Pais e educadores devem estimular aptidões
Pais e educadores devem estimular aptidões
Texto: Sabrina Magalhães
O adulto deve estar atento aos erros da criança, incentivando-a a aprender com eles, mas sem consolidar as estratégias incorretas e raciocínio
"Você - mãe ou pai - é o primeiro educador de seus filhos. Eles aprendem a andar, segurando suas mãos. Eles aprendem a falar ouvindo o que dizem, repetindo as palavras que emitem, prestando atenção em suas conversas. Eles aprendem valores e emoções observando o testemunho que vocês dão, as lições que transmitem e os exemplos que oferecem. Esta missão de educar - sem dúvida a mais nobre de todas - não se restringe
à infância de suas crianças; ela o acompanhará por toda a vida (...) Parte importante desta missão consiste em descobrir e desenvolver os diferentes talentos que o seu filho ou a sua filha possui", comenta a professora-doutora em Educação, Cosete Ramos.
Ela lembra que os primeiros estímulos que a criança recebe vêm dos pais, que precisam expor os filhos a diferentes situações, para que ele use todas as suas habilidades, mesmo que em intensidade diferente. Alguns estudiosos afirmam que as experiências vividas nos três primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro humano.
Então, por exemplo, mesmo que a criança não demonstre grande interesse pela música, a família deve colocar músicas enquanto ela brinca, ou cantar para ela. Mesmo que a criança não goste de mexer na terra, ela deve ser estimulada a observar alguém cuidando do jardim, e assim por diante. No futuro, mesmo que ela não queira colocar a mão na terra, ela será capaz de o fazer, se for preciso.
Pré-escola
Depois desta fase, a criança é encaminhada à escola, um momento também de extrema importância no desenvolvimento das habilidades intelectuais do indivíduo. Por isso, Cosete Ramos destaca a escolha da escola como de fundamental importância para o desenvolvimento da inteligência humana. Em entrevista ao Jornal da Cidade há cerca de dois anos, ela comentou que a escola deve satisfazer a quatro clientes: a comunidade, o aluno, a família do aluno e o mercado de trabalho. Neste sentido, ela lembrou que na era da sociedade industrial, as empresas precisavam de pessoas capazes de obedecer e de exercer atividades repetitivas, o que fez com que a educação fosse autoritária e automática, quando o professor falava, o aluno decorava e repetia, sem discutir.
Mas o perfil empresarial mudou. Hoje, trabalhadores são substituídos por máquinas, de forma que a exigência profissional agora é de pessoas que saibam criar e inovar. Então, a escola precisa oferecer, segundo Cosete, um aprendizado amplo, permitindo que o aluno participe das decisões da escola. "Ao aceitar as conclusões da Teoria das Inteligências Múltiplas, a família não pode mais aceitar as propostas de uma escola uniforme, padronizada e massificadora, na qual todos os alunos aprendem as mesmas coisas, na mesma hora e do mesmo jeito, onde o professor fala e o aluno, calado e passivamente, ouve", comenta. Para ela, as escolas de qualidade priorizam a aprendizagem cooperativa, estimulando alunos diferentes, com inteligências diversas, a estudarem juntos, formando parcerias, times de estudo.
A educadora salienta que a família tem que ser muito exigente ao escolher uma instituição educacional, para que, atuando de forma conjunta, família e escola ofereçam todas as condições para estimular o estudante a desenvolver suas capacidades ao máximo, sem compará-lo aos colegas. "Afinal, é preciso que cada indivíduo tenha a sua oportunidade de brilhar", conclui.
Erros merecem atenção
De acordo com o psicólogo Jair Lopes Jr., que atua em Psicologia da Aprendizagem Humana pela Unesp/Bauru, pais e educadores precisam estar muito atentos aos erros que as crianças cometem:
"Muitas abordagens hoje em Pedagogia, Psicologia, idolatram muito a idéia do erro, supondo que a criança pode vir a ter grandes progressos com o erro. Mas supor que o erro
é educativo pressupõe uma série de condições. A criança pode sim aprender com o erro, mas pode também desenvolver relações de operações incorretas, que podem se consolidar, ficando difícil corrigi-las posteriormente. Além disso, o erro tem uma conotação muito pejorativa na nossa cultura, a criança que erra é rotulada. Esses rótulos vêm acompanhados de reações emocionais que podem bloquear o aprendizado".
Para o professor, na maioria das vezes, quando há erro, a deficiência está na metodologia de ensino, ou seja, a forma como o comportamento a capacidade de raciocinar, de pensar e recordar foi desenvolvida pode resultar em dificuldade de memorização na criança. "Eu poderia pensar nas estratégias mais mirabolantes possíveis para treinar a capacidade matemática do aprendiz, por exemplo, como orientá-lo a ler placas de carro, fazer contas, multiplicar os números. Pode ser que esse método não seja adequado para aquela criança, que esteja queimando etapas. Então é preciso detectar essas dificuldades e desenvolver estratégias que tenham uma eficácia maior (...) Todas essa correções têm que ser pontuais, evitando que o aprendiz consolide essas estratégias incorretas, para que não haja implicações emocionais mais tarde (tornando-se obstáculos ao aprendizado no futuro)."