08 de julho de 2026
Geral

Conselho Feminino

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Oposição vence eleição do Conselho da Condição Feminina

Oposição vence eleição do Conselho da Condição Feminina

Texto: Josefa Cunha

Um grupo articulado pela coordenadora regional do PT, Estela Almagro, venceu anteontem à noite a eleição do Conselho da Condição Feminina, organismo diretamente ligado ao Gabinete do prefeito para elaboração de políticas públicas em prol das mulheres. A chapa vitoriosa se apresentou em oposição à ex-diretoria, até então presidida por Rosa Morcelli, e obteve cerca de 70% dos votos válidos. A meta inicial das novas diretoras é concretizar o projeto Casa Abrigo.

As eleições do Conselho são realizadas a cada dois anos em assembléia popular. Segundo edital publicado, a votação teria início às 19 horas, abrindo disputa às chapas devidamente registradas. Na prática, porém, a eleição não obedeceu as regras pré-estabelecidas e ocorreu em meio a divergências. No horário oficial de abertura da urna, somente a chapa de oposição - Alternativa Feminina -, estava inscrita. Provavelmente por não contar com a concorrência, a "situação" não registrou chapa dentro do prazo. Depois de muita discussão, o grupo de Estela Almagro acabou abrindo mão da norma e aceitou a inscrição extemporânea do grupo liderado por Rosa Morcelli. A professora e mulher do vereador Luiz Roberto Relvas (PDT), Cláudia Relvas, integra a chapa vencedora.

Mais de 120 pessoas estiveram presentes à votação, sendo que a grande maioria compareceu para apoiar a chapa de oposição.

"Nós vínhamos articulando a participação no Conselho há muito tempo e mobilizamos todos a colaborarem com a nossa proposta. Concorremos com as 11 titulares e 11 suplentes a que tínhamos direito e todo o empenho foi válido", comemorou Almagro, sem esconder o descontentamento com a atuação da ex-diretoria. "Não disputamos com uma chapa tapa-buracos, mas com representantes de vários segmentos da sociedade", acrescentou.

O novo Conselho da Condição Feminina fará amanhã sua primeira reunião, na qual serão escolhidas as representantes da executiva. Na ocasião, já serão debatidas as primeiras ações para a viabilização do projeto Casa Abrigo. "A disputa do aparelho foi só o primeiro passo. A luta verdadeira será a implementação da Casa Abrigo, um local que tem a proposta de cuidar das mulheres vítimas de violência. Nós sabemos que essas mulheres precisam de apoio psicológico e jurídico, como o oferecido pelo Ciam, mas, sobretudo, de um lugar onde elas possam conquistar a reintegração

à sociedade. Por isso, esse projeto visa oferecer, além de uma estrutura burocrática, melhor capacitação profissional, especialmente porque a maioria das vítimas da violência doméstica é analfabeta", explicou Almagro. "Não adianta cuidar só da parte jurídica e emocional. Essas mulheres e seus filhos precisam ter onde ficar até que consigam restabelecer a vida em sociedade", completou.

Além das eleitas em assembléia popular, o Conselho da Condição Feminina também é composto por outras quatro servidoras municipais nomeadas pelo prefeito. As indicadas pela administração, necessariamente, são representantes dos setores jurídico, de educação, serviço social e saúde.

Titulares eleitas para o biênio 1999/2001

- Gislaine Cristiniane (diretora do Sindicato da Construção Civil)

- Ednéia Cristina dos Santos (liderança do Sindicato da Economia Informal)

- Maria Lúcia Araújo (comunidade de base da Igreja Católica/Jardim Redentor)

- Cláudia Relvas (professora que atua em trabalhos com meninas adolescentes)

- Eliane Bittencourt (professora e atuante na formação de adultos)

- Leonilda Batista (comunidade católica do Geisel)

- Maria Luzia (Comissão Pastoral da Terra)

- Sandra Sueli (cidadã interessada em colaborar)

- Rose Mari Rosa (cidadã interessada em colaborar)

- Lígia Pagan (professora e estudiosa na área de deficiência)

- Estela Almagro (coordenadora regional do PT)