08 de julho de 2026
Geral

Preço dos remédios

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 5 min

Remédios ficam mais baratos em Jaú

Remédios ficam mais baratos em Jaú

Texto: Fábio Grellet

Associação de aposentados cria farmácia que oferece medicamentos genéricos aos filiados. Descontos chegam a 70%

Jaú - A falta de remédios nos Postos de Atendimento

à Saúde e os altos preços praticados pelas farmácias levaram uma associação que reúne aposentados em Jaú a criar uma farmácia própria, a Aposenfarma, que negocia medicamentos genéricos a preços até 70% mais baratos que aqueles cobrados nos estabelecimentos comerciais.

A entidade chama-se Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jaú e Região e foi criada, em 11 de setembro de 1993, com o objetivo de cobrar do Poder Público e tentar oferecer aos aposentados melhores condições de vida e oportunidades que seriam mais difíceis de se obter individualmente. "Já que o governo, habitualmente, considera nossa categoria como 'estorvo', desconsiderando tudo o que produzimos durante nossas vidas, temos que nos reunir para lutar por melhorias", diz o diretor de patrimônio da Associação, Hedair de Arruda Falcão, que acumula o cargo de diretor de saúde da entidade.

Falcão explica que, desde meados de agosto de 1997, a associação dispunha de um convênio com três farmácias de Jaú, que ofereciam um desconto de 15% em seus produtos, para os filiados da entidade. Como esta se responsabilizava pelo pagamento de outros 15%, ao todo o desconto de que os associados dispunham era de 30%. Cientes, porém, de que as facilidades poderiam ser ainda maiores, os diretores da associação contrataram o farmacêutico Alberto Santinelli para desenvolver um novo projeto, batizado como Aposenfarma. Adquirindo, diretamente dos laboratórios, medicamentos com nomes genéricos, a entidade consegue oferecer aos filiados preços ainda melhores. Como diversos fabricantes produzem o mesmo remédio, que só recebe nomes de fantasia diferentes (mas correspondem ao mesmo conteúdo e devem produzir o mesmo efeito), basta pesquisar, entre os laboratórios confiáveis, quais oferecem o melhor preço. Nem sempre é fácil, porém, convencer o comprador de que o produto que ele procura, com tal nome, pode ser substituído por outro, que tem um nome diferente e muito mais complicado. Uma Aspirina, por exemplo, pode ser procurada pelo nome de ácido acetilsalicílico, que corresponde ao ingrediente químico que a compõe. A única diferença entre remédios compostos pelos mesmos ingredientes e produzidos por fabricantes diversos consiste no empenho de cada empresa em divulgar seu nome de fantasia. Mera questão de marketing, pois. Escolhendo o produto através do nome genérico, portanto, o farmacêutico tem condições de adquiri-lo pelo menor preço - entre 42% e 70% mais baratos, em relação às farmácias comuns.

Santinelli alerta, porém, que é necessário conhecer o laboratório e a qualidade de seus produtos:

"Não se pode levar em conta exclusivamente o preço do remédio, mas também a procedência dele, a confiabilidade de que o laboratório que o fabrica dispõe", diz. Para iniciar o funcionamento da farmácia da associação de Jaú, Santinelli escolheu como fornecedores dois laboratórios que já conhecia, o Teuto e a União Química. Foram definidos, para integrar o estoque do estabelecimento, 500 remédios que seriam os mais procurados pelos idosos, conforme pesquisa feita com base no consumo durante o período em que as compras eram feitas nas farmácias conveniadas. Atualmente, já estão disponíveis cerca de 800 itens diferentes. Nem todos são medicamentos genéricos, porém. Alguns itens não são encontrados, ainda, com nomes genéricos, e há também os consumidores que não se convencem quanto às vantagens dos genéricos e preferem escolher os remédios conforme o nome de fantasia. No caso destes, a farmácia oferece descontos de 30%, em média, em relação aos preços praticados pelos estabelecimentos comerciais comuns.

A farmácia começou a funcionar em 12 de maio e atende entre 130 e 140 pessoas por dia. Como o estoque organizado para este período inicial de funcionamento ainda não

é grande, eventualmente o remédio não é encontrado imediatamente mas, então, ele é solicitado e disponibilizado ao cliente após alguns dias.

Quadro de associados

O movimento na associação, que admite sócios moradores de Jaú ou outras 13 cidades da região, aumentou consideravelmente, depois que a farmácia foi implantada. A cada dia, filiam-se à entidade cerca de 50 novos sócios.

"Atualmente, já temos cerca de 3 mil sócios", diz o presidente da entidade, Manuel Garcia Vilchez. Ele explica que a única exigência para se tornar membro da instituição

é ser aposentado ou pensionista - independentemente da atividade exercida pelo indivíduo antes de se aposentar. Não importa, pois, a formação profissional de que o interessado em se filiar disponha.

Vilches explica também que, atualmente, a entidade admite sócios em três categorias diversas: aqueles que querem se utilizar estritamente da farmácia que a associação criou pagam apenas R$ 5 por ano; outros, que desejem ter à sua disposição, além dos serviços da farmácia, outras promoções oferecidas pela entidade (como os direitos de freqüentar os eventos promovidos pela associação e de usar o salão de festas, em reuniões particulares previamente agendadas), pagam R$ 10 como taxa de inscrição e mensalidades no valor de R$ 5. A terceira categoria de sócios abrange aqueles que, além de dispor das facilidades oferecidas pela entidade, ainda são filiados à cooperativa de atendimento médico Unimed e adquirem um plano de saúde. Por tudo isso, eles pagam R$ 10 como taxa de inscrição e, quando recebem aposentadorias de até R$ 500 por mês, pagam R$ 5 de mensalidade. Se recebem proventos maiores, pagam como mensalidade 1% do recebido. A maior parcela dos 3 mil sócios

(cerca de 2 mil deles) integram esta última categoria, que dispõe de um plano de saúde. Isso faz com que a associação represente a maior fatura da Unimed na cidade de Jaú.

Laboratório de manipulação

O farmacêutico responsável pela Aposenfarma destaca também que está em estudos a viabilidade de ser criado um laboratório de manipulação. Nesse caso, ao invés de adquirir o medicamento, a entidade compraria os sais componentes dele e o produziria, tornando ainda menor seu custo e o preço final para o aposentado. Tal procedimento, porém, além de exigir técnicos especializados e responsáveis, utilizaria equipamentos bastante caros. Por isso, esse é um projeto para o futuro: "Temos que avançar por etapas, para estruturar e conseguir consolidar cada projeto. Mas a expectativa de se criar o laboratório

é real", diz Santinelli. Por ora, a Aposenfarma já representa um auxílio significativo para uma categoria que deveria ser muito mais valorizada, mas se sente cada vez mais marginalizada. Afinal, se os jovens representam o futuro do País, muito do que há no presente foi construído pelos aposentados.