07 de julho de 2026
Geral

ECCB

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Assembléia deve decidir sobre greve na ECCB

Assembléia deve decidir sobre greve na ECCB

Texto: Márcia Buzalaf

Os cerca de mil funcionários da Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB) irão decidir hoje, em assembléia, em três turnos, realizada na sede do sindicato, se entram ou não em greve. O motivo da manifestação que começou ontem é a negociação do acordo coletivo, que esbarrou em um impasse.

Ao mesmo tempo, a empresa demitiu, ontem, dez funcionários da empresa, sem justa causa. "Na nossa opinião, isso

é a retratação do movimento", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran), Elias Pinheiro da Silva, 39 anos.

O advogado da empresa, Fábio José de Souza, 34 anos, tinha a informação da demissão de quatro empregados e não conseguiu confirmar as demais. Porém, ele não soube informar se esse corte teve, ou não relação com a manifestação feita pelos trabalhadores, que circularam com os faróis acesos, a mais tradicional forma de manifestação de alerta de possibilidade de greve na empresa.

O advogado afirmou, no entanto, que a empresa não vai admitir

"qualquer ato contra o andamento normal dos trabalhos da empresa" por parte dos trabalhadores no meio de uma negociação.

"A empresa está com os pagamentos em dia, está com a cesta básica em dia. Não há justificativa para qualquer ato do sindicato ou dos empregados contra ela", afirmou.

Segundo Silva, a decisão de começar os protestos partiu dos próprios funcionários, em assembléia realizada na última semana.

O sindicato da categoria quer o reajuste de 5% mais um abono no valor de um salário mínimo, a ser pago no mês que a empresa achar que é melhor. Os funcionários também reclamam o reajuste no tiquet alimentação, que passaria de R$ 100,00 para R$ 136,00. De resto, todas as outras cláusulas do contrato deveriam ser mantidas.

Do lado da empresa, o presidente SindiTran afirma que a ECCB propôs, sem discussão, reajuste de zero por cento, corte do tiquet alimentação e a "redução da qualidade da cesta básica". A ECCB diz que não tem dinheiro para acatar as reivindicações dos funcionários.

Os trabalhadores da empresa, segundo Silva, estão devidamente alertados sobre os problemas de uma greve no atual momento da ECCB. "Se fizermos greve, a empresa não volta a operar", diz Silva.

Mesmo assim, ele afirma que não é justo que os funcionários sempre sejam os únicos a sofrerem com a má administração da empresa. Segundo Silva, 61% da ECCB está nas mãos do suposto comprador da empresa, Baltazar José de Souza desde o deferimento da concordata. "Eu tenho documentos para comprovar tudo isso", garante ele.

A possibilidade de entrar em greve é de praticamente 100%, segundo Silva. No entanto, é a assembléia realizada em três turnos (às 9, 15 e 20 horas) que deve decidir sobre o movimento grevista. "A empresa simplesmente fechou a negociação, falando que esta é a única proposta que tem", conta Silva.

Ele ainda diz que o sindicato "não vai deixar a coletividade sem transporte". O objetivo é que, em caso de greve, os motoristas ocupem os ônibus e façam o trabalho do transporte. "A receita nós depositamos, depois rateamos entre os trabalhadores. Porque nesse País, quem pode mais chora menos", alega.