Comércio irá repassar custo da CPMF para clientes
Comércio irá repassar custo da CPMF para clientes
Texto: Luciano Augusto
O efeito cascata da cobrança dos 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF) no comércio irá significar aumento de preço. Segundo Orlando Burgo, 67 anos, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), "o comércio será obrigado a repassar", porque o custo dos produtos vai sofrer alterações com a cobrança do imposto.
Os consumidores devem começar a sentir este aumento nos próximos 30 dias adianta a CDL. Burgo, entretanto, não arriscou dizer o percentual provável de alta.
O representante dos lojistas afirmou ainda que o setor recebeu
"pessimamente" a volta da cobrança da CPMF, que incide sobre as movimentações bancárias. Os lojistas dizem que a cobrança irá provocar uma diminuição dos volumes de negócios com cheques, principalmente pré-datados. Hoje, os pagamentos com cheque somam um percentual grande no faturamento mensal das lojas.
"Com a estabilização da moeda e a globalização, as indústrias não têm mais condições de repassar" o impacto do imposto, pontuou Sérgio Togashi, 53 anos, diretor adjunto do Centro das indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Segundo sua análise, com a forte concorrência fica impraticável para o setor produtivo repassar "mais este imposto que onera ainda mais a produção".
De acordo com estudos feitos pelo Ciesp, a interferência dos impostos federais e estaduais sobre o faturamento das indústrias chega a 22%. "Enquanto as empresas trabalham com uma margem de lucro de até 10%, o Governo trabalha com esta", aponta Togashi. Em relação ao impacto da CPMF sobre o lucro líquido do setor indutrial, o Ciesp apurou que o percentual chegará a 5%, até o final deste ano.
Para o economista e professor universitário Wagner Aparecido Ismanhoto, 36 anos, o repasse da CPMF vai depender muito do tipo da empresa e do grau de competitividade do ramo no qual atua.
Ele argumenta que pela competição acirrada vivida pelo mercado atualmente, com a economia desaquecida e com o poder de compra do consumidor reduzido, arriscar repassar este aumento dos custos na produção com a CPMF é perigoso.
Ismanhoto aponta, por exemplo, que o resultado deste repasse no faturamento poderá ser maior do que o impacto do imposto no custo.
Bancos
Os bancos, por sua vez, estão agilizando soluções para não sofrer com a fuga de clientes motivada pela cobrança da CPMF. A grande maioria dos bancos já trabalham com a devolução do imposto nas aplicações na caderneta de poupança.
O gerente da agência centro do Banco do Brasil, Norton de Souza, 44 anos, explicou que os fundos de investimentos DI de 60 dias, deixados por 120 dias também reembolsam o imposto ao cliente.
Welcy Arantes de Carvalho, gerente regional do Banespa, destacou a operação Swap, que discute as taxas com os clientes, onde é possível aplicar por vários meses e ter apenas o desconto da CPMF inicial.
No Banco Real, a gerência informou que o banco ainda não definiu uma política própria em relação
à CPMF. A poupança tem devolução integral do imposto após 90 dias.
No Banco Bandeirantes, além do reembolso integral da CPMF nas movimentações da poupança, também
é dado o mesmo incentivo para as aplicações no FundoInvestFix 90, de renda fixa. O banco estuda a ampliação desse vantagem a seus demais fundos de investimento.
A Caixa Econômica Federal (CEF) irá compensar a CPMF para os saques em poupança, desde que o valor sacado tenha permanecido por pelo menos 90 dias em depósito. Outra medida da Caixa é o lançamento de um fundo com reembolso da CPMF, chamado de Caixa Fac Prêmio 60. Neste caso, o cliente terá a contribuição reembolsada após o prazo de 120 dias de aplicação.