04 de março de 2026
Geral

MST

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Sem-terra promete não desocupar área

Sem-terra promete não desocupar área

Texto: Marcos Zibordi

Possível manifestação do MST em Piratininga deixou cidade em estado de alerta

Piratininga - A cidade de Piratininga ficou em estado de alerta ontem. Escolas dispensaram os alunos mais cedo, o comércio ficou à meia-porta e o Fórum abriu com atraso no período da tarde. Todo esse receio, até certo ponto injustificado, surgiu do boato de que o MST faria uma manifestação em Piratininga e que haveriam saques na cidade. Na verdade, o que estava previsto era uma passeata, já que a desocupação da área deve ser hoje, além do protesto pela morte de um dos líderes ocorrida há uma semana.

Na principal rua da cidade, as pessoas estavam na porta dos estabelecimentos, muitos só com uma porta aberta, e todos tinham a mesma resposta para o alerta: a passeata dos sem-terra. Policias à paisana também estavam na cidade.

A equipe de reportagem também esteve no acampamento dos sem-terra em Brasília Paulista, na fazenda Santo Antonio. O clima é extremamente tenso. Fomos impedidos de entrar e o fotógrafo só foi autorizado a fazer uma foto. Um dos líderes afirmou categoricamente: "Nós não vamos sair da área. Se houver desocupação vai haver confronto e vai haver morte". Ele diz que o acampamento não pode suportar duas injustiças seguidas; o assassinato Lafaiete Antonio de Oliveira e o despejo da área.

Pelo caminho, a reportagem também encontrou policiais militares de alta patente vasculhando a região e moradores de propriedades vizinhas. Num carro da Polícia Militar, um tenente nos informou que estava no local "testando a comunicação dos rádios e dos HT's", para a desocupação de hoje. Vários carros faziam patrulha nas estradas, provavelmente atentos ao boato da passeata do MST.

Em reunião realizada ontem entre representantes do movimento e a Polícia Militar de Bauru, no Sindicato dos Bancários, não houve acordo entre as partes. O MST, sem ter para onde ir em caso de desocupação, sem estrutura e lona para novas barracas, decidiu não sair da fazenda. A PM se dispôs a resolver o problema de transporte para os acampados, que somarão cerca de 500 pessoas no momento de uma possível desocupação.

Advogados dos sem-terra também enviaram pedido ao juiz de Piratininga alegando a nulidade da reintegração de posse, por citar como responsável pela invasão uma pessoa que não existe, de nome João Ramalho. O juiz negou o pedido e manteve a liminar que garante a reintegração de posse da fazenda Santo Antonio. O Incra também recebeu documento dos advogados visando acordo para a saída, desde que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária entre na fazenda, imediatamente após a desocupação, para fazer a vistoria necessária à desapropriação.

Apesar de toda essa tensão, nenhum incidente foi registrado ontem. Enquanto de uma lado o MST diz que não vai sair da fazenda, a polícia promete fazer a desocupação. A esperança é de que, independente de legislação ou razão de qualquer parte, não haja confronto e que se respeite o fato de haverem muitas crianças, mulheres e idosos acampados na fazenda.

A PM pretende mobilizar cerca de 300 soldados para operação de desocupação hoje, sendo que o maior contingente vem de Bauru.