Testes devem considerar fatores culturais
Testes devem considerar fatores culturais
Texto: Sabrina Magalhães
Um bom teste de raciocínio são as palavras cruzadas. Só os psicólogos podem fazer uma avaliação correta da inteligência
A afirmação é unânime entre os especialistas: o ser humano é uma unidade, o funcionamento mental se processa em cadeia. Portanto, para se ter uma avaliação precisa da quantidade de inteligência de alguém, é preciso considerar o meio em que este indivíduo está inserido. "Uma criança, por exemplo, que é criada no ambiente rural, se não for filha do dono da fazenda, não vai conseguir mexer com o computador. Mas ela sabe empinar pipa, sabe construir uma arapuca, sabe fazer coisas que dependem de uma inteligência muito elaborada. A criança da cidade sabe lidar com o computador, mas talvez não saiba as outras coisas (construir uma arapuca, por exemplo)", destaca a psiquiatra Adélia Deher Miranda.
E o professor Luiz Pasquali, da Universidade de Brasília
(UnB), completa: "O ser humano não é uma máquina, na qual se podem separar e fazer funcionar independentemente os vários componentes. O ser humano é uma unidade, de sorte que em qualquer comportamento, seja intelectual, seja emocional, seja motor, este ser entra com todas as suas habilidades e peculiaridades. Então, numa tarefa de raciocínio, outros fatores entram em jogo, como os emotivos, e afetam a resolução desta tarefa".
Segundo ele, então, testes elaborados no exterior não podem simplesmente ser utilizados no Brasil. Eles deveriam ser adaptados e "calibrados" para a nova cultura. "E como a tarefa de adaptar um teste estrangeiro é tão dispendiosa quanto construir um novo teste, o Instituto de Psicologia da UnB (onde trabalha Pasquali) enveredou para a elaboração de testes originais em todas as áreas das aptidões e da personalidade, tendo produzido já uma dúzia deles". Três destes testes já estão sendo finalizados: o Teste Não-Verbal de Raciocínio para Crianças, voltado a alunos entre 5 e 12 anos, o Teste Não-Verbal de Raciocínio para adultos, que visa à avaliação da habilidade dedutiva dos sujeitos, e a Bateria de Raciocínio Diferencial, também para adultos, que é voltado para a seleção de candidatos ao mercado de trabalho.
Teste
Diante da solicitação do JC Saúde de um teste para ser publicado, Pasquali sugeriu palavras cruzadas para que as pessoas, em geral, avaliem seu nível de raciocínio.
"mas se alguém estiver necessitando realmente avaliar sua inteligência, e tenha motivos especiais para isto, aconselho que procure um psicólogo e se submeta a uma avaliação psicológica. Assim, o psicólogo escolherá uma bateria de testes adequados para aquela pessoa. Por razões
éticas, o acesso ao conteúdo dos testes psicológicos só é permitido aos profissionais da área."
Estimulando a memória
O meio do ano é um período em que muitos estudantes se preparam para o vestibular. É um momento também em que boa parte dos jovens se desespera com a quantidade de informações para memorizar em um tempo extremamente reduzido. Para a psiquiatra Adélia Deher Miranda, antes de mais nada, é preciso controlar a ansiedade, um fator que reduz a capacidade de memorização do indivíduo.
Ela também sugere que o candidato saiba administrar seu tempo, transformando horários em hábitos, tendo tempo para estudar, para ir às aulas, para se alimentar, para atividade de lazer e - muito importante - para dormir. "Outro ponto é que, se o aluno não sabe porque ele está aprendendo aquilo, não tem o que aprender. Ele precisa entender o porquê de cada coisa, adaptar o conhecimento
à prática. Assim, ele compreende as fórmulas, memoriza e dificilmente esquece."
Concentração
Além disso, a psiquiatra destaca que o estudante depende muito de concentração. Ela explica que esta capacidade está dividida em atenção voluntária e atenção espontânea, sendo que a boa atenção depende do equilíbrio entre as duas. "Então, a atenção espontânea é a minha capacidade de estar atenta aos estímulos do meio, estar apta a captá-los. E a atenção voluntária é a minha capacidade de selecionar em qual estímulo quero me centrar. Então, se eu estiver lendo um livro, é bom que eu esteja alerta o suficiente para que, se alguém gritar lá fora que o prédio está caindo, eu me levante e saia correndo
(...) A mente funciona em cadeia. Assim, eu tenho que ter meu pensamento íntegro."