ 420 mil serão suficientes para as obras no Hospital Manoel de Abreu. Reinaldo Rocha disse que a previsão do repasse é para 15 de julho, agosto e setembro. O Manoel de Abreu tem 104 leitos desativados. Dos 176 iniciais, apenas 80 estão em atividade.
No final da noite de ontem, Pedro Tobias ligou para lamentar posição do diretor da DIR-X, Flávio Badin Marques, na reunião. Tobias disse que Badin defendeu, na frente do representante do secretário de saúde e contrariando a comissão, que Bauru não tem falta de leitos. Ficou demonstrado em levantamento, no último final de semana, que os critérios de Flávio Badin não são lógicos, aponta o deputado, na medida em que a DIR-X computa as dezenas de leitos de hospitais como o Centrinho e Lauro de Souza Lima. Grande parte não atende pelo sistema SUS.
Para Pedro Tobias, Flávio Badin contraria a premissa do atendimento básico de saúde e rejeita os números da realidade, quando existem filas no Pronto-Socorro Municipal por falta de leitos para atender a população carente.
"O Badin parece que está trabalhando contra a cidade. A comissão defendia a falta de leitos e ele colocava que não há carência. O Flávio insiste em não considerar como referência o atendimento dos mais pobres, a grande maioria, que é feito pelo SUS. Centrinho
é um excelente hospital, não se discute, mas não pode ser colocado na contabilidade de leitos porque atende mais de 90% fora do básico para a população. Estamos falando em leitos para serviços de saúde para a grande maioria".