13 de março de 2026
Geral

Tucanos

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Natan diz que PSDB está "aparando arestas"

Natan diz que PSDB está "aparando arestas"

Texto: Josefa Cunha

O suplente de deputado federal Natan Chaves (PSDB), que transferiu seu domicílio partidário para Bauru em busca de espaço para uma nova candidatura a deputado em 2002, acredita que a crise no ninho tucano local está chegando ao fim e atribui o reatamento dos laços com o vereador Rubens Spíndola como o primeiro sinal disso. Na última segunda-feira, o parlamentar voltou atrás no recurso que interpôs para tentar impugnar as 502 filiações apresentadas por Natan há pouco mais de três meses.

O recuo deixou claro o interesse de Spíndola, pré-candidato a prefeito, em unir-se a Natan - e a seu forte grupo de filiados

- para vencer a convenção do partido. Natan, entretanto, afirma que suas pretensões partidárias vão além das "pazes" com o vereador. Ele revela que, desde o início, busca "unir as pontas do PSDB" e classifica o restabelecimento das relações com o parlamentar apenas como a "primeira vitória".

"Eu conversei bastante com ele, expus minhas pretensões eleitorais e demonstrei que minha intenção é somar. O impasse com o Rubens foi de graça e já era mais do que hora de resolvê-lo", disse.

O peso político de Natan - certamente fator de desequilíbrio numa disputa interna - , porém, ainda está no meio da balança. O suplente de deputado não fala em apoio a este ou àquele, até porque defende as discussões eleitorais somente para janeiro do ano que vem. Até lá, adianta ele, seu papel no partido será o de "aparador de arestas".

Confiante no seu poder de composição, Natan pretende agora equacionar as outras várias divergências internas, inclusive tentar a proeza de reaproximar Tuga Angerami e Edmundo Albuquerque, que desde as eleições do ano passado já não se "bicam". "Eu ainda não conversei com o Tuga, mas o farei tão logo seja possível. Quero também conversar com o Caio (Coube) e o Ricardo Carrijo. Meu empenho será no sentido de mantê-los todos no PSDB a fim de conseguirmos uma união para o processo eleitoral de 2000. No momento, é hora de todos abrirem mão de algumas questões pessoais em favor do partido", considerou, defendendo, por enquanto, um consenso para evitar a disputa em convenção.

Natan reconhece que será difícil concretizar o plano de composições, especialmente em razão dos

ânimos acirrados que hoje dividem o ninho tucano em Bauru.

"Vou usar desse poder que o partido me conferiu para arrendondar as arestas. O ideal seria chegarmos um único nome com potencial e poder de aglutinar dentro do próprio partido. Mas temos que ponderar também a possibilidade de uma coligação, que pode unir o PDT, PSB e o PT. Os caminhos ainda são vários e, no momento, jogo com todo esse leque de alternativas", revelou. "O que não podemos é permitir a continuidade dessa crise, porque os outros partido já estão trabalhando. Quanto mais demorarmos, mais vamos perder", completou. A expectativa de Natan é "harmonizar" o PSDB até novembro deste ano.

Estratégias à parte, o certo é que Natan, na medida em que tenta apaziguar os ânimos, vai conquistando espaço e cumprindo suas metas pessoais. Observadores políticos de outros ninhos não têm tanta certeza do desejo de unificação de Natan; aliás, acreditam que o suplente de deputado logo definirá seu apoio a um ou outro grupo - leia-se tuguistas e anti-tuguistas -, especificamente

àquele com melhores condições de recompensá-lo na já postulada candidatura em 2002.